Capítulo Quatro: Esperança
Carlos está na
varanda da casa, observando a rua infestada de zumbis. Pelo fato de não terem
colocado algum cadáver podre na frente do portão, os zumbis estão tentando
entrar, pois sabem que há pessoas vivas dentro. Mariana vai até Carlos, põe a
mão no ombro direito dele e se escora no parapente, olhando a multidão de
cadáveres ambulantes que está tentando entrar em sua casa.
- no que tá
pensando? – pergunta ela.
- só pensando
em como vamos sair daqui e chegar ao porto – fala ele.
- pegamos
alguns suprimentos, algumas armas, alguns carros e mataremos tudo que cruzar
nosso caminho, simples – fala ela.
- não, nada é
simples – fala ele – temos que levar em consideração o fato de que nem todos estão
dispostos a detonar o cérebro de um zumbi, seja por alguma espécie de
sentimento de humanidade devido ao fato do zumbi ter sido uma pessoa antes de
se tornar um canibal enlouquecido, ou seja por fraqueza física e/ou
psicológica.
- hum...você
complica o que é simples – fala ela.
- não, eu só
tento olhar de outros ângulos – fala ele.
- o que você
quer fazer? – pergunta ela.
- eu tô pirando
aqui – fala ele entrando na sala em que estão Gabriel e Alice assistindo filmes
– eu tô indo limpar a entrada pra relaxar um pouco, você vem Mariana?
- relaxar?
Enfrentar uma horda de zumbis é relaxar? – pergunta ela – você tá doido?
- todos ficamos
doidos algumas vezes – fala ele – você vem ou não?
- claro, já que
se você for sozinho vai acabar morto – fala ela.
Gabriel olha
para Carlos logo após ter escutado a conversa.
- mah tu tem
certeza que quer enfrentar uma multidão de zumbis á noite? – pergunta Gabriel.
- é divertido,
é educativo, é terapêutico, então por que não? – fala Carlos.
- você quer se
matar e matar á todos nós? – fala Alice – abrir aquele portão vai fazer com que
os zumbis entrem e nos matem.
- não se a
gente matar eles primeiro – fala Mariana.
- eles são
vários e nós somos poucos – fala Alice.
- número não
impediu a vitória do coronel Arthur
Wellesley, o duque de Wellington, sobre Napoleão Bonaparte na batalha de
Waterloo, impediu? – fala Carlos enquanto anda até o centro da sala – pense na
comparação: Napoleão tinha muitos soldados, da mesma forma são os zumbis, estão
em maior número, e o coronel Wellesley tinha menos homens, assim como nós, mas
Wellesley não deu a mínima para isso; ele sabia que a única coisa que importava
era a estratégia que deveria ser tomada; essa situação se aplica á nossa.
- aonde
você quer chegar com isso? – pergunta Gabriel.
- essa
casa é Waterloo, os zumbis são o exército de Napoleão e nós somos o exército de
Wellesley – fala Carlos – nós temos menos homens, mas temos algo que eles não têm;
temos raciocínio desenvolvido, logo, se fizermos uma armadilha boa, eles vão
cair feito patinhos, e se tivermos cuidado, poderemos limpar essa rua sem que
qualquer um de nós seja mordido.
- como
você faria isso? – pergunta Mariana.
- colocaria
um grupo de guarda e outro de ataque – fala Carlos.
- pode
funcionar – fala Gabriel – é só escolher o pessoal certo; no caso dos
atiradores, eu e mais alguns.
- tua
humildade é uma coisa assustadora – fala Mariana.
- só
temos um problema – fala Carlos – eu aposto que nem todos são bons de tiro, mas
são bons espancando, então alguns irão com armas brancas.
- você
fala como se fosse fácil – fala Alice.
- Alice,
não é preciso muita coisa pra matar um desses bichos, é só acertar na cabeça e
ver se o cérebro tá danificado suficiente – fala Carlos – além do que, serão 12
pessoas né?
-
enfim, já tá decidido, e vamos logo nos preparar pro combate – fala Gabriel.
Gabriel
e Alice se levantam do sofá e descem para o primeiro piso, onde se encontram
com Bruno, Lucas, Medeiros, Bruna e José.
-
pessoal, o Carlos decidiu que a gente vai limpar a entrada da casa – fala Gabriel.
-
quando? – pergunta Bruno.
- agora
– fala Alice.
- á
noite?! Ele tá fumando maconha é? – fala Medeiros.
- cara,
como ele deve ter pensado que essa multidão de zumbis não vai demorar muito
tempo pra derrubar os portões – fala Gabriel – então, é melhor fazermos isso
enquanto temos chance.
- o
Gabriel tá certo – fala Bruna – é bem mais fácil lutar enquanto dá pra se
movimentar, se eles entrarem aqui, estaremos num espaço minúsculo, vamos
tropeçar uns nos outros e acabaremos mortos na melhor das hipóteses.
-
porra... tá certo, vamos com tudo pra cima deles – fala Lucas.
- ótimo
– fala Gabriel – Lucas, Medeiros e José, vocês serão atiradores e vão ficar no
piso superior pra dar cobertura pra gente.
- mirem
na cabeça – fala Bruna.
Carlos
e Mariana estão no segundo andar, falando com os demais.
- muito
bem, Marcelo, tu é bom de tiro, então tu dá cobertura – fala Carlos – Ítalo,
Matheus, corpo-a-corpo. Fernanda e Saul, vocês... Vocês fiquem de olho na
porta.
- por
que a gente vai ficar de olho na porta? – pergunta Fernanda.
- você
consegue correr e acertar alguém na cabeça sem se cansar? – pergunta Mariana –
consegue acertar um cara na cabeça á uma distância de uns 10 metros?
- se
for a tua cabeça eu consigo – fala Fernanda.
Mariana
fecha a mão formando um punho e começa a andar em direção á Fernanda; Carlos
percebe o que vai acontecer e fica na frente de Mariana, impedindo-a de passar.
-
segura a onda aí – fala Carlos.
-
relaxa, eu só quero cumprimentar ela – fala Mariana.
- ah...
você quer cumprimentar alguém? Então cumprimenta seus vizinhos lá fora – fala
Carlos enquanto empurra Mariana para trás – cada um de nós, vivo e inteiro, são
2 braços e 2 pernas á mais, seja no combate ou em atividades secundárias.
- tá
certo, mas depois eu e ela vamos acertar isso – fala Mariana.
- cai
dentro – fala Fernanda.
Carlos
se afasta um pouco do grupo, andando em direção ao sofá, onde ele pôs seu
equipamento. Ele veste seu casaco, prende as machetes no cinto da calça, fecha
o zíper do casaco e desce as escadas, onde se reúne com o resto do grupo.
- muito
bem, temos 10 armas de paintball, 6 machetes, temos 2 machados de lenhador, 7
punhais, 15 facas de açougueiro, quase 600 bilas, 4 martelos, vários pregos,
uma escopeta calibre 12, de 2 canos, e 16 balas calibre 12, 2 pistolas 45 de
airsoft – fala José.
- meu
arco, 2 bestas e 60 flechas – fala Gabriel.
- qual
o plano? – pergunta Felipe.
- eu
pensei no seguinte: 6 protegem Waterloo, e 6 combatem direto os zumbis – fala
Carlos.
-
Waterloo? – pergunta Ítalo.
- é a
casa – fala Carlos – é que eu fiz uma comparação com a vitória do general
Wellesley, mas eu explico isso depois.
- eu
vou defender – fala Gabriel.
- eu e
o Matheus vamos atacar – fala Ítalo.
- eu e
o Medeiros vamos ao combate – fala Lucas.
-
ótimo, então equipe de ataque: eu, Lucas, Medeiros, Alice, Matheus e Ítalo.
Equipe de defesa: Mariana, Gabriel, Bruno, Marcelo, Bruna e Felipe. Saul e
Fernanda ficam com os serviços domésticos e médicos.
- por
que eu vou ficar no ataque? – pergunta Alice.
- por
que a Mariana tá com um corte na mão, logo, tem mais chances de ser infectada,
assim como eu e o Gabriel – fala Carlos.
- por
isso vocês evitam usar armas corpo-a-corpo né? – fala Bruna.
-
escolham suas armas – fala Carlos.
Lucas
pega uma arma de Paintball e um punhal, Medeiros pega uma besta e uma machete,
Alice pega uma arma de paintball e uma machete, Ítalo pega um machado, Mariana
pega duas machetes, Gabriel pega o arco e uma faca, Bruno pega um machado,
Marcelo pega uma arma de paintball, Bruna pega uma arma de paintball e um
punhal, Felipe pega a escopeta e uma faca de açougueiro, Carlos pega uma
pistola de airsoft e 2 machetes e José pega a outra pistola de airsoft e uma
faca de açougueiro. A equipe de ataque vai para a porta, fica de frente com o
portão que barra a entrada da enorme horda de zumbis, a equipe de defesa fica
no piso superior, mais especificamente na varanda que dá oferece uma vista
perfeita para a horda, ajudando e muito a acertar a cabeça dos inimigos. Carlos
é o primeiro a sair, seguido por Matheus, Medeiros, Lucas, Ítalo e por fim
Alice, que fecha a porta assim que passa. O grupo de ataque se aproxima do
portão.
- vamos
matar os que estão perto do portão, e descemos a rua – fala Carlos.
O grupo
começa a atirar, menos Matheus, Ítalo e Alice. Matheus não tem arma, Alice só
aponta a arma para o portão. A cada 4 tiros, Carlos erra 2, Lucas erra 3,
Medeiros erra 1. O número de zumbis diminui, agora devem ser um pouco mais de
25, talvez 30. Ítalo abre o portão e é o primeiro a sair, e consequentemente, é
o primeiro a começar a matar os zumbis que estão espalhados pela rua. Ítalo
acerta uma machadada bem no meio da testa do zumbi mais próximo; a carcaça
deformada e ensanguentada cai no chão feito um saco de batatas; Ítalo põe o pé
no rosto do zumbi e puxa o machado. Matheus passa correndo por Ítalo, e usando
a velocidade do corpo e sua força, acerta um chute na cabeça de um zumbi que ia
em direção á Ítalo; o zumbi cai no chão, e quando tenta se levantar, Matheus
segura no maxilar com a mão esquerda e segura atrás da cabeça com a mão
direita, e quebra o pescoço da criatura, que para de movimentar o corpo e passa
a movimentar somente o maxilar, enquanto tenta morder algo. Medeiros passa pelo
portão cautelosamente e começa a atirar nos zumbis que estão á uns 15 metros da
casa, o primeiro leva uma flechada no olho esquerdo, o segundo leva uma
flechada na testa, e o terceiro leva uma flechada na boca. Lucas passa pelo
portão e vira á esquerda, atirando nos zumbis vindos dos arredores; mas quando
ele mata os 2 primeiros, ambos com tiros na cabeça, um vem por trás e o agarra,
Lucas tenta se afastar mas o zumbi o segura com muita força, ele faz o possível
pra evitar a mordida.
-
Merda, merda, merda! – grita Lucas enquanto tenta se livrar do zumbi.
Medeiros
escuta o grito de Lucas, e no exato momento, ele se vira para trás e acerta uma
flechada na cabeça do zumbi; a flecha atravessa o crâneo e fica extremamente
próxima do rosto de Lucas; o zumbi o solta e cai no chão, Lucas se vira para
Medeiros e faz um sinal de “ok”, pega sua arma e volta a atirar nos zumbis.
Carlos passa pelo portão e segue em linha reta, atirando nos zumbis que se
aproximam lentamente e dando apoio á Medeiros. Alice passa pelo portão
lentamente e anda até o meio da rua; ela vê Lucas atirando nos zumbis, vê Ítalo
abrindo crâneos com um machado, vê Matheus quebrando pescoços com suas mãos, vê
Medeiros atirando nos zumbis com sua besta, vê Carlos ajudando Medeiros com uma
arma de airsoft. Ela começa a voltar para a casa, mas assim que ela passa pelo
portão, um zumbi que vinha do sentido leste a agarra; ela solta um grito bem
alto e cai no chão; ela enfia o cano da arma de paintball na boca da criatura e
fica empurrando, enquanto a criatura tenta se aproximar. Gabriel vê a cena e
acerta uma flechada na cabeça do zumbi, que estava sobre Alice. Outro zumbi,
vindo da mesma direção do que agarrou Alice, passa pelo portão da casa. Carlos,
que havia escutado o grito de Alice, retorna para a casa, ele mata os zumbis
vindos do leste, todos com tiros na cabeça. O zumbi que havia passado pelo
portão passa por Alice e chega á porta da casa. Fernanda, que estava assistindo
o conflito através da janela do quarto dos pais de Mariana e Felipe derruba um
pequeno vaso na cabeça do zumbi; o vaso é destruído no impacto e o zumbi cai no
chão. Mariana se aproxima da criatura, e ao se preparar para enfiar a lâmina da
machete na cabeça dele, o zumbi rapidamente a agarra na pera direita e a
derruba no chão; a machete cai longe, e a criatura tenta morder Mariana na
perna. Carlos passa pelo portão, e aponta a pistola para a cabeça da criatura,
mas ao apertar o gatilho, descobre que a arma está sem balas. Ele pega a arma
de Alice e acerta um balaço na nuca do zumbi, que para de se mexer. Mariana se
afasta do cadáver. Carlos ajuda a tirar o cadáver da criatura de cima de Alice,
a ajuda a levantar e lhe entrega sua arma. Ele segue andando calmamente até
Mariana. Assim que ele passa pelo cadáver, ele observa a expressão de Mariana,
que o encara.
- você
tá bem? – pergunta ele.
-
estou, estou... – fala ela.
Ele
estende a mão para ela, que segura à mão e se levanta. Carlos dá uma tapinha no
braço esquerdo de Mariana e retorna para frente da casa. Alice está parada no
portão, observando o cadáver do zumbi que a atacou.
-
Alice, olhar pra eles não vai adiantar de nada, então ou você entra na casa e
se protege, ou é melhor sair na rua e começar a mostrar serviço, ok? – fala
Carlos enquanto passa por Alice.
Gabriel
desce as escadas, passa por Mariana e vai até Alice.
- você
quer que eu fique no seu lugar? – pergunta Gabriel.
- não,
não... eu... eu consigo fazer isso – fala ela.
-
beleza, mas se precisar de um tempo, se não tiver se adaptado, podemos trocar
de equipe – fala Gabriel enquanto se escora no muro, do outro lado do portão.
Alice
respira fundo, passa pelo portão e aponta a arma para um zumbi, que está á uns
12 metros na rua da direita. Ela aponta a arma, mas o dedo do gatilho não
responde, não importa o quanto ela tente apertar o gatilho, o dedo não se mexe.
Lucas, Medeiros, Ítalo, Matheus e Carlos observam Alice; só sobrou um zumbi de
pé, os demais estão mortos ou inutilizados.
-
Alice, atira logo nesse merdinha pra gente acabar logo com isso – fala Ítalo.
- mata
logo ele – fala Medeiros.
- atira
– fala Lucas.
- anda
logo, Alice, acaba com o sofrimento dele de uma vez – fala Gabriel.
Na
varanda, de frente para a rua, a equipe de defesa está observando Alice.
- ela
não vai conseguir atirar – fala Bruna – eu a conheço.
- você
aposta quanto como ela vai atirar? – pergunta José.
- eu
aposto 50 paus como ela não vai atirar – fala Bruno.
-
aposta aceita – fala José.
- eu
entro nessa aposta também – fala Marcelo – ela não vai atirar.
-
maravilha, ganhei 100 paus sem fazer nada – fala José.
- e
você adora paus né? – fala Bruna.
- ó as
ideia, mente poluída – fala José.
Na rua,
o zumbi se aproxima cada vez mais. Carlos se aproxima, e se encosta-se a um
poste, á uns 3 metros de Alice.
- esses
malditos mataram seus amigos, seu namorado, sua família... Vão te matar se você
não fizer nada – fala ele.
Alice
não responde.
- ok,
você não vai agir né? – fala Carlos enquanto se afasta do poste e começa a
andar em direção á casa – alguém aí pode acabar com aquela coisa, por favor?
Matheus
corre em direção ao zumbi, e ao chegar bem perto da criatura, ele acerta um chute
no joelho do zumbi; o osso do joelho é quebrado e o zumbi cai no chão de
bruços. Matheus rapidamente fica atrás do zumbi, põe a mão esquerda no maxilar,
põe a mão direita atrás da cabeça do zumbi e quebra o pescoço da criatura.
Carlos, Medeiros, Lucas, Ítalo e Matheus voltam para a casa. Alice fica parada
na rua, observando o zumbi, mesmo com o pescoço quebrado, tenta morder alguma
coisa. Gabriel se aproxima dela.
- o que
houve? – pergunta ele.
- eu
não consegui puxar o gatilho, foi como se... Meu dedo estivesse... Morto – fala
ela.
- você
não matou nenhuma dessas criaturas ainda né? – fala ele – a primeira vez é
sempre a mais difícil, vai por mim; mas assim que você mata o primeiro, a
dificuldade vai diminuindo no decorrer do tempo, acredite.
-
espero que esteja certo – fala Alice.
-
acredite, eu sempre estou certo, agora vamos, antes que mais dessas coisas
apareçam e o Carlos faça a gente matar mais deles, vamos – fala ele.
Carlos
vai até Mariana. Os outros entram na casa.
- como
você está? – fala Carlos.
- eu
estou bem – fala Mariana – valeu pela ajuda.
-
então, como está sua mão? – fala ele.
- vai
ficar boa – fala ela – e o seu corte?
- vou
sobreviver – fala ele.
- como
foi a... Diversão? – pergunta ela.
- foi
boa, e foi frustrante ao mesmo tempo – fala ele.
- por
quê? – pergunta ela.
- matar
zumbis sempre foi; sempre é, e sempre vai ser divertido, e foi frustrante por
que eu esperava que a Alice matasse o zumbi, coisa que ela não fez – fala ele –
isso só serviu como outra confirmação de que eu espero demais das pessoas, o
que é um erro, esperar que elas façam aquilo que você faria.
- sim,
é um erro, mas matar é algo difícil – pergunta ela.
- só um
detalhe – fala ele – essas coisas já estão mortas, logo, só estamos acabando
com o sofrimento delas. Além do que, isso serviu como uma confirmação de que
posso confiar em algumas pessoas, incluindo você.
- ah...
Fico lisonjeada com o seu voto de confiança – fala ela.
- legal...
Eh... Vou dar uma volta pela rua – fala ele – ver quais lugares possuem
mantimentos e coisas do tipo.
-
hum... Você não vai sair por aí agora – fala ela – é muito arriscado.
-
acabamos de eliminar uma horda inteira – fala ele – andar pela rua e matar mais
alguns não vai ser tão difícil.
- nem
pensar – fala ela – pela manhã nós vamos.
- eu
sou o líder, certo? Quer dizer, os meus planos funcionaram até agora, certo? –
fala ele.
- não
se esqueça de que seus planos mataram boa parte do grupo original – fala ela - e
se continuar assim, vai matar o resto e á você mesmo.
- todos
vão morrer um dia, então por que razão ou motivo aparente eu teria medo de algo
que VAI acontecer mais cedo ou mais tarde? – fala ele.
- o que
você tá querendo? – fala ela – você quer se matar? É isso? Então por que não
pega a escopeta do Felipe, enfia o cano na boca e puxa o gatilho?
Mariana
se afasta de Carlos e segue para seu quarto. Matheus está assistindo um anime
no computador; um dos protagonistas do anime, uma moça de cabelos rosados, mata
várias pessoas e fica sorrindo, ela se diverte com as várias mortes que causa.
Matheus começa a sorrir. Felipe vai até Gabriel e Alice, que estão conversando
na sala do primeiro piso.
-
então, você lembra quando estávamos no shopping, e os zumbis entraram por uma
das portas do piso térreo? – pergunta Gabriel.
-
lembro, o Raphael e o Joanderson foram os primeiros a entrar em combate. Eu e a
Bruna fomos para trás do grupo – fala Alice.
-
lembra também de como o Angelo morreu? – pergunta Gabriel.
- sim,
ele foi cercado por um grupo de zumbis. Comeram ele até os ossos – fala Alice.
- na
verdade, ele foi mordido no ombro, aí ele veio pra cima de mim, gritando e
pedindo ajuda – fala Gabriel – como você sabe, o sangue atrai os zumbis, certo?
Tipo, o grupo quase todo tava morto ou sendo morto, aí eu empurrei o Angelo
para trás, pros braços do zumbi mais próximo, aí os demais se juntaram e
comeram ele, ai a gente conseguiu correr.
- você
é um otário, sabia? Mas se bem que o Angelo merecia morrer daquele jeito – fala
Alice – depois de uns 2, 3 anos dele torrando minha paciência, eu teria feito o
mesmo.
Felipe
se senta na poltrona, á esquerda de Gabriel, e observa os 2 conversando.
- quem
não deveria ter morrido naquele lugar? – pergunta Gabriel.
-
Raphael, Joanderson, Daniel, Alex... Só lembro-me desses – fala Alice – o Alex
foi o primeiro a morrer, né? Um zumbi gordão caiu em cima dele, e os demais o
cercaram; o Angelo foi inventar de usar um machado e acertou o Daniel no
pescoço, que caiu no chão e virou mais uma vítima; o Raphael e o Joanderson,
que provavelmente morreram lutando.
- gente
que não deveria ter morrido morreu, e gente que deveria ter morrido também
morreu – fala Gabriel.
- de
que shopping vocês estão falando? – pergunta Felipe.
-
esquece – responde Alice – falamos apenas de um lugar no qual passamos a
primeira noite lá, ontem dormimos num bar, e aqui estamos.
- eu
ouvi que vocês perderam amigos, como foi? – pergunta Felipe.
- nós
acabamos de dizer – fala Alice.
- não,
como vocês se sentiram no momento exato – fala Felipe.
-
inúteis – fala Alice.
- fraco
– fala Gabriel.
- eu...
Matei minha namorada, matei meus amigos – fala Felipe, enquanto limpa uma
pequena lágrima – eles haviam se transformado bem na minha frente, eu fiquei em
pânico; estávamos nessa sala, eles estavam vindo em minha direção, eu pequei a
arma, apontei para a cabeça do meu melhor amigo, e apertei o gatilho da escopeta.
Felipe
olha para o tapete manchado de sangue.
- a
cabeça dele explodiu como se fosse uma melancia – fala Felipe – fiz a mesma
coisa com os demais. Foi... Algo que nunca esperei fazer.
- eu
sinto muito pelo que houve – fala Alice.
- todos
nós perdemos pessoas importantes em nossas vidas, e graças á esse apocalipse –
fala Gabriel – as pessoas que amávamos tentaram nos matar, e alguns de nós
tiveram que mata-los.
Carlos
vai até o quarto de Mariana, bate á porta. Alguns segundos depois Mariana abre
a porta.
- o que
você quer? – pergunta ela.
- você
tem um celular ou ipod que possa me emprestar? – pergunta Carlos.
- tenho
– fala ela.
Mariana
se vira e anda até uma mesa no interior do quarto. Carlos observa uma pequena
parte do quarto dela. Mariana volta para a porta e entrega o celular junto com
os fones de ouvido e fecha a porta. Carlos põe os fones nos ouvidos, acessa a
biblioteca musical do celular e procura alguma música que o agrade. Ele se vira
e observa uma mesinha de centro, com algumas fotos em cima; ele se aproxima
mais e observa as fotos de Mariana e de Felipe junto de seus pais. Carlos acha
uma música que gosta, põe para tocar e canta alguns trechos enquanto começa a
andar pela casa e a observar os demais.
- hey,
hey, hey, hey, hey stoopid – canta Carlos enquanto anda pelo corredor – hey
bro’, take it slow, you ain’t linvin in a vídeo... You’re flying low in a high
velocity... No doubt, you’re stressing out... That ain’t what rock and roll’s
about... Get off that one way trip down lonely street...
Bruno,
Bruna, Marcelo e José estão na varanda; Marcelo fica girando uma caneta nos
dedos, José fica limpando sua arma de airsoft, Bruno fica observando a rua,
Bruna fica jogando no celular. Lucas e Medeiros estão prestando atenção no que
é dito na televisão, especialmente nos jornais. Medeiros, além de observar a
televisão, observa em um mapa o caminho até o porto do Pecém, onde será a
evacuação dos sobreviventes. Saul e Fernanda estão na cozinha, recolhendo
mantimentos, facas, e outras coisas úteis. Fernanda pega tudo que comida
enlatada: milho, feijão, carne, etc. Saul pega tudo possa ser usado contra os
zumbis, como facas, garfos, etc. pouco tempo depois, a maioria dorme; alguns
dormem na sala da televisão, outros dormem no quarto dos pais de Mariana e
Felipe. Lucas, Medeiros e Bruno ficam de vigia. Algumas horas depois, ás
06h45min, Felipe acorda, e começa a acordar os demais. Mariana, assim que
acorda, segue direto para o banheiro, e a primeira coisa que ela faz, é se
olhar no espelho; e alguns segundos depois ela toma um banho. Alguns minutos
depois, o grupo já está com o material pronto, e se preparando para sair.
Carlos já está com suas armas prontas, e observando o movimento na rua, ou
nesse caso, a falta de movimento na rua. Mariana se junta á Carlos.
- como
está o movimento? – pergunta ela.
- está
em falta – responde ele ao olhar para ela – belas roupas.
- valeu
– fala ela.
- ei
Carlo, dá uma ajuda aqui – fala Felipe de dentro da casa.
- volto
já – fala ele enquanto começa a andar em direção á Felipe.
- não
demora muito... Temos que sair cedo daqui – fala ela.
Ítalo,
Gabriel e Lucas estão conferindo as últimas notícias na televisão:
- aos
sobreviventes que ainda estão presos nas cidades atingidas pela praga,
estaremos exibindo uma lista de lugares de evacuação – fala o âncora do jornal
– sigam para o centro de evacuação de sua devida cidade.
Uma
lista contendo alguns lugares em algumas cidades é exibida, e como visto na
internet, o centro de evacuação de Fortaleza é no Porto do Pecém.
-
lembrando; as evacuações ocorrerão no mesmo dia e no mesmo horário; em 2 dias e
exatamente ás 12h00min – fala o âncora.
Gabriel
desliga a televisão, e os 3 juntam-se ao grupo, que está reunido no portão da
casa. Carlos, Mariana, Felipe e Medeiros estão á frente, abrindo os portões e
guiando o grupo pelas ruas, que fedem demasiadamente devido aos vários
cadáveres apodrecendo. Enquanto andam pela rua, Saul vai até Carlos e Mariana.
-
então, o Gabriel falou que temos 2 dias de espera ainda – fala Saul.
- 2
dias? Puta que pariu... Vamos ter que nos segurar lá durante 2 dias, mas que
merda – fala Carlos.
- podia
ser pior – fala Mariana.
Quando
Mariana termina de falar, enquanto estão num cruzamento, um caminhão tanque vem
muito rápido na direção deles.
-
cuidado! – grita Carlos enquanto puxa Mariana e Saul para frente.
O resto
do grupo volta, e o caminhão passa direto e bate num poste, que cai em cima do
tanque, que vaza gasolina pelo asfalto; o motor do caminhão começa a pegar
fogo, e a gasolina entra em contado com o fogo, causando uma grande explosão.
Felizmente, tanto o trio quanto o grupo já estão bem afastados, e infelizmente,
o grupo está dividido. Carlos fica próximo aos escombros, falando com os
demais.
- estão
todos bem? – pergunta Carlos.
- sim,
e vocês? – pergunta Medeiros.
- de
boa, sigam para o porto, a gente se encontra lá – fala Carlos.
- não
era melhor a gente se encontrar num lugar mais próximo não? – pergunta
Medeiros.
- a
explosão atraiu zumbis, eles vão nos seguir, então é melhor que seja num lugar
bem longe daqui – fala Carlos.
- você
é que manda – fala Medeiros.
- fica de
olho no celular, vamos nos comunicar por ele – fala Carlos – agora vão.
O grupo
maior começa a andar em outra direção, o trio mantém o caminho pelo qual estava
seguindo. Algumas horas depois, o grupo grande chega á uma delegacia,
aparentemente vazia.
- pessoal
atenção – fala Gabriel num tom de sussurro enquanto as pessoas se aproximam
dele – eu e o Lucas vamos verificar, e se der certo, passaremos a noite aqui.
- e se
não der? – pergunta Alice.
- então
vamos achar outro lugar, ok? – fala Gabriel – Lucas, vamos.
Gabriel
e Lucas entram na delegacia enquanto os demais se escondem dentro de carros. Gabriel
segue na frente, pronto para acertar uma flechada em quem aparecer na frente,
Lucas vem logo atrás, preparado para usar sua arma de paintball. Gabriel e Lucas
verificam cada centímetro da delegacia, sem sinal de zumbis, nem de policiais
ou prisioneiros, tudo limpo. Lucas vai até a porta e chama os demais fazendo
gestos com as mãos, o grupo entra na delegacia, e se trancam no lugar. O grupo
encontra armas e munições, as armas mais comuns são pistolas 9 mm e escopetas
calibre 12. O grupo grande está seguro, já o trio não; Carlos, Mariana e Saul
estão andando pelas ruas aparentemente desertas.
- cara,
preciso mijar – fala Saul.
- tem
um restaurante ali – fala Mariana apontando para um restaurante do outro lado
da rua.
O trio
entra no restaurante. Somente Saul vai ao interior do lugar, Carlos e Mariana
ficam na porta, esperando.
- já tá
meio tarde – fala Mariana – temos que achar um lugar pra passar a noite.
- minha
casa fica aqui perto, são só algumas ruas – fala Carlos – a gente chega lá
antes de escurecer.
- isso
é bom – fala Mariana.
- tá
mais calma agora? – pergunta Carlos.
Assim
que Carlos termina de falar, Saul grita. Tanto Carlos quanto Mariana, ambos correm
em direção ao banheiro, e quando entram, veem um zumbi morder Saul no ombro
direito. Mariana saca um dos facões e o arremessa na cabeça do zumbi,
matando-o. Carlos se aproxima de Saul.
- puta
que pariu, ele te pegou de jeito hein? – fala Carlos – como que você deu um
vacilo desses?
- eu
nem ouvi o filho da puta chegando, quando senti a mordida foi que eu percebi –
fala Saul.
- merda
– fala Mariana – Carlos, você sabe o que temos que fazer.
- não!
– fala Carlos – você não vai matar ele.
-
Carlo, ela tá certa, acaba logo com isso – fala Saul – eu não quero virar um
filho da puta que nem esse veado. Além do que, eu faria o mesmo por você.
Uma
pequena lágrima desce pelo olho direito de Carlos, ele respira fundo.
- tá
certo, mas eu farei isso – fala Carlos - e do meu jeito.
Os 3
saem do restaurante e tornam a andar pelas ruas. Saul cobre o ferimento com uma
parte de seu casaco. Alguns minutos depois, eles chegam á casa de Carlos, um
lugar grande com enormes muros brancos. Os 3 ficam próximos ao portão.
-
certo, o portão tá fechado, quer dizer que não tem muitos deles dentro do
terreno – fala Mariana – você tem a chave?
Carlos
fica estático, olhando para o vazio.
-
Carlos! – fala Mariana.
Carlos
desperta e olha para ela.
- o
que? – pergunta ele.
- você
tem a chave do portão? – pergunta ela.
- não,
você vai ter que pular o muro e abrir por dentro – fala ele – vem, eu te dou
pézim.
Carlos
ajuda Mariana a pular o muro, que tem 3,5 metros de altura. Ela entra no
terreno, dá uma rápida olhada, não vê um único zumbi ou ser vivo, então ela
abre o portão, Carlos e Saul entram, e assim que eles passam pelo portão, ela o
fecha novamente. Carlos os guia para a casa de sua avó, que fica no segundo
andar do enorme duplex, bem em frente á garagem com 6 caminhões parados. Eles
ficam na sala da televisão.
-
Mariana, fique aqui, de olho nas portas e janelas – fala Carlos enquanto anda
em direção á cozinha.
- aonde
você vai? – pergunta ela.
- pegar
a arma – responde Carlos.
Carlos
vai até a cozinha, desce as escadas que dão acesso á um pequeno quarto que por
sua vez dão acesso á casa de sua bisavó e á casa de seu pai, que fica embaixo
da casa de sua avó. Carlos desce os 3 degraus que dão acesso á casa de seu pai
e vai até o quarto. Ele passa pela porta e vê seu um revolver calibre 38 no
chão, bem próximo á porta, ele pega a arma, puxa o chão e entra no quarto, e
assim que ele entra, ele vê seu pai de joelhos, chorando, coberto de sangue e
com uma mordida enorme no braço esquerdo.
- pai?
– fala Carlos.
Seu pai
olha para ele e vai ao seu encontro. Ele abraça Carlos como nunca tinha
abraçado antes, e chora inconsolavelmente. A cabeça dele está encostada na
cintura de Carlos. O jovem respira fundo, encosta o cano da arma na cabeça de
seu pai, e aperta o gatilho. A bala atravessa a cabeça do homem e fica presa no
chão. O corpo do pai cai no chão como se fosse um saco de batatas. O tiro
provocou um jato de sangue que sujara parte da calça e a bota direita de
Carlos. O jovem simplesmente coloca arma na cintura e volta para a sala onde
Mariana e Saul estão, e quando ele chega á sala, suas mãos tremem sem parar.
- o que
foi aquele disparo? – pergunta Saul.
- uma
coisa que eu tinha que fazer – responde Carlos.
Carlos
se aproxima de Saul e o abraça uma última vez, então ele pega a arma, aponta
para a cabeça de Saul, e puxa o cão. Sua mão direita treme, ele não consegue
uma mira boa. Mariana percebe e segura na mão dele, fazendo a tremedeira parar.
Ele olha para ela, ela sacode a cabeça para cima e para baixo. Ele torna a
olhar para Saul, que faz o mesmo, então ele puxa o gatilho. A bala fica alojada
na cabeça. Mariana verifica se Saul ainda respira; nada.
- ele
tá morto-morto – fala ela.
Carlos
coloca a arma na cintura e anda em direção á um quarto que fica em frente á
cozinha do segundo andar. Ele pega uma coisa grande enrolada num tapete velho,
pega uma caixa de papelão pequena e abre a última gaveta do guarda-roupa e tira
outro revolver, menor que o que está em sua cintura e junto do revolver, uma
caixa de papelão menor que a primeira. Mariana entra no quarto e pega o
revolver pequeno.
- esse
meu né? – pergunta ela enquanto verifica as condições da arma.
Carlos
fica calado enquanto desenrola o tapete velho. Ao desenrolar o tapete, ele
revela uma Ithaca m37 calibre 12, em condições de uso e em tamanho
original.
- que
massa – fala ela olhando para a arma.
- o
prata é teu, o preto e a Ithaca são meus – fala Carlos.
-
beleza – fala ela – tem alguma coisa pra comer?
- a
dispensa é do lado da geladeira – fala Carlos.
Mariana
coloca o revolver na cintura e vai até a dispensa. Carlos verifica se a
escopeta está limpa, e está, pois seu falecido avô era fanático por aquela arma
em especial, e ele se lembra disso. O avô de Carlos morreu dois anos atrás, mas
Carlos, sempre que podia, limpava as armas que seu avô tanto amava. Mariana
volta para o quarto comendo um biscoito.
-
então, como você se sente? – pergunta Mariana.
Carlos
suspira.
- feliz
pelo Saul – fala Carlos – os problemas dele acabaram, ele não tem que se
preocupar com mais nada, e triste por que eu nunca mais irei vê-lo.
- vai
sim – fala Mariana – vocês vão se ver no paraíso.
- eu
não acredito em Deus – fala Carlos.
- por
quê? – pergunta Mariana.
- não
quero falar disso – responde ele – tô com fome. Vou preparar um sanduíche, e
depois preparar as coisas pra amanhã.
-
beleza – fala ela.
O trio
se tornou uma dupla. Já o grupo maior, que se esconde na delegacia, está
reunido na entrada da delegacia, após terem feito uma barricada em cada porta,
eles finalmente descansam, e já está de noite. José verifica as armas que
encontraram; 5 escopetas, 7 pistolas, 9 revolveres, 6 cassetetes. Medeiros
conta as munições encontradas; 60 balas de escopeta, 90 balas de pistola, 54
balas de revolver e 9 pentes para munições de pistola.
-
então, Gabriel, vamos continuar seguindo a pé, ou vamos pegar um carro pra ir
pro porto? – pergunta Alice.
- de
carro, apesar de que há um risco de chamar a atenção dos infectados que estão
por perto do porto – fala Gabriel – pessoal, durmam cedo, por que amanhã a
gente vai sair cedo.
O grupo
dorme. Já a dupla ainda prepara seus equipamentos. Mariana prepara o jantar,
enquanto que Carlos serra o cano e a coronha da Ithaca com uma serra tico-tico
que era de seu primo mais velho. Mariana põe 4 sanduíches de queijo na mesa e
sai da cozinha andando em direção á Carlos, que está na garagem dos caminhões
serrando o cano da arma. Quando ela o vê, segue em sua direção.
-
Carlo, o jantar tá pronto – fala ela.
Ele não
parece escutar então ela vai até ele.
-
Carlos – fala ela.
Quando
ela chega a ele, o cano da escopeta cai no chão, então ele desliga a serra e
pega a escopeta.
- lol,
não sabia que você entendia dessas coisas – fala ela.
- é,
bom, desde que eu era um pirralho fedido, meu avô sempre me ensinou coisas
sobre armas, facas e ferramentas – fala ele – vovô sempre me disse: “respeite
as ferramentas com as quais você trabalha, seja uma chave inglesa ou um rifle
automático d assalto calibre 7,62”.
- seu
avô parece ser um homem sábio – fala ela.
-
hum... Meu avô era um perfeito canalha bêbado – fala ele - mas com certeza
entendia de armas.
- vamos
jantar? – fala ela.
- vamos
– fala ele.
Os 2
seguem para a cozinha. Durante o jantar, Carlos puxa um celular do bolso, não é
o de Mariana, e começa a escutar música.
- você
parece quase feliz – fala ela.
- eu
deveria estar triste pelo Saul? Sim, com certeza – fala ele – mas isso seria
egoísmo de minha parte, além do que, eu tenho maiores problemas e maiores
preocupações no momento.
- você
é a primeira pessoa que pensa assim – fala ela.
- eu só
penso que ficar triste por uma pessoa que já morreu é besteira, quer dizer,
você, eu vamos morrer um dia, assim como todo e qualquer ser vivo do planeta –
fala ele – então por que ficar triste quando esse fato natural da vida acontece
com as pessoas? Quer dizer, é que nem defecar; todo mundo defeca, é natural,
assim como todo mundo morre.
- e o
cara era teu amigo né? – fala ela.
Carlos
sorri.
- durma
cedo, vamos sair cedo amanhã – fala Carlos enquanto se levanta da cadeira e
segue para o quarto de sua avó.
A dupla
dorme separada. Nam manhã seguinte, o grupo de Gabriel acorda ás 06h00min,
junta o material, pega um ônibus e segue para o porto, Gabriel dirige durante o
percurso.
- será
que o Carlos, a Mariana e o Saul tão vivos? – pergunta Medeiros.
- sei
lá, liga pra eles – fala Gabriel.
Medeiros
pega o celular de Gabriel e liga para Mariana. O celular começa a tocar,
acordando Mariana.
- alô –
fala ela, acabando de acordar.
- que
bom que estão vivos! – fala Medeiros.
- bom,
nem todos – fala Mariana – o Saul morreu.
- puta
que pariu – fala Medeiros – foi rápido pelo menos?
- foi –
fala ela.
- certo,
estamos indo pro porto, encontramos vocês lá, ok? – fala Medeiros.
- ok –
fala ela.
Medeiros
desliga o telefone. Mariana se levanta da cama e olha pela janela; ela vê
Carlos cavando um buraco perto da garagem, ao lado de 2 corpos. Ela vai até
ele.
- bom
dia – fala ela.
- bom
dia – fala ele.
- vai
enterrar o Saul? – pergunta ela.
- não,
meu pai – fala ele – o Saul vai receber outro tratamento funerário.
Carlos
aponta para um balde cheio de combustível. O buraco tem espaço suficiente para
enterrar o corpo do pai, então Carlos para de cavar, põe a pá encostada no muro
e empurra o corpo de seu pai para dentro do buraco. Mariana apenas observa
enquanto ele enterra o corpo do pai, e molha o corpo do melhor amigo com
gasolina. Ao término de molhar o corpo, ele pega uma caixa de fósforos e toca
fogo no corpo.
- por
que você cremou o Saul e enterrou seu pai? – pergunta Mariana.
- por
que eu respeitava o Saul e tinha pena do meu pai – fala Carlos.
- pena?
– pergunta Mariana.
- é –
responde Carlos – ter pena de uma pessoa é o atestado de que você acha aquela
pessoa uma perfeita irresponsável... E era isso que eu sentia pelo meu pai.
Um
telefone começa a tocar; Carlos enfia a mão no bolso, tira o celular de seu
falecido pai, e atende.
- alô –
fala Carlos.
- bora
Carlo! – fala a voz vinda do outro telefone – como é que tu tá, véi?
- quem
é? – pergunta Carlos.
- pô
cara, valeu por reconhecer – fala a voz.
- fala
logo quem é; porra – fala Carlos.
- aqui
é o Eduardo, veado, teu amigo de infância – fala a voz.
- ah...
Edu – fala Carlos – como é que tu tá, brô?
- de
boa, dadas às circunstâncias né? – fala Edu – e tu? Como é que tá teu velho?
- meu
velho morreu, e eu tô saindo fora da cidade – fala Carlos - e tu?
- cara,
eu e meus camaradas pensamos nisso, mas vamos precisar de reforço casca grossa,
tá ligado? – fala Edu – o que tu acha? Quer se juntar á nós?
- cara,
eu tenho um grupo de unas 14 pessoas, mas tô meio separado deles, por que tu
não se junta á nós? – fala Carlos.
-
depende, quem é o líder do grupo? – pergunta Edu.
- tá
falando com ele – fala Carlos.
- ah
garoto! – fala Edu – formou! Onde que tu tá agora?
- em
casa, mas já tô de saída – fala Carlos – tô indo por porto do Pecém.
- ah,
tá ligado nos jornais né safado? – fala Edu – beleza, tu ainda lembra do
estúdio do Russo? Sabe, aquele que eu tentei te ensinar a tocar?
- tô
ligado, sei onde é – fala Carlos – a gente vai se encontrar lá?
- bom,
eu já tô aqui, tô esperando – fala Edu.
-
beleza, tô indo – fala Carlos.
- não
demora – fala Edu.
Edu
desliga o celular. Carlos guarda o celular no bolso.
- o que
foi isso? – fala Mariana.
- um
camarada meu tá vivo, e com um grupo de sobreviventes – fala Carlos - a gente
vai se reunir num estúdio aqui perto.
- ele é
confiável? Sabe lutar? – fala Mariana.
- sim,
é confiável – fala Carlos – e sim, ele sabe lutar. Tu vai merendar e eu vou
buscar o material.
- tu
não vai merendar? – pergunta Mariana.
- já
merendei, e já preparei a tua – fala Carlos - tá em cima da mesa, perto do
café.
- você
fez a merenda? – pergunta ela.
- bom, eu
tava desocupado, não consegui dormir mais do que 6 horas e ficava pensando no
que houve ontem, aí eu tomei 3 latas de nightpower e aqui estou – fala ele.
- ok,
você tá bem ligado, né? – fala ela – tô indo merendar.
O grupo
de Gabriel chega ao porto. O ronco do motor do ônibus cessa. Todos focam seus
olhares na estrutura de concreto posta na frente do ônibus. O lugar está em
perfeitas condições, aparentemente. Gabriel estrala os dedos, chamando a
atenção do grupo, e aponta para Medeiros e Lucas, e aponta para os portões do
porto. Os 2 descem do ônibus e seguem até o portão do porto; o lugar está
intacto, nenhum sinal de mortos vivos nem de refugiados. Lucas faz sinal,
Gabriel liga o motor do ônibus, e dirige até a entrada do complexo, onde ficam
os escritórios e salas de reunião. Gabriel desce do ônibus, seguido pelo resto
do grupo, menos por Fernanda, que permanece dentro do ônibus, e ninguém percebe
que ela ficou para trás. Medeiros e Lucas se reúnem com o grupo. Todos deixam
suas mochilas dentro do ônibus, só carregam armas. Carlos e Mariana pegam suas
mochilas e seguem para o estúdio, onde se reunirão com Edu e seu grupo. São
exatamente 12h02min quando Carlos e Mariana chegam ao estúdio. Ao passarem pela
porta de vidro, os 2 veem um sujeito de aparentes 1,80 metros vestindo um
macacão da aeronáutica, usando luvas pretas, coturnos, casaco preto e sentado
na cadeira do recepcionista, com as pernas esticadas e em cima da mesa,
escutando músicas no celular e comendo uma maçã. Carlos para e fica frente á
frente com o sujeito. Mariana fica parada ao lado de Carlos.
- você
demorou – fala o sujeito.
- se eu
tivesse vindo de carro teria sido pior – fala Carlos.
- eu
sei, teria chamado a atenção dos veados que estão por aí sem nada pra fazer, tô
ligado – fala o sujeito enquanto se levanta da cadeira e vai até Carlos – bom
te ver brô.
Edu e
Carlos se abraçam.
- você
não mudou nada hein? – fala Carlos - o mesmo folgado de sempre.
- é
como dizem: pau que nasce torto nunca se endireita – fala Edu.
- á
propósito, Edu, essa é a Mariana, e vice versa – fala Carlos.
- e aee
– fala Edu estendendo a mão para Mariana.
- oi –
fala Mariana apertando a mão de Edu.
-
então, cadê teu grupo? – fala Carlos.
- tão
esperando a gente com a Cristine – fala Edu.
- lol,
teu pai te deixou andar com a Cristine? – pergunta Carlos, surpreso.
- claro
que não, mas vendo talvez ela nunca mais tenha a oportunidade de dar uma volta
então, eu a trouxe – fala Edu.
- lol,
vamos logo – fala Carlos – quero cumprimentar a dama.
-
sabia... Vamos – fala Edu começando a andar em direção á porta que está atrás
de Carlos e de Mariana – a dama tá na outra rua, só esperando a gente.
Os 3
andam até a outra rua, e veem Cristine, parada, só esperando.
-
Cristine, meu amor, você tá do jeitinho que a gente te deixou á 3 anos atrás –
fala Carlos.
Enquanto
que Carlos e os demais partem em direção ao porto, Gabriel e seu grupo já estão
vasculhando o lugar. Eles andam agrupados, bem próximos uns dos outros. Eles
chegam ao pátio de cargas, e andam por entre as grandes caixas de metal
espalhadas pelo lugar. José se aproxima de Gabriel.
- cara,
tô com um mau pressentimento – fala José num tom de sussurro.
-
besteira – fala Gabriel – o lugar tá intocado. Já encontramos algum inimigo?
Não, então relaxa.
Assim
que Gabriel termina de falar, uma das enormes caixas de metal se abre, e de
dentro saem vários zumbis, que ao fazerem barulho, alertam os outros vários
espalhados no outro lado do pátio. O grupo de Gabriel fica cercado.
- subam
nas caixas! – grita Marcelo enquanto sobe rapidamente numa das caixas
metálicas.
Marcelo
fica deitado sobre a gigantesca caixa metálica e ajuda os demais a subirem, mas
quando Lucas, o último a subir, agarra a mão de Marcelo, um zumbi o agarra e o
morde no pescoço. Outros zumbis agarram Lucas, Marcelo é obrigado a largar a
mão de Lucas, que vai ao chão e seu corpo é destroçado por alguns zumbis. Seus
gritos ecoam pelo lugar.
- puta
que pariu! – grita Gabriel.