Capítulo três: Gemidos Na Escuridão.
Eles olham para
a rua e veem vários carros destruídos, vários pedaços de pessoas espalhados
pelo chão, muitos litros de sangue colorem a rua. O grupo anda lenta e
silenciosamente por entre os vários pedaços de corpos e carros destruídos,
tanto o cheiro quanto a imagem dos inúmeros pedaços de seres humanos incomoda
muito o grupo, principalmente os mais sensíveis. Alguns põem a mão na boca para
não vomitar, como Alice, Larissa e Fernanda, outros só desviam os olhares, como
Elvis, George e Medeiros, já outros, mais frios, simplesmente passam por entre
as entranhas podres espalhadas pela rua como se na realidade só fossem sacos
fedorentos de lixo podre, nesse caso, pessoas como Gabriel, Mariana, Carlos e
Saul são os únicos a não demonstrar qualquer reação, seja de tristeza, como
Alice, ou de euforia, como Ítalo, o único membro do grupo que demonstra certo
apreço pelo que os zumbis fizeram. Por mais estranho que pareça, os zumbis não
estão em grande número nas ruas. Após algumas horas andando, já são 17h23min.
Carlos olha para o relógio, e olha para o céu, o sol já está começando a se
por, e não há nenhum abrigo seguro nas proximidades. Carlos vê um bar do outro
lado da rua, aparentemente vazio. Ele faz um sinal de pare com a mão esquerda,
se vira e Mariana, Ítalo, Gabriel e Medeiros se aproximam.
- certo, Ítalo,
você fica e evita que o grupo faça barulho – fala Carlos num tom de sussurro –
Mariana, Gabriel e Medeiros, vocês vêm comigo pra garantir que esse lugar está
limpo. Entenderam?
- beleza – fala
Ítalo.
- tá certo –
fala Medeiros.
Carlos vai à
frente, ele entra no bar e vê sete mesas, todas com quatro cadeiras amarelas e
toalhas vermelhas cobrindo as mesas, vê vários pôsteres de mulheres peladas nas
paredes brancas, vê uma imensa poça de sangue que toma conta do chão logo na
entrada do bar; ele se vira para a direita, e vê o balcão do bar, dois zumbis
tentando invadir um cômodo atrás do balcão; ele se vira para o lado esquerdo, e
vê somente uma das paredes do bar. Carlos sinaliza para os outros três, que
entram no bar e vêm a cena: um dos zumbis que tenta arrebentar a porta está com
uma Machete enfiada na região do peito, a lâmina da machete atravessa o corpo
dele, o outro possui vários buracos nas costas, e é possível ver alguns ossos
dele. Carlos e Mariana seguem pela direita do balcão, Gabriel e Medeiros seguem
pela esquerda. Gabriel carrega uma faca de açougueiro, Medeiros carrega um
punhal. Carlos carrega sua machete e Mariana carrega sua katana. Carlos se
aproxima do zumbi da direita e acerta-lhe um golpe na nuca, matando-o
instantaneamente. Gabriel acerta uma facada na cabeça do zumbi da esquerda,
também o matando. Tanto Gabriel quanto Carlos seguram os corpos dos zumbis,
impedindo que os corpos façam barulho ao atingirem o chão. Eles deixam
lentamente os corpos dos zumbis tocarem o chão. Carlos observa que o zumbi que
Gabriel matou está com uma machete enfiada no peito, ele se aproxima e puxa a
machete, a lâmina está completamente ensanguentada. Gabriel bate á porta, onde
os zumbis estavam tentando entrar. Ele não escuta um único barulho vindo de
dentro do cômodo, então fala em voz baixa.
- tem alguém
aí? – pergunta Gabriel.
- Gabriel? É
você? – pergunta uma voz extremamente baixa vinda do outro lado da porta.
A porta se
abre, e saem três pessoas de dentro, são Marcelo, Elvis e Bruna.
- como vocês
chegaram aqui? – pergunta Gabriel.
- durante a
invasão do shopping á noite – fala Elvis.
- quem correu
primeiro? – pergunta Carlos.
- foi o
Marcelo, mas a gente não tinha armas, então nos abrigamos aqui – fala Bruna.
- hum...era de
se esperar – fala Gabriel.
- há mais algum
zumbi aqui? – pergunta Mariana.
- não, eram só
esses – fala Elvis.
- beleza, vou
chamar os outros – fala Carlos.
Ele se afasta
do grupo, vai até a porta do bar, e chama os demais, que entram rápida e
silenciosamente e fecham as portas. O fedor das orelhas e narizes decepados toma
conta do lugar. Carlos e Lucas levam os cadáveres para o lado de fora do bar e
os deixam encostados á parede do lado direito da porta, entram e trancam a
porta, até colocam algumas mesas na frente da porta, criando uma barricada. Eles
sobem para o segundo andar do bar, onde fica o armazém de bebidas e alimentos.
- muito bem,
quantos estão presentes aqui? – pergunta Carlos.
- 28 – responde
Mariana.
- certo, o
negócio é o seguinte – fala Carlos – minha função não é ser pai ou mãe de
ninguém, muito menos chefe, então, podem ir embora à hora que quiserem, mas eu
lhes asseguro que viver sozinho numa cidade infestada de zumbis não é uma boa
ideia, porém, se decidirem ficar, vai ser do meu jeito. A palavra final é
minha. Se seguirem as minhas... Sugestões ficarão vivos para saírem da cidade.
Eis como serão as coisas: seremos divididos em 3 grupos, batedores, coletores e
vigias. Os batedores, um grupo de no máximo 4 pessoas, irão se aventurar pelas
ruas ao redor para verificar o nível “populacional” da área e verificar em
quais lugares há maior segurança, alimentos, armas, outros sobreviventes e
coisas do tipo. Os coletores, um grupo formado por no máximo 10 pessoas, serão
responsáveis pela coleta de armas, alimentos e resgate de pessoas. E por fim,
os vigias, serão os que tomarão conta do abrigo, esse grupo não possui número
máximo. Hoje, como temos mantimentos, armas e aparentemente um lugar seguro,
somente o grupo de vigias irá trabalhar. De preferência, os que dormiram bem
noite passada e que estão em boas condições mentais, emocionais e físicas. Quem
se habilita?
Um grupo de 5
pessoas vai até Carlos.
- eu – fala
Ítalo – o Lucca, o Matheus, o José e a Alice ficaremos de vigia.
Carlos olha
para o grupo e vê que Alice está com muito sono e aparentemente abatida pelas
mortes de Raphael e de Joanderson.
- aprovados
você, o Lucca, o Matheus e o José, mas a Alice não está em boas condições para
vigiar á noite – fala Carlos – escolha mais uma pessoa.
- eu fico de
vigia – fala Lucas.
- beleza então
– fala Carlos – vocês 5, de vigia, os demais, podem ir se preparando para
dormir e descansem bem por que amanhã vai ser pesado. Dispensados.
Carlos se
afasta um pouco do grupo e vai até uma das janelas, ver como está a cidade, e o
que ele vê é um cenário de caos: focos de incêndios espalhados pelos prédios e
casas, carros destruídos, ruas manchadas de sangue e consegue perceber as
silhuetas dos mortos, sempre espreitando, sempre procurando algo para devorar.
Saul se aproxima do amigo.
- tá pensando
no que? – pergunta Saul.
- em no que
fazer amanhã – fala Carlos.
- bom, o mais
óbvio seria sair da cidade – fala Saul.
- mas é
praticamente impossível sairmos sozinhos – fala Carlos – além do que, o governo
deve estar resgatando as pessoas.
- cara, a gente
tá no Brasil – fala Saul – além de ser um lugar desorganizado pra caralho, o
governo tá cagando pra gente aqui no Nordeste.
- eh...você tem
razão nesse ponto – fala Carlos – mas lembre-se de que o Brasil faz parte da
ONU, e que com certeza ou a ONU tá fazendo os resgates sozinha ou está forçando
o governo Brasileiro a fazer isso. De um jeito ou de outro, vamos ser
resgatados.
- o problema é
estarmos vivos quando o resgate chegar, se chegar – fala Saul – e esse é um
grande “se”.
- relaxa, eu
mantive vocês vivos, não mantive? Tô fazendo minha parte e vocês tão fazendo a
de vocês né? – fala Carlos.
- hum...cara,
nós não controlamos o que está ao nosso redor – fala Saul – quer dizer, nunca
se está preparado para tudo. Vai chegar uma hora que você vai falhar, nós vamos
começar a morrer ou a ser infectados... E no segundo caso, se acontecer comigo,
eu quero que me matem antes que eu me torne um deles.
- para de falar
assim – fala Carlos – eu vou tirar vocês vivos dessa cidade, mesmo que isso me
mate...entendeu?
- que frase
feita foi essa hein? – fala Saul – mas falando em prioridades, eu e a Fernanda
encontramos algumas batatas, hambúrgueres, pães e muita bebida.
- dá pra passar
a noite e pro café amanhã? – pergunta Carlos.
- dá, de boa –
fala Saul.
Carlos olha que
horas são no relógio que está em seu pulso esquerdo, são exatamente 17h46min, o
sol está se pondo e a rua está escurecendo cada vez mais, e a única coisa que
não se altera são os gemidos dos zumbis que estão espalhados pela rua. Alguns
dos sobreviventes estão em estado de choque, ainda não aceitaram o fato de que
suas famílias, as pessoas que amavam foram transformadas em monstros canibais.
Matheus tenta ligar para a casa de sua mãe, mas ela não atende, ele tenta 8
vezes, até que ela atende.
- alô?! – fala
a mãe de Matheus.
- mãe?! A
senhora está bem? Está num lugar seguro?! – pergunta Matheus.
- não! Se
afastem! Não! – grita a mãe de Matheus ao ser, aparentemente, derrubada no
chão.
Matheus escuta
os gritos da mãe e alguns segundos depois, os gritos param, e um gemido roco
toma conta. Ele também escuta o som de várias mordidas em algo pegajoso. Matheus
larga o telefone. Bruno, que está do outro lado da sala, percebe que a ligação
não foi boa, e vai até Matheus. Ele põe a mão esquerda no ombro direito do jovem.
- não conseguiu
falar com tua mãe? – pergunta Bruno.
Matheus fica de
cabeça baixa e em silêncio. Bruno pega o telefone e põe no ouvido, ele escuta a
mesma coisa que Matheus, e solta o telefone, que bate na parede e fica
pendurado pelo fio.
- bicho, escuta,
essa pode não ser sua mãe, pode ser outra pessoa, entendeu? – fala Bruno.
- eu escutei a
voz dela antes de começarem a devorá-la – fala Matheus – era ela.
- cara, eu não
sei o que te dizer – fala Bruno.
- você não
precisa dizer nada, só... Me deixa sozinho, beleza? – fala Matheus.
- beleza, mas
se precisar de alguma coisa, de um ombro amigo pra chorar, é só chamar – fala
Bruno, enquanto se afasta.
Matheus se
afasta do grupo e vai para o primeiro piso do bar, onde se senta na cadeira do
atendente, pega uma garrafa de tequila que estava debaixo do balcão, tira a
tampa e começa a beber. Gabriel procura coisas úteis em algumas caixas no
depósito, e encontra 2 quilos de maconha embalados em sacos plásticos.
- Nossa véi, oh
Alice, vem cá – fala Gabriel tirando um dos quilos de dentro da bolsa.
Alice não
responde, ele olha ao redor, mas não a encontra.
Alice está no
primeiro piso, olhando pela janela a multidão de zumbis que toma conta das
ruas. Ela se vira e vê Matheus se embebedando com tequila pura. Ela anda até
ele.
- você tá bem?
– pergunta ela.
- se eu
estivesse bem, eu estaria bebendo tequila pura, e na garrafa? – pergunta
Matheus.
- família? –
pergunta Alice.
Matheus só
balança a cabeça pra frente e pra trás, e então toma outro gole longo e depois
põe a garrafa em cima do balcão. Alice pega a garrafa, toma gole.
- é...tô
precisando disso também – fala ela e toma outro gole bem longo.
O clima geral
no abrigo é de mais pura tristeza. Carlos vai até Mariana, que está sentada
numa das janelas do segundo piso e olhando para o céu. Ele se aproxima dela e
se escora na parede, ficando de frente com ela.
- como você
está? – pergunta ele.
- do mesmo
jeito que os demais estão – fala ela – abalada com a possível morte dos meus
pais.
- você não
demonstra isso, não da mesma forma que os outros – fala ele.
- demonstrar
sentimentos e pensamentos é demonstrar fraqueza – fala ela.
- verdade, mas
algumas vezes, não há nada de errado em derramar algumas lágrimas pela morte de
seus entes queridos – fala ele.
- se é assim,
por que você não chora? – pergunta ela, desviando o olhar do céu e olhando para
Carlos, o olhar é penetrante e o deixa muito desconfortável.
- por
que...todas as lágrimas que eu tinha pra derramar, já se esgotaram – fala
Carlos.
- mentira, você
só esconde seus sentimentos para não demonstrar fraqueza – fala ela.
- eu não
escondo os meus sentimentos, eu simplesmente os converto em combustível para
minhas ações – fala ele.
- como assim? –
pergunta ela.
- cada crâneo
que esmaguei, cada gota de sangue que derramei, cada pessoa que matei, eu usei
meus sentimentos e minhas lembranças como fonte de força para fazer o que fiz –
fala ele.
- hum...você só
tá tentando escapar dos seus sentimentos – fala ela – eu já tentei fazer isso,
mas aí vai uma dica: eles sempre vão te pegar.
- não á mim, eu
fujo deles há mais de 5 anos – fala ele – eles nunca, jamais vão me pegar.
- ah vão...oh
se vão – fala ela.
- o que você
quer dizer com isso? – pergunta ele.
- eu quero
dizer que quando eles te pegarem, vai ser uma pancada tão forte que vai
destruir uma parte de você, isso se você continuar assim – fala ela.
- assim como? –
fala ele.
- cheio de
ódio, cheio de mágoa – fala ela.
- eu não tenho
mágoa de ninguém – fala ele.
- tem sim –
fala ela – eu te conheço só a um dia, mas só de te ver lutando,
falando...principalmente quando envolve família, eu percebi que você tem um
ódio imenso dentro de sí. Isso vai destruir uma parte de você se você continuar
a guardar esse rancor.
- hum...tá
certo, então o que você sugere? Que eu caia de joelhos e chore pelas pessoas
que morreram ou que deixe que aqueles bastardos me devorem? – fala ele.
- não, Carlos,
eu não sugiro que você desabe em lágrimas, ou se deixe morrer, pois os fracos
fazem isso, e você não é um deles – fala ela – eu sugiro que você pense antes
de falar.
- como assim? –
fala ele.
- você disse
que não há nada de errado em chorar pelas pessoas que ama, mas você não chorou
por ninguém – fala ela – então, se você não chorou pelos seu entes queridos,
não peça ás pessoas para que elas chorem pelas razões que você não chora.
- beleza – fala
ele – só queria ajudar.
- há algumas
coisas que uma pessoa deve fazer sozinha – fala ela – chorar e sofrer uma perda
é uma delas.
- beleza, mas
se quiser um...- fala ele até ser interrompido.
- um ombro pra
chorar? – fala ela.
- não – fala
ele – se precisar de um amigo, eu estou presente.
Carlos se
afasta e seque para as escadas, Mariana o acompanha com o olhar. Lucas e
Medeiros encontram uma televisão, a ligam no canal do jornal para observar as
notícias.
- e mais um dia
se passou, e mais infectados apareceram – fala o mesmo repórter do outro dia –
general, qual a situação do exército brasileiro perante a infecção?
- o exército
informa que está tudo sob controle, mas a ONU insistiu em enviar reforço para
ajudar a combater a infecção – fala o general.
- mas se está
tudo sob controle, por que a ONU decidiu intervir? – pergunta o repórter.
- a ONU só está
um pouco preocupada, é apenas uma garantia, demonstrar afeto e preocupação com
o povo brasileiro e principalmente com as famílias afetadas pela praga – fala o
general.
Parte do grupo
se reúne em frente á televisão, e prestam bastante atenção nas notícias, mas
Carlos, Matheus, Alice e Mariana continuam a ignorar as notícias. Matheus e
Alice bebem tequila, Mariana pensa em seus pais, e Carlos pensa em sua própria
vida. Fernanda põe a comida pronta em cima de 3 mesas, são quase 30
hambúrgueres, 2 quilos de batatas fritas e várias garrafas de cerveja. Fernanda
sobe as escadas e chama o grupo, que desce para o primeiro piso e pegam suas
devidas refeições. O primeiro piso é tomado pelo grupo. Carlos vai até Mariana
novamente, e ela ainda está sentada na janela, observando uma foto. Ele se
aproxima, ela percebe.
- nem se
aproxime – fala ela – pode voltar.
- por quê? – pergunta
ele.
- por que eu
não te quero aqui, não quero ninguém aqui – fala ela.
- por quê? –
pergunta ele, enquanto se aproxima cada vez mais.
- por que...
Por que...- gagueja ela.
- por que não
quer mostrar seu lado sensível, não é? Não quer que as pessoas vejam o lado
humano – fala ele.
- vai se foder
– fala ela.
- você está
totalmente fragilizada com isso...- fala ele.
- vai pra puta
que te pariu – fala ela.
- ...e não quer
que a vejam sem a pose de forte, você se esconde atrás de estrutura – fala ele.
- e você hein?
Você também tá bastante fragilizado com isso, não está? – pergunta ela.
- um pouco –
fala ele, parando de andar.
- agora me
fala, como você se sente ao perceber que sua família deve estar morta? –
pergunta ela.
- pra falar a
verdade, minha avó e meu tio estão em Florianópolis, e tenho certeza de que meu
pai sabe se virar nesse tipo de situação, logo, não estou muito preocupado –
fala ele.
- mentira! –
fala ela – você só está se escondendo atrás de estrutura, assim como eu, e tem
entes queridos em perigo e que provavelmente irão morrer até o amanhecer!
- você está
certa, eu tenho pessoas com as quais me importo, sim, algumas delas estão aqui,
e sim estão em perigo – fala ele – e esse é um dos motivos da minha presença
aqui. Em primeiro lugar vem o Saul, que é meu irmão só que de outra mãe, vem o
Matheus, que é um dos meus amigos mais próximos, depois vem o Medeiros, que se
tornou um parceiro, assim como o Lucas e o Marcelo, depois vem os meus colegas
e depois vem o resto, os que eu simplesmente não dou a mínima.
- então por que
você não pega esses seus amigos e dar o fora daqui? São eles que o prendem aqui
não é, então dê o fora com eles e pronto – fala ela.
- bom, tem
pessoas pelas quais eu estou criando... Certo sentimento e até... Algo que eu
jamais quis criar – fala ele.
- como assim? O
que você quer dizer com isso? – pergunta ela.
- eu não quero
falar disso – fala ele.
- por quê? Tem
medo que a pessoa te escute? – fala ele.
- não, eu tenho
medo que ela não intenda o que eu sinto por ela e simplesmente considere o meu
sentimento uma paixão passageira – fala ele.
- por que ela
acharia isso? – pergunta ela.
- por que... As
pessoas me veem como um maluco só de olhar pra mim, o que será que ela iria
pensar se eu a olhasse nos olhos e dissesse que a amo desde a primeira vez que
parei para observa-la? – fala ele.
- hum...você
não pode pensar assim – fala ela – se todos pensassem dessa forma, bom...não
haveria casais, nem namoros.
- talvez você
esteja certa...mas enfim, a janta tá pronta então vamos logo antes que esfrie –
fala ele.
- sabe, você
vem aqui, eu desabafo contigo e você espera que a gente vá jantar como se nada
tivesse acontecido? – pergunta ela.
- é, esse era o
meu plano – fala ele – além do que, estou acostumado a participar de conversas desse
tipo, agora vamos.
- espera aí,
sua vez de desabafar – fala ela.
- desabafar?
Eu? Tá doida? Eu nunca desabafei nem com meu pai, imagina com as pessoas daqui
– fala ele – agora deixa disso e vamos jantar.
- não antes de
você desabafar – fala ela – fala algo que te incomoda.
- algo que me
incomoda? Ficar mais de 24 horas sem escutar minhas músicas e também fico
bastante incomodado com pessoas que ficam perguntando coisas sobre mim, agora
será que dá pra gente ir jantar? – fala ele.
- tá certo, mas
depois a gente retoma essa conversa – fala ela.
- de jeito
nenhum – fala ele.
- hum...você é
estranho – fala ela.
- eu sei – fala
ele.
Os dois descem
a escadaria. Todos estão jantando. Medeiros vai até Carlos.
- ei, qual o
plano? – pergunta Medeiros após tomar um longo gole de cerveja.
- sair da
cidade enquanto ainda podemos – fala Carlos.
- como vamos
fazer isso? – pergunta Medeiros.
- a gente pega
um caminhão ou um ônibus, entramos nele e saímos daqui – fala Carlos – simples.
- cara, nada é
simples quando se trata de infecções – fala Medeiros.
- bom, nesse
caso é – fala Carlos – é só matar os infectados e tomar cuidado pra não
contrair o vírus. Simples.
- beleza então
– fala Medeiros – quando a gente vai voltar a andar?
- de manhã –
fala Carlos.
- ei, o cara do
primeiro, aquele amigo teu, o Matheus, ele tá mal, vei – fala Medeiros – ele
fez uma ligação, e escutou a mãe dele morrer. O cara já tomou 2 garrafas de
tequila.
- ele tá
afogando as mágoas – fala Carlos – acho que na mesma situação, eu faria uma
coisa pior do que beber.
- o que você
faria? – pergunta Medeiros.
- sairia pela
porta e passaria a noite toda matando zumbis, estilo the walking dead – fala
Carlos.
- é...beleza
que tu faria isso – fala Medeiros.
- é sério –
fala Carlos.
- cara, vindo
de tu, das duas uma: ou é mentira, ou é besteira – fala Medeiros.
- valeu cara,
brigado mesmo... - fala Carlos.
Carlos termina
o jantar, sobe para o segundo piso, se deita no chão, de costas pra janela e
dorme. Matheus acaba dormindo sentado na mesa. Alice e Gabriel sobem para o
segundo piso, escolhem um lugar e dormem um ao lado do outro. Os demais fazem o
mesmo que Gabriel, Alice e Carlos, sobem para o segundo piso, encontram um
lugar e dormem. Na manhã seguinte, Carlos acorda, olha as horas; são 6h12min.
Ele se levanta, desce a escadaria, vai até a pia da cozinha e lava o rosto,
porém, algo lhe chama a atenção; os gemidos dos zumbis parecem ter sessado. Ele
rapidamente sobe a escadaria e vai até a janela. Ele observa a rua e não vê um
único zumbi andando. Ele acorda Mariana.
- Mariana,
Mariana acorda – fala ele enquanto a sacode de um lado para o outro.
- o que foi? –
pergunta ela abrindo os olhos lentamente.
- os zumbis
sumiram – fala ele.
- como assim
sumiram?! – pergunta ela surpresa.
- eles sumiram,
não há gemidos, não há cadáveres andando de um lado para o outro da rua e as
pancadas na porta pararam – fala ele.
Mariana se
levanta rapidamente e os 2 vão até a janela, e ela vê que Carlos estava certo,
os zumbis sumiram. Ela pega sua katana, Carlos pega suas 2 machetes e os dois
vão até a porta. Carlos começa a desfazer a barricada e alguns momentos depois,
eles abrem a porta. A rua está morbidamente silenciosa.
- por que esses
filhos da puta tendem a sumir do nada hein? É pra dar susto ou é uma tática pra
nos pegar? – fala Carlos.
- sei lá – fala
Mariana – mas eu não tô afim de descobrir.
- então somos
dois – fala Carlos – vamos voltar pra dentro e preparar as coisas.
Carlos e
Mariana voltam para dentro do bar, fecham a porta. Mariana prepara os
equipamentos e Carlos acorda os demais. Todos se reúnem no térreo meia hora
depois.
- pessoal,
tivemos que antecipar nossa saída por que houve algo que não estava nos planos
e apesar de parecer algo bom, é algo muito ruim – fala Carlos.
- o que
aconteceu? – pergunta Elvis.
- os zumbis
sumiram – fala Carlos.
- isso é ótimo
– fala Alice – quer dizer, eles não irão nos perseguir.
- eu queria que
fosse simples assim, mas nos filmes de terror, sempre quando o assassino some,
assim do nada, das duas uma: ou ele é um dos amigos do mocinho, ou ele tá
armando uma cilada – fala Carlos – e nesse caso, é a segunda opção, então vamos
sair daqui e no mais profundo silencio, entenderam?
- ei, por que a
gente não pega um carro e sai por aí atropelando esses zumbis? – pergunta
Fernando.
- por que carro
faz barulho e atrai mais deles – fala Carlos – e outro detalhe, é bem provável
que os carros estejam fodidos.
- não dá pra
ter certeza disso – fala Fernando.
- beleza, se
você quiser arriscar, mas detalhe, vai ter que ser um caminhão ou um ônibus pra
levar todo mundo – fala Carlos.
- é mesmo...
Droga – fala Fernando.
- só uma
pergunta, a gente vai ficar andando por aí sem um destino? Só saindo de um
lugar se escondendo em outro? – pergunta Gabriel.
- esse é o
plano – fala Carlos.
- isso não faz
sentido, já que os zumbis não estão agrupados do outro lado da porta – fala
Gabriel.
- na realidade,
há um lugar de evacuação – fala Mariana olhando o site da ONU através do celular
– e é no Porto Do Pecém.
- eh... acho
que agora temos um destino – fala Carlos – vamos logo.
Carlos e
Mariana ficam na frente do grupo. Mariana se encosta-se à parede e põe a mão
esquerda no trinco da porta, e põe a mão direita no cabo da katana. Carlos se
afasta um pouco, fica de lado empunhando as duas machetes e olha para José e
Gabriel. José carrega uma pistola de airsoft, uma réplica exata da Colt .45 semiautomática
modelo 1911, e Gabriel carrega um arco e prepara a flecha. Carlos olha para
Mariana e balança a cabeça para frente, ela abre a porta, Carlos sai da frente,
José e Gabriel são os primeiros a sair. Gabriel sai do bar e vira para a
direita, não vê um único zumbi. José sai do bar e vira para a esquerda, e assim
como Gabriel, não vê um único zumbi. Gabriel chama os demais fazendo gestos com
a mão direita. Carlos e Mariana são os próximos a sair, seguidos por Medeiros e
Lucas, depois Marcelo e Elvis, depois Bruna e Alice, Ítalo e Lucca, Larissa e
Kamila, Bruno e Matheus, até que todo o grupo está na rua. Eles seguem pela
direita. Gabriel cobrindo a frente e José cobrindo a retaguarda. Alguns
momentos depois, eles veem uma zumbi ajoelhada no chão ao lado de um carrinho
de criança, ela devora algo. Carlos chega mais perto, e pelo fato de não fazer
barulho e de usar as orelhas de um zumbi para camuflar o cheiro, ele chega á 1
metro da zumbi e consegue identificar o que ela come. Ele volta para o grupo e segue
pelo caminho á esquerda da zumbi, aproximadamente 4 metros de distância. Alguns
passos depois, Ítalo vai até Carlos.
- cara, o que
ela tava comendo? – pergunta Ítalo.
- era um bebê.
Acho que era filho dela. As tripas do pirralho estavam todas de fora e
derramando sangue – fala Carlos.
- caraca, que
foda vei – fala Ítalo.
- Jesus, vocês
são doidos? Como podem achar isso foda?! – pergunta Alice.
- bom, quem
achou foda foi o Ítalo – fala Carlos -
eu só fiquei com fome quando vi aquela cena.
- puta que pariu,
você é o cara mais doente que eu já conheci – fala Alice.
- obrigado –
fala Carlos.
- sério que
você disse isso? – pergunta Mariana.
- é sério –
fala Carlos - me sinto lisonjeado, e obrigado mais uma vez pelo elogio, Alice.
- doente, vai
se tratar menino – fala Alice.
- eu já fui
normal uma vez e não gostei, então...preferi ser eu mesmo – fala Carlos.
- como o Beto
diria agora: “você é doente meu filho, vá se tratar, vá. Você já deu uma
fungada no aerossol hoje? Você já deu uma lavada no bichinho da sua namorada?”
– fala Mariana.
- Beto Mendes?
Esse Beto? – pergunta Carlos.
- é, esse
mesmo, o chupeta de baleia – fala Mariana.
- sério que
você teve aula com ele? – pergunta Carlos começando a rir.
- é, ele era
professor de inglês lá na escola que eu estudo...ou melhor, estudava – fala
Mariana.
- vocês vão
falar disso nessa situação? Porra os seus pais estão mortos e vocês vão falar
das aulas do Beto? – pergunta Alice.
- é, e daí? Tá
ofendendo alguém? – pergunta Carlos.
- hum...cretino
– fala Alice.
- obrigado
novamente – fala Carlos – adoro ser elogiado, principalmente duas vezes no mesmo
dia.
- ei, que porra
é essa mah? – fala Gabriel olhando para o céu – que porra é essa mah!
O grupo olha
para cima e vê um imenso avião militar caindo rápido. Eles correm para a
direção oposta. Em poucos segundos, o avião cai mais á frente na avenida,
derrubando vários prédios e levantando uma imensa camada de poeira que deixa o
grupo de sobreviventes sem noção de direção, e o barulho é ensurdecedor. Assim
que camada de poeira se desfaz, eles olham para frente, e veem os destroços do
avião, e tornam a andar naquela direção. Ao se aproximarem do avião jumbo,
cujos destroços bloqueiam a avenida, eles as aproximam um pouco mais e veem
vários corpos escorregando pela fuselagem destroçada do avião; são os corpos
dos militares que estavam no avião. Mariana se aproxima de Carlos.
- e agora? –
pergunta ela – por onde vamos?
- olhe ao redor
– fala ele – estamos numa avenida, é só escolher uma rua que não esteja
bloqueada pelos destroços...
Carlos segue á
frente, seguido por Gabriel, Medeiros, Mariana, Alice, José e Fernanda, o resto
do grupo vem logo atrás. Eles cruzam a avenida e são surpreendidos pelos
zumbis, que aparecem aos montes. Carlos saca suas 2 machetes, Gabriel, Medeiros
e José preparam suas armas, Mariana saca sua katana, Alice segura seu machado
com as duas mãos, Fernanda se esconde atrás de José. Os zumbis saem de vários
lugares, especialmente das inúmeras lojas e casas ao redor. O grupo se junta.
- o que vamos
fazer agora? – pergunta Fernanda.
- vamos matar
esses desgraçados! – fala José.
- não dá, eles
são muitos – fala Mariana.
- concordo com
a Mari, eles são muitos – fala Gabriel.
- cara, deixa
de ser cagão puta por favor? – fala José.
- José, eles
são muitos, a gente vai acabar morrendo aqui – fala Carlos.
Um pouco
afastado da avenida, uma porta de garagem é aberta, e um sujeito sai na
calçada.
- por aqui!
Venham! É seguro! – grita o sujeito.
O grupo
simplesmente vai em direção ao sujeito. Todos entram na garagem, que na verdade
é uma oficina de desmanche. O sujeito que chamou o grupo se aproxima de Bruno.
- você é o
líder, né? – pergunta a sujeito.
- não, bicho, o
líder é aquele cidadão ali com as duas machetes – fala Bruno apontando para
Carlos.
O sujeito anda
até Carlos.
- então... Você
é o líder desse grupo, certo? – pergunta o sujeito.
- sim, eu sou –
responde Carlos.
- podemos
conversar? – pergunta o sujeito.
- claro...-
fala Carlos, observando os outros 3 sujeitos parados atrás do homem que fala
com ele – mas a Mariana, o Matheus e o Gabriel virão comigo.
- eh...okay, se
faz você se sentir melhor... – fala o sujeito esfregando as mãos unas nas
outras – que assim seja.
A pequena parte
do grupo é levada á outro cômodo do desmanche. Assim que o pequeno grupo passa
pela porta, o sujeito que os convidou a entrar, usa um controle para abrir a
porta da garagem, deixando os zumbis entrarem. O sujeito aperta outra vez o
botão no controle e fecha a porta que separa a menor parte do grupo da maior
parte. Fernanda, por ser a menor e a mais rápida, consegue correr e entrar na
sala onde o pequeno grupo está, antes que a porta seja fechada. Assim que o
cara fecha a porta, os outros 3 se aproximam dele. O homem da direita carrega
uma marreta, um dos homens que estão no centro carrega 2 facas de açougueiro, o
outro homem que está no centro pega uma machado de 2 lados e o sujeito da
esquerda carrega uma motosserra. Carlos fica de frente com o sujeito que
carrega um machado. Mariana fica de frente com o sujeito que carrega a
motosserra. Matheus fica de frente com o sujeito que carrega a marreta. Gabriel
fica de frente com o sujeito que carrega as duas facas de açougueiro. O sujeito
com as duas facas corre para o interior e os demais se espalham. Os pares são
formados. Fernanda tenta abrir a porta, enquanto escuta os gritos de seus
amigos e os gemidos dos zumbis. Matheus começa a enfrentar o sujeito da
marreta: o sujeito, que tem uns 1,90 metros de altura, tem músculos bem
definidos, tenta acertar Matheus na cabeça com um golpe horizontal, mas Matheus
desvia do golpe e acerta um soco nos testículos do sujeito, que se afasta.
Gabriel corre atrás do sujeito que carrega as peixeiras, mas o perde de vista;
Gabriel pega uma das flechas e se prepara para atirar enquanto procura pelo
sujeito, que deve estar escondido entre as várias estantes cheias de peças
metálicas; o sujeito corre sem fazer muito barulho, pois está descalço, então
ele corre e corta Gabriel nas costas; Gabriel solta a flecha, cambaleia uma das
várias estantes e se escora, enquanto procura o sujeito e sente a dor do corte.
Mariana encara o sujeito com a motosserra.
- por que você
não larga isso, hein princesa? – fala o sujeito – você pode se juntar ao meu
grupo, o que acha?
Mariana avança
e faz o primeiro movimento; ela corre até o sujeito e tenta um golpe horizontal
na altura do estômago, mas o sujeito pula para o lado, faz um rolamento e fica
de pé, á 1 metro de Mariana, e bem perto de um rádio. O sujeito se aproxima do
rádio e o liga, e a música que começa a tocar é a versão instrumental de
“Master Of Puppets”.
- agora vamos
dançar – fala o sujeito.
O sujeito liga
a motosserra e corre em direção á Mariana; ela se põe em posição de defesa, e
impede o golpe em vertical para baixo que o sujeito faz; ela impede que a
motosserra a toque, ela põe a lâmina da katana na frente da motosserra, pedaços
minúsculos da katana começam a cair, e começa a sair faíscas. Carlos e o
sujeito com o machado se enfrentam; o sujeito tenta um golpe em vertical que
iria direto no crâneo de Carlos, mas ele impede o golpe ao cruzar as duas
machetes, formando um “v”, e impedindo a trajetória do machado; logo em seguida
Carlos acerta um chute no estômago do sujeito, que fica sem fôlego e se afasta;
Carlos corre em direção ao sujeito e tenta um golpe horizontal com cada
machete, ele tenta atingir o sujeito tanto pelo lado esquerdo quanto pelo
direito, mas o sujeito desvia e tenta um golpe em diagonal para baixo e para a
esquerda, mas acerta a machete de Carlos, que as solta devido ao impacto; o
sujeito acerta outro golpe, mas Carlos dá um pequeno pulo para trás e por esse
motivo leva somente um corte no peito. Matheus desvia dos vários golpes de
marreta, deixando o sujeito cansado; Matheus se afasta um pouco do sujeito e
vê, em cima de uma das prateleiras, um pequeno martelo pneumático, do que tipo
que possui bateria como fonte de energia, ele pega o martelo e fica de frente
com o sujeito e de costas com a estante onde estava o martelo; o sujeito grita,
com raiva, e corre em direção á Matheus, o sujeito pula e tenta um golpe fatal
na cabeça de Matheus, que desvia; o machado atinge a estante, fica preso,
Matheus rapidamente atinge o estômago do homem com a ponta cortante do martelo,
o sujeito se inclina para trás enquanto grita de dor; Matheus o atinge no globo
ocular direito, calando-o permanentemente; o corpo do homem cai no chão após 2
segundos, ainda com a pequena furadeira enfiada na cavidade ocular direita;
Matheus se agacha e observa, atentamente, o sangue escorrer de dentro da
cavidade. Gabriel anda lenta e silenciosamente pelos corredores formados pelas
várias prateleiras, á procura do homem com as facas; o homem, silenciosa e
rapidamente, abre outro corte nas costas de Gabriel, que esbarra numa lata de
gasolina, que se espalha pelo chão; Gabriel sente o cheiro. Matheus verifica os
bolsos do homem que acabara de matar; encontra um maço de cigarros e um
isqueiro; ele pega ambos e começa a andar pelos corredores formados por
estantes. Gabriel se levanta e começa a andar, preparado para disparar a flecha
que está segurando, ele sai do raio da poça de gasolina, enquanto que o sujeito
anda, silenciosamente, na poça de gasolina. Matheus acende um cigarro, dá a
primeira tragada e se engasga com a fumaça; ele olha a foto que está na outra
parte do maço e vê um fígado destruído; ele olha para a direita e vê o sujeito
andando lentamente, o sujeito carrega duas facas e não faz parte do grupo,
então ele se aproxima lentamente e sente o cheiro de gasolina, ele olha para o
chão e vê a enorme poça; o sujeito se prepara para arremessar a faca da mão
direita nas costas de Gabriel; após esperar o sujeito passar e ficar de costas,
Matheus joga o cigarro na poça de gasolina, aproximadamente a 3 centímetros do
pé esquerdo do sujeito. As chamas começam e chegam na altura do peito do homem,
que começa a gritar desperadamente; Gabriel se vira, assim que escuta os gritos
do homem, e acerta uma flecha no peito do sujeito, que cai no meio das chamas e
morre. Matheus se aproxima de Gabriel, que toma um susto ao vê-lo.
- você quer um?
– pergunta Matheus oferecendo um cigarro á Gabriel – só tome cuidado por que,
essas coisas costumam matar.
Mariana, que
está em posição de defesa, desvia para o lado esquerdo assim que escuta a
lâmina da katana se quebrar; ao desviar, a motosserra passa direto e atinge uma
mesa que estava atrás de Mariana; ela acerta um chute atrás do joelho do
sujeito, que cai no chão ajoelhado; logo em seguida, ele pega um “pé de cabra”
e acerta Mariana na perna direita, ela cai no chão com a mão no lugar onde fora
atingida; o sujeito se levanta, lentamente e usando a mesa para se apoiar.
- nossa! Já
conheci unas putas bem violentas, mas você superou todas! – fala o sujeito com
o pé-de-cabra na mão.
Mariana olha
para frente e vê o pedaço pontiagudo da lâmina da katana; ela pega o pedaço e o
aperta com tanta força que causa vários cortes profundos na mão esquerda; ela
se levanta com dificuldade e anda até o sujeito, que tenta acerta-la com um
golpe na cabeça, mas ela está com tanta raiva que seus reflexos ficaram mais
aguçados e ela segurou o pé-de-cabra, parando o golpe, então ela põe o
pé-de-cabra para o lado direito, e usando a mão esquerda, ela, rapidamente,
enfia o pedaço da lâmina no pescoço do sujeito, mais precisamente, num ponto um
pouco abaixo do maxilar; o homem cai no chão e começa a agonizar. Carlos encara
o homem com o machado.
- você
realmente acha que algum de vocês vai sair vivo daqui? Pense de novo – fala o
sujeito.
Carlos observa
o que o cerca; ele vê as várias estantes, vê um serrote numa estante que está á
uns 5 metros de distância; Carlos olha para o sujeito, que olha para o serrote;
Carlos presta atenção nas pupilas do sujeito, e quando ele percebe que o homem
está olhando para o serrote, ele corre para a direção oposta, onde está o
pequeno incêndio arquitetado por Matheus. Carlos corre rápido e é perseguido
pelo sujeito que carrega o machado; Carlos escorrega numa poça de óleo diesel e
cai de costas no chão, esmagando sua mochila; o sujeito chega á Carlos e ergue
o machado, pronto para Matar Carlos, quando do nada uma flecha fura a garganta
do homem, e ele cai no chão; Carlos se levanta, observa o corpo e percebe que a
flecha atingiu o homem pelas costas. Carlos olha para a direção de onde veio, e
vê Gabriel e Matheus, ambos parados no corredor. Ele começa a andar em direção
á ambos.
- belo tiro –
fala Carlos.
- eu sou foda
cara, eu sou O Cara! – fala Gabriel.
- não fique tão
cheio de sí – fala Carlos.
- quem é
humilde, é por que não é bom o bastante; e quando se é bom o bastante e se sabe
disso, pra que esconder por baixo da humildade? – fala Gabriel.
- beleza,
arrow, vamos logo ajudar o pessoal e sair dessa merda de lugar – fala Carlos.
O pequeno grupo
se reúne na porta que dá acesso á rua, e finalmente, Fernanda consegue abrir a
porta, mas é tarde para algumas pessoas; assim que ela abre a porta, alguns
entram , poucos, logo em seguida Fernanda e Matheus fecham a porta.
- em quantos
estamos agora? – pergunta Carlos – Medeiros, Lucas, Bruno, Alice, Ítalo,
Marcelo, Elvis, Bruna e José. Mais Mariana, Gabriel, Matheus, Fernanda e...eu.
14.
- precisaremos
de um abrigo – fala Fernanda.
- eu conheço um
lugar – fala Mariana olhando os pedaços de sua katana.
- é perto
daqui? – pergunta Carlos.
- fica á 5
quarteirões – Carlos.
- é melhor
tratar dos nossos sangramentos antes – fala Gabriel.
- não precisa,
o lugar é perto, e mesmo que atraia, bom, sempre há a possibilidade de matarmos
os mais próximos e deixarmos os corpos como uma camuflagem – fala Mariana –
basta deixar os corpos na frente do portão.
- mas...vai ser
fácil assim? – pergunta Ítalo.
- claro que não
– respondem Carlos e Mariana ao mesmo tempo.
- achei que não
– fala Ítalo – mas cara, é melhor dar um trato nos cortes...por garantia.
- ele tá certo
– fala Fernanda – vai ser rápido.
- tanto faz,
contanto que seja rápido – fala Mariana.
- beleza, Elvis
e Fernanda, vocês podem tratar dos cortes aqui? – fala Carlos.
Carlos tenta
abrir o casaco, mas o zíper está destruído, então ele põe força e quebra o
resto. Gabriel tira o casaco e tira a camisa polo de cor vermelha, mostrando os
cortes. Mariana tira a luva da mãe esquerda, mostrando os vários cortes na mão.
Fernanda põe a mochila no chão, abre-a e tira algumas coisas de dentro; ela
retira uma pequena garrafa plástica com álcool, uma agulha e um pedaço de
linha. Elvis põe sua mochila em cima de uma mesa e retira um pacote de algodão,
ataduras, um remédio antibiótico e um remédio anti-inflamatório. Carlos tira a
camisa, mostrando o corte no meio do peito. Fernanda começa a examinar a mão de
Mariana.
- cacete!
Mariana, seus cortes são pequenos e são muitos, vai levar um tempinho – fala
Mariana.
- então nesse
caso, eu passo – fala Mariana se afastando e colocando a luva – eu espero até
chegarmos a um lugar seguro.
- esses cortes
estão sangrando, vai atrair a atenção dos zumbis...- fala Fernanda.
- que se foda!
– grita Mariana.
Todos olham
para Mariana, e ela se afasta do grupo e vai até o cadáver do sujeito que
quebrou a lâmina de sua katana. Ao se aproximar do corpo ensanguentado do
homem, ela pega o pé-de-cabra que ele estava usando e começa a andar até a
porta. Ela se escora na parede ao lado, esquerdo da porta e cruza os braços. Elvis
põe um pouco de água oxigenada no algodão e entrega a Carlos.
- limpa aí o
lugar – fala Elvis preparando a agulha.
- você não vai
fazer o que eu acho que vai, né? – pergunta Carlos.
- sim, eu vou
costurar esse corte – fala Elvis.
- puta que
pariu...isso é mesmo necessário? – pergunta Carlos.
- sim, é
necessário – fala Elvis – agora limpa essa porra pra eu poder costurar.
Carlos começa a
limpar o corte. Ele faz careta a cada vez que o algodão molhado com água
oxigenada toca o corte. Ele termina de limpar a ferida, e assim que ele para,
Elvis pega a agulha com linha e fica de frente com ele.
- fique firme,
não trema, não mexa um músculo – fala Elvis – agora se deita naquela mesa.
Elvis tira a
bolsa de cima da mesa, põe a bolsa no chão e Carlos se deita com o corte para
cima.
- Medeiros,
Lucas, segurem ele – fala Elvis – essa porra vai doer pra caralho. Ah, quase
esqueci, Ítalo, cala a boca dele.
- macho, o que
tu vai fazer? – pergunta Carlos.
- vou te
costurar – fala Elvis – vai doer pra caralho, tu com certeza vai gritar e vai
ficar se mexendo, aí eu não conseguiria trabalhar, e ainda por cima chamaria a
atenção daquelas coisas mais do que o necessário.
Medeiros segura
as pernas, Lucas segura os braços e Ítalo mantém as mãos fechando a boca de
Carlos. Elvis começa a costurar, e a cada vez que a agulha entra na pele
Carlos, ele tenta gritar e se soltar, mas não consegue. Gabriel está na mesma
situação, mas quem o segura são Matheus, Bruno e Alice. Algum tempo depois,
quando Fernanda e Elvis terminam de costurar os cortes de Gabriel e de Carlos,
eles começam a preparar seus materiais, enquanto que José pega mais materiais
que estão no desmanche ilegal. Carlos se agacha em frente á sua mochila, e ao
abri-la, ele puxa o casaco e a camisa extra que trouxe, mas assim que ele tira
as roupas, ele vê que as demais coisas que trouxe, como garrafas com agua,
barras de cereal e chocolates estão esmagados. Carlos ignora, fecha a mochila e
veste a camisa cinza e põe o casaco de couro avermelhado por cima. Ele fecha o
casaco, põe a mochila nos ombros e vai até a motosserra do sujeito que Mariana
matou. Ele pega a motosserra e vai para a porta da garagem. José pega alguns
martelos e alguns pregos. O grupo vai para a frente da porta, Carlos pega o
controle.
- José e
Gabriel, vocês vão na frente, depois Lucas e Bruno – fala Carlos apertando o
botão e abrindo a porta da garagem – preparem-se, eu não quero saber de erros.
A porta abre
completamente, José e Gabriel vão na frente, ambos matando os zumbis. José usa
2 colt 45 de airsoft, e Gabriel usa seu arco. Logo depois que José e Gabriel
saem da garagem e chegam á rua, Lucas e Bruno seguem em direção á saída; Lucas
carrega uma arma de paintball que foi modificada para disparar balas mais
rápidas, porém, as balas que são disparadas não são bolas de borracha com tinta
dentro, são bilas e pequenas esferas de metal de fabricação caseira. Bruno
carrega um machado de lenhador, modelo que corta de ambos os lados e tem a
parte de ferro cromada e o cabo de madeira muito resistente. Enquanto que os 4
que saíram na frente dão cobertura, Carlos e Mariana tiram o grupo da oficina.
Mariana e Carlos são os últimos a passarem pela porta da garagem, e ao passar
pela porta e ver seus amigos mortos e prestes a se levantarem, o olhar, os
movimentos e até mesmo a respiração de Carlos muda, ele demonstra uma face que
nunca demonstrou em público antes, e Mariana percebeu isso, ela vai até ele e o
puxa pelo braço. A mão que Mariana usa para puxar Carlos é a mesma que possui
um corte, e deixa manchas de sangue no casaco. Mesmo com o sentimento ruim
causado pelas mortes de alguns amigos seus, Carlos ignora o que sente e tira
seu grupo da oficina e Mariana os guia pelas ruas. Levam quase 3 horas para
cruzar os quarteirões, e ele finalmente chegam á casa de Mariana, após cruzar
10 quarteirões lotados de zumbis, eles irão passar a noite numa bela casa de 3
andares. Mariana vai na frente, e ao se aproximar dos portões, um sujeito surge
na janela, e ele aponta uma escopeta de 2 canos para Mariana, que simplesmente
faz um sinal de “ok” para ele, que abaixa a arma, sai de perto da janela e
apenas alguns segundos depois, chega ao portão, abre a grade e deixa o grupo
entrar. O sujeito que abril o portão usa uma jaqueta amarela com detalhes
pretos e brancos, tanto na parte da frente do casaco quanto na parte de detrás
está escrito “Ijiek Racing”, no ombro esquerdo há o número 4 desenhado e no
ombro direito há o logotipo da Kodoya, legível e bem chamativo; assim que o
grupo passa pelo portão, o sujeito arrasta o corpo da empregada e põe na frente
do portão, camuflando o odor que atrai os zumbis. Ao chegarem á sala, Elvis se
senta no sofá, e observa a mordida que levou enquanto passava por um prédio;
ele andava apressadamente quando um zumbi o agarra e morde seu braço. Carlos se
senta ao lado de Elvis.
- você sabe o
que vem agora, não sabe? – fala Carlos – vai acontecer mais cedo ou mais tarde.
Elvis abaixa a
cabeça. Gabriel vai até os 2 e oferece cigarros, ambos feitos com a maconha
encontrara no bar. Carlos pega um, e Gabriel o acende. Ele dá uma boa tragada,
olha para o cigarro, e depois olha para o vazio. Elvis pega um dos cigarros,
acende e dá uma longa tragada. Gabriel se afasta, ele vai para a cozinha,
conversar com Alice.
- então, quer
que seja agora, ou só quando você se transformar? – pergunta Carlos como se
matar Elvis e decidir o número de parcelas de um determinado produto fossem a
mesma coisa.
- eu...quero
ser eu mesmo até o fim – fala Elvis.
- certo –
Carlos olha para o relógio na parede que está em frente ao sofá, são exatamente
12h35min – ás 19h35min esteja pronto, eu te prometo que vai ser rápido.
Carlos se
levanta, Elvis fica de cabeça baixa, olhando para o vazio e fumando o cigarro.
Carlos começa a andar pela casa. Ele vai até a varanda do segundo piso, e fica
observando os zumbis que estão na rua, se aproximando da casa. Mariana vai até
ele.
- sabe, eu
sinto certa inveja deles – fala Carlos – eles não sentem dor, seja emocional ou
física. É impossível machucar os sentimentos deles.
Mariana fica ao
lado esquerdo de Carlos.
- eu,
só...queria que acabasse a dor – fala Carlos – eu sempre achei que quando as
pessoas morressem, a dor passaria, mas...só fez aumentar. Agora eu tenho
certeza de uma coisa, eu jamais conseguirei tirar vocês dessa cidade.
- agora não é a
hora de duvidar de suas habilidades – fala Mariana.
- que
habilidades? – fala Carlos – a minha habilidade é basicamente matar, seja meu
amigo ou meu inimigo, eu sempre vou acabar te matando.
- você não pode
controlar tudo ou todos que estão ao seu redor – fala Mariana – a diferença
entre um bom líder, e um mau líder, é que o bom líder sabe lidar com as
situações, e o mau líder se deixa abater pelo fato de que não consegue
controlar o que está ao seu redor.
- hum...então
nesse caso, eu sou um péssimo líder – fala Carlos.
Ítalo chega á
varanda, atrapalhando a conversa.
- Carlos!
Carlos! O Matheus sumiu! – fala Ítalo extremamente nervoso.
- como é que é?
onde ele foi? – pergunta Carlos.
- eu não sei,
mas acho que foi pra casa da mãe dele, fica á uns quarteirões daqui – fala
Ítalo.
- porra! Eu e
você vamos lá agora! – fala Carlos.
- beleza, vamos!
– fala Ítalo.
Carlos e Ítalo
descem as escadas, passam pelo portão, e ao cruzar a rua, Carlos olha para
Mariana por alguns segundos e depois corre para acompanhar ítalo. Algum tempo
depois, eles chegam á casa de Matheus; a porta está totalmente aberta e há
manchas de sangue nas paredes. Carlos entra na frente, cautelosamente, ítalo
entra logo depois de Carlos. Eles andam até a cozinha, e encontram Matheus
ajoelhado ao lado do corpo deformado de sua mãe. Matheus está com suas roupas
cobertas de sangue, e usa um par de luvas de MMA. A expressão no rosto de
Matheus não é raiva, ou de tristeza, seu olhar é apenas vazio. Carlos e Ítalo
simplesmente não sabem o que falar. Eles pegam o amigo pelos braços e o levam
de volta para a casa de Mariana. Algum tempo depois de saírem da casa de
Matheus, eles chegam á casa de Mariana, e já são 14h00min. Carlos e Ítalo se
sentam á mesa para almoçar o que sobrou da refeição. O sujeito que abrira o
portão se senta ao lado de Carlos.
- então, você é
o namorado da minha irmã, né? – pergunta o sujeito.
- eu? Namorado
da Mariana? Não, acho que você se enganou – fala Carlos.
- não...ela te
observa de uma forma diferente da forma que observa os demais – fala o sujeito
– á propósito, meu nome é Felipe, eu sou o irmão mais velho de Mariana.
- meu nome
é...- Carlos tenta falar mas é atrapalhado.
- Carlos, ela
me disse muita coisa sobre você – fala Felipe – olha, se ela me disser que está
namorando contigo, eu vou aceitar, por que eu gostei do que ela me disse, você
é um cara sensato, escuta a voz da razão na maior parte do tempo, e isso é bom.
- obrigado, eu
acho – fala Carlos.
- de nada –
fala Felipe, enquanto se levanta da cadeira e sai da cozinha.
Algumas horas
depois, Elvis morre devido ao vírus. Fernanda verifica os batimentos cardíacos,
a respiração, mas percebe que Elvis realmente morreu. Carlos entra no quarto, e
usando sua machete, acerta 2 golpes no crâneo de Elvis, impedindo que ele se
torne um zumbi. Após o barulho do crâneo sendo destruído. Os gemidos que os
cadáveres ambulantes emitem passam a ser o único barulho a ser feito nessa
noite no mínimo trágica para alguns. Enquanto que Carlos, Fernanda e Alice
prestam um minuto de silêncio em memória á Elvis, Matheus e Ítalo assistem á um
dos filmes que encontraram no quarto de Felipe, “Batman, O Cavaleiro Das
Trevas”. Na parte em que o Coringa explica para um mafioso o motivo de ter
cicatrizes na boca, Matheus, inexplicavelmente, começa a sorrir, e o sorriso é
no mínimo macabro. Alguns minutos depois, exatamente ás 19h25min, Carlos, Saul,
Marcelo e Felipe carregam o corpo de Elvis, que todo enrolado num lençol, e o
colocam num freezer, que fica na dispensa e que era usado para guardar as
bebidas do pai de Mariana e de Felipe. Assim que Marcelo fecha a porta freezer,
ele abaixa a cabeça, triste pela morte de um amigo de longa data. Alguns
momentos depois, todos se reúnem na enorme cozinha para jantar. Enquanto
jantam, Carlos anota alguns coisas em uma caderneta, e Alice percebe.
- o que você tá
anotando aí? – pergunta Alice enquanto leva uma colher cheia de arroz com
lasanha até a boca.
- nada demais –
fala Carlos enquanto coloca a mão que segura o lápis na testa e olha
obcecadamente para a caderneta.
- você nem
tocou na comida – fala Saul observando o prato ainda em perfeito estado que
está na frente de Carlos.
- eu tô meio
ocupado agora – fala Carlos.
- eu tô
tentando entender essa merda, e com vocês falando fica difícil – fala Carlos.
- você tá perdendo
seu tempo com algo que todos sabemos – fala Mariana, que está sentada ao lado
direito de Carlos – todos sabem como começa uma infecção.
- é, eu sei,
mas quem disse que isso é uma infecção? – pergunta Carlos – pelo que eu sei,
isso pode ser até mesmo uma porra de praga bíblica, já que esse ano o mundo
acaba, e vocês sabem que essa merda atingiu o mundo inteiro, não sabem?
- como é que
essa merda atingiu o mundo? – pergunta Alice – quer dizer, além de serem lentos
pra caralho, como que eles saíram do país?
- Alice, as
pessoas são estúpidas, entende? Um cara foi infectado, entrou num avião,
contaminou as pessoas do avião, que por sua vez contaminaram as pessoas ao seu
redor, e nessa escala, contaminaram várias outras ao redor do mundo – fala
Carlos – ou simplesmente o responsável por tudo isso liberou o que quer que
tenha causado isso em vários locais do mundo.
- certo, como
essas coisas funcionam? – pergunta Bruna – quer dizer, é como nos jogos? Eles
“acordam”, mordem alguém que acaba se tornando um deles, ou é espalhado pelo
ar?
- se fosse
espalhado pelo ar, nós já estaríamos mortos – fala Carlos – até agora, o que eu
tenho certeza, é que as mordidas transmitem o vírus ou bactéria. Eu vi o Elvis
ser mordido. Ele caiu enquanto corria, e quando se levantou, um zumbi o agarrou
e o mordeu no braço. A mordida do filho da puta foi tão forte, que arrancou um
pedaço do braço do Elvis. Isso foi exatamente ás 11h25min, correto? Elvis
morreu ás 19h15min, logo, são 7 horas e 50 minutos que o causador da doença
leva pra matar o hospedeiro. O mesmo com o Claudiano. Ele foi mordido quase no
mesmo período do dia, e se transformou quase no mesmo período da noite. Tanto
Elvis quanto Claudiano foram mordidos.
- o Claudiano
desmaiou, passaram-se 20 minutos, e saímos do ônibus – fala Alice.
- então são 8
horas e 10 minutos que temos para matar qualquer um de nós for infectado – fala
Carlos.
- como assim
matar um de nós? Quer dizer se o Marcelo for infectado, você vai mata-lo? –
pergunta Fernanda.
- sim, eu vou –
fala Carlos – por que ele já estará morto no momento em que for mordido, e
mesmo sendo amigo dele, eu não vou deixar ele me matar, ou matar os outros.
O silêncio toma
conta da casa após esse comentário. Os gemidos dos mortos aparentam ficar mais
altos e frequentes. O som atormentador vem da escuridão do lado de fora da
casa, vem das ruas escuras e sem vida.