quinta-feira, 27 de dezembro de 2012


Capítulo três: Gemidos Na Escuridão.

Eles olham para a rua e veem vários carros destruídos, vários pedaços de pessoas espalhados pelo chão, muitos litros de sangue colorem a rua. O grupo anda lenta e silenciosamente por entre os vários pedaços de corpos e carros destruídos, tanto o cheiro quanto a imagem dos inúmeros pedaços de seres humanos incomoda muito o grupo, principalmente os mais sensíveis. Alguns põem a mão na boca para não vomitar, como Alice, Larissa e Fernanda, outros só desviam os olhares, como Elvis, George e Medeiros, já outros, mais frios, simplesmente passam por entre as entranhas podres espalhadas pela rua como se na realidade só fossem sacos fedorentos de lixo podre, nesse caso, pessoas como Gabriel, Mariana, Carlos e Saul são os únicos a não demonstrar qualquer reação, seja de tristeza, como Alice, ou de euforia, como Ítalo, o único membro do grupo que demonstra certo apreço pelo que os zumbis fizeram. Por mais estranho que pareça, os zumbis não estão em grande número nas ruas. Após algumas horas andando, já são 17h23min. Carlos olha para o relógio, e olha para o céu, o sol já está começando a se por, e não há nenhum abrigo seguro nas proximidades. Carlos vê um bar do outro lado da rua, aparentemente vazio. Ele faz um sinal de pare com a mão esquerda, se vira e Mariana, Ítalo, Gabriel e Medeiros se aproximam.
- certo, Ítalo, você fica e evita que o grupo faça barulho – fala Carlos num tom de sussurro – Mariana, Gabriel e Medeiros, vocês vêm comigo pra garantir que esse lugar está limpo. Entenderam?
- beleza – fala Ítalo.
- tá certo – fala Medeiros.
Carlos vai à frente, ele entra no bar e vê sete mesas, todas com quatro cadeiras amarelas e toalhas vermelhas cobrindo as mesas, vê vários pôsteres de mulheres peladas nas paredes brancas, vê uma imensa poça de sangue que toma conta do chão logo na entrada do bar; ele se vira para a direita, e vê o balcão do bar, dois zumbis tentando invadir um cômodo atrás do balcão; ele se vira para o lado esquerdo, e vê somente uma das paredes do bar. Carlos sinaliza para os outros três, que entram no bar e vêm a cena: um dos zumbis que tenta arrebentar a porta está com uma Machete enfiada na região do peito, a lâmina da machete atravessa o corpo dele, o outro possui vários buracos nas costas, e é possível ver alguns ossos dele. Carlos e Mariana seguem pela direita do balcão, Gabriel e Medeiros seguem pela esquerda. Gabriel carrega uma faca de açougueiro, Medeiros carrega um punhal. Carlos carrega sua machete e Mariana carrega sua katana. Carlos se aproxima do zumbi da direita e acerta-lhe um golpe na nuca, matando-o instantaneamente. Gabriel acerta uma facada na cabeça do zumbi da esquerda, também o matando. Tanto Gabriel quanto Carlos seguram os corpos dos zumbis, impedindo que os corpos façam barulho ao atingirem o chão. Eles deixam lentamente os corpos dos zumbis tocarem o chão. Carlos observa que o zumbi que Gabriel matou está com uma machete enfiada no peito, ele se aproxima e puxa a machete, a lâmina está completamente ensanguentada. Gabriel bate á porta, onde os zumbis estavam tentando entrar. Ele não escuta um único barulho vindo de dentro do cômodo, então fala em voz baixa.
- tem alguém aí? – pergunta Gabriel.
- Gabriel? É você? – pergunta uma voz extremamente baixa vinda do outro lado da porta.
A porta se abre, e saem três pessoas de dentro, são Marcelo, Elvis e Bruna.
- como vocês chegaram aqui? – pergunta Gabriel.
- durante a invasão do shopping á noite – fala Elvis.
- quem correu primeiro? – pergunta Carlos.
- foi o Marcelo, mas a gente não tinha armas, então nos abrigamos aqui – fala Bruna.
- hum...era de se esperar – fala Gabriel.
- há mais algum zumbi aqui? – pergunta Mariana.
- não, eram só esses – fala Elvis.
- beleza, vou chamar os outros – fala Carlos.
Ele se afasta do grupo, vai até a porta do bar, e chama os demais, que entram rápida e silenciosamente e fecham as portas. O fedor das orelhas e narizes decepados toma conta do lugar. Carlos e Lucas levam os cadáveres para o lado de fora do bar e os deixam encostados á parede do lado direito da porta, entram e trancam a porta, até colocam algumas mesas na frente da porta, criando uma barricada. Eles sobem para o segundo andar do bar, onde fica o armazém de bebidas e alimentos.
- muito bem, quantos estão presentes aqui? – pergunta Carlos. 
- 28 – responde Mariana.
- certo, o negócio é o seguinte – fala Carlos – minha função não é ser pai ou mãe de ninguém, muito menos chefe, então, podem ir embora à hora que quiserem, mas eu lhes asseguro que viver sozinho numa cidade infestada de zumbis não é uma boa ideia, porém, se decidirem ficar, vai ser do meu jeito. A palavra final é minha. Se seguirem as minhas... Sugestões ficarão vivos para saírem da cidade. Eis como serão as coisas: seremos divididos em 3 grupos, batedores, coletores e vigias. Os batedores, um grupo de no máximo 4 pessoas, irão se aventurar pelas ruas ao redor para verificar o nível “populacional” da área e verificar em quais lugares há maior segurança, alimentos, armas, outros sobreviventes e coisas do tipo. Os coletores, um grupo formado por no máximo 10 pessoas, serão responsáveis pela coleta de armas, alimentos e resgate de pessoas. E por fim, os vigias, serão os que tomarão conta do abrigo, esse grupo não possui número máximo. Hoje, como temos mantimentos, armas e aparentemente um lugar seguro, somente o grupo de vigias irá trabalhar. De preferência, os que dormiram bem noite passada e que estão em boas condições mentais, emocionais e físicas. Quem se habilita?  
Um grupo de 5 pessoas vai até Carlos.
- eu – fala Ítalo – o Lucca, o Matheus, o José e a Alice ficaremos de vigia.
Carlos olha para o grupo e vê que Alice está com muito sono e aparentemente abatida pelas mortes de Raphael e de Joanderson.
- aprovados você, o Lucca, o Matheus e o José, mas a Alice não está em boas condições para vigiar á noite – fala Carlos – escolha mais uma pessoa.
- eu fico de vigia – fala Lucas.
- beleza então – fala Carlos – vocês 5, de vigia, os demais, podem ir se preparando para dormir e descansem bem por que amanhã vai ser pesado. Dispensados.
Carlos se afasta um pouco do grupo e vai até uma das janelas, ver como está a cidade, e o que ele vê é um cenário de caos: focos de incêndios espalhados pelos prédios e casas, carros destruídos, ruas manchadas de sangue e consegue perceber as silhuetas dos mortos, sempre espreitando, sempre procurando algo para devorar. Saul se aproxima do amigo.
- tá pensando no que? – pergunta Saul.
- em no que fazer amanhã – fala Carlos.
- bom, o mais óbvio seria sair da cidade – fala Saul.
- mas é praticamente impossível sairmos sozinhos – fala Carlos – além do que, o governo deve estar resgatando as pessoas.
- cara, a gente tá no Brasil – fala Saul – além de ser um lugar desorganizado pra caralho, o governo tá cagando pra gente aqui no Nordeste.
- eh...você tem razão nesse ponto – fala Carlos – mas lembre-se de que o Brasil faz parte da ONU, e que com certeza ou a ONU tá fazendo os resgates sozinha ou está forçando o governo Brasileiro a fazer isso. De um jeito ou de outro, vamos ser resgatados.
- o problema é estarmos vivos quando o resgate chegar, se chegar – fala Saul – e esse é um grande “se”.
- relaxa, eu mantive vocês vivos, não mantive? Tô fazendo minha parte e vocês tão fazendo a de vocês né? – fala Carlos.
- hum...cara, nós não controlamos o que está ao nosso redor – fala Saul – quer dizer, nunca se está preparado para tudo. Vai chegar uma hora que você vai falhar, nós vamos começar a morrer ou a ser infectados... E no segundo caso, se acontecer comigo, eu quero que me matem antes que eu me torne um deles.
- para de falar assim – fala Carlos – eu vou tirar vocês vivos dessa cidade, mesmo que isso me mate...entendeu?
- que frase feita foi essa hein? – fala Saul – mas falando em prioridades, eu e a Fernanda encontramos algumas batatas, hambúrgueres, pães e muita bebida.
- dá pra passar a noite e pro café amanhã? – pergunta Carlos.
- dá, de boa – fala Saul.
Carlos olha que horas são no relógio que está em seu pulso esquerdo, são exatamente 17h46min, o sol está se pondo e a rua está escurecendo cada vez mais, e a única coisa que não se altera são os gemidos dos zumbis que estão espalhados pela rua. Alguns dos sobreviventes estão em estado de choque, ainda não aceitaram o fato de que suas famílias, as pessoas que amavam foram transformadas em monstros canibais. Matheus tenta ligar para a casa de sua mãe, mas ela não atende, ele tenta 8 vezes, até que ela atende.
- alô?! – fala a mãe de Matheus.
- mãe?! A senhora está bem? Está num lugar seguro?! – pergunta Matheus.
- não! Se afastem! Não! – grita a mãe de Matheus ao ser, aparentemente, derrubada no chão.
Matheus escuta os gritos da mãe e alguns segundos depois, os gritos param, e um gemido roco toma conta. Ele também escuta o som de várias mordidas em algo pegajoso. Matheus larga o telefone. Bruno, que está do outro lado da sala, percebe que a ligação não foi boa, e vai até Matheus. Ele põe a mão esquerda no ombro direito do jovem.
- não conseguiu falar com tua mãe? – pergunta Bruno.
Matheus fica de cabeça baixa e em silêncio. Bruno pega o telefone e põe no ouvido, ele escuta a mesma coisa que Matheus, e solta o telefone, que bate na parede e fica pendurado pelo fio.
- bicho, escuta, essa pode não ser sua mãe, pode ser outra pessoa, entendeu? – fala Bruno.
- eu escutei a voz dela antes de começarem a devorá-la – fala Matheus – era ela.
- cara, eu não sei o que te dizer – fala Bruno.
- você não precisa dizer nada, só... Me deixa sozinho, beleza? – fala Matheus.
- beleza, mas se precisar de alguma coisa, de um ombro amigo pra chorar, é só chamar – fala Bruno, enquanto se afasta.
Matheus se afasta do grupo e vai para o primeiro piso do bar, onde se senta na cadeira do atendente, pega uma garrafa de tequila que estava debaixo do balcão, tira a tampa e começa a beber. Gabriel procura coisas úteis em algumas caixas no depósito, e encontra 2 quilos de maconha embalados em sacos plásticos.
- Nossa véi, oh Alice, vem cá – fala Gabriel tirando um dos quilos de dentro da bolsa.
Alice não responde, ele olha ao redor, mas não a encontra.
Alice está no primeiro piso, olhando pela janela a multidão de zumbis que toma conta das ruas. Ela se vira e vê Matheus se embebedando com tequila pura. Ela anda até ele.
- você tá bem? – pergunta ela.
- se eu estivesse bem, eu estaria bebendo tequila pura, e na garrafa? – pergunta Matheus.
- família? – pergunta Alice.
Matheus só balança a cabeça pra frente e pra trás, e então toma outro gole longo e depois põe a garrafa em cima do balcão. Alice pega a garrafa, toma gole.
- é...tô precisando disso também – fala ela e toma outro gole bem longo.
O clima geral no abrigo é de mais pura tristeza. Carlos vai até Mariana, que está sentada numa das janelas do segundo piso e olhando para o céu. Ele se aproxima dela e se escora na parede, ficando de frente com ela.
- como você está? – pergunta ele.
- do mesmo jeito que os demais estão – fala ela – abalada com a possível morte dos meus pais.
- você não demonstra isso, não da mesma forma que os outros – fala ele.
- demonstrar sentimentos e pensamentos é demonstrar fraqueza – fala ela.
- verdade, mas algumas vezes, não há nada de errado em derramar algumas lágrimas pela morte de seus entes queridos – fala ele.
- se é assim, por que você não chora? – pergunta ela, desviando o olhar do céu e olhando para Carlos, o olhar é penetrante e o deixa muito desconfortável.
- por que...todas as lágrimas que eu tinha pra derramar, já se esgotaram – fala Carlos.
- mentira, você só esconde seus sentimentos para não demonstrar fraqueza – fala ela.
- eu não escondo os meus sentimentos, eu simplesmente os converto em combustível para minhas ações – fala ele.
- como assim? – pergunta ela.
- cada crâneo que esmaguei, cada gota de sangue que derramei, cada pessoa que matei, eu usei meus sentimentos e minhas lembranças como fonte de força para fazer o que fiz – fala ele.
- hum...você só tá tentando escapar dos seus sentimentos – fala ela – eu já tentei fazer isso, mas aí vai uma dica: eles sempre vão te pegar.
- não á mim, eu fujo deles há mais de 5 anos – fala ele – eles nunca, jamais vão me pegar.
- ah vão...oh se vão – fala ela.
- o que você quer dizer com isso? – pergunta ele.
- eu quero dizer que quando eles te pegarem, vai ser uma pancada tão forte que vai destruir uma parte de você, isso se você continuar assim – fala ela.
- assim como? – fala ele.
- cheio de ódio, cheio de mágoa – fala ela.
- eu não tenho mágoa de ninguém – fala ele.
- tem sim – fala ela – eu te conheço só a um dia, mas só de te ver lutando, falando...principalmente quando envolve família, eu percebi que você tem um ódio imenso dentro de sí. Isso vai destruir uma parte de você se você continuar a guardar esse rancor.
- hum...tá certo, então o que você sugere? Que eu caia de joelhos e chore pelas pessoas que morreram ou que deixe que aqueles bastardos me devorem? – fala ele.
- não, Carlos, eu não sugiro que você desabe em lágrimas, ou se deixe morrer, pois os fracos fazem isso, e você não é um deles – fala ela – eu sugiro que você pense antes de falar.
- como assim? – fala ele.
- você disse que não há nada de errado em chorar pelas pessoas que ama, mas você não chorou por ninguém – fala ela – então, se você não chorou pelos seu entes queridos, não peça ás pessoas para que elas chorem pelas razões que você não chora.
- beleza – fala ele – só queria ajudar.
- há algumas coisas que uma pessoa deve fazer sozinha – fala ela – chorar e sofrer uma perda é uma delas.
- beleza, mas se quiser um...- fala ele até ser interrompido.
- um ombro pra chorar? – fala ela.
- não – fala ele – se precisar de um amigo, eu estou presente.
Carlos se afasta e seque para as escadas, Mariana o acompanha com o olhar. Lucas e Medeiros encontram uma televisão, a ligam no canal do jornal para observar as notícias.
- e mais um dia se passou, e mais infectados apareceram – fala o mesmo repórter do outro dia – general, qual a situação do exército brasileiro perante a infecção?
- o exército informa que está tudo sob controle, mas a ONU insistiu em enviar reforço para ajudar a combater a infecção – fala o general.
- mas se está tudo sob controle, por que a ONU decidiu intervir? – pergunta o repórter.
- a ONU só está um pouco preocupada, é apenas uma garantia, demonstrar afeto e preocupação com o povo brasileiro e principalmente com as famílias afetadas pela praga – fala o general.
Parte do grupo se reúne em frente á televisão, e prestam bastante atenção nas notícias, mas Carlos, Matheus, Alice e Mariana continuam a ignorar as notícias. Matheus e Alice bebem tequila, Mariana pensa em seus pais, e Carlos pensa em sua própria vida. Fernanda põe a comida pronta em cima de 3 mesas, são quase 30 hambúrgueres, 2 quilos de batatas fritas e várias garrafas de cerveja. Fernanda sobe as escadas e chama o grupo, que desce para o primeiro piso e pegam suas devidas refeições. O primeiro piso é tomado pelo grupo. Carlos vai até Mariana novamente, e ela ainda está sentada na janela, observando uma foto. Ele se aproxima, ela percebe.
- nem se aproxime – fala ela – pode voltar.
- por quê? – pergunta ele.
- por que eu não te quero aqui, não quero ninguém aqui – fala ela.
- por quê? – pergunta ele, enquanto se aproxima cada vez mais.
- por que... Por que...- gagueja ela.
- por que não quer mostrar seu lado sensível, não é? Não quer que as pessoas vejam o lado humano – fala ele.
- vai se foder – fala ela.
- você está totalmente fragilizada com isso...- fala ele.
- vai pra puta que te pariu – fala ela.
- ...e não quer que a vejam sem a pose de forte, você se esconde atrás de estrutura – fala ele.
- e você hein? Você também tá bastante fragilizado com isso, não está? – pergunta ela.
- um pouco – fala ele, parando de andar.
- agora me fala, como você se sente ao perceber que sua família deve estar morta? – pergunta ela.
- pra falar a verdade, minha avó e meu tio estão em Florianópolis, e tenho certeza de que meu pai sabe se virar nesse tipo de situação, logo, não estou muito preocupado – fala ele.
- mentira! – fala ela – você só está se escondendo atrás de estrutura, assim como eu, e tem entes queridos em perigo e que provavelmente irão morrer até o amanhecer!
- você está certa, eu tenho pessoas com as quais me importo, sim, algumas delas estão aqui, e sim estão em perigo – fala ele – e esse é um dos motivos da minha presença aqui. Em primeiro lugar vem o Saul, que é meu irmão só que de outra mãe, vem o Matheus, que é um dos meus amigos mais próximos, depois vem o Medeiros, que se tornou um parceiro, assim como o Lucas e o Marcelo, depois vem os meus colegas e depois vem o resto, os que eu simplesmente não dou a mínima.
- então por que você não pega esses seus amigos e dar o fora daqui? São eles que o prendem aqui não é, então dê o fora com eles e pronto – fala ela.
- bom, tem pessoas pelas quais eu estou criando... Certo sentimento e até... Algo que eu jamais quis criar – fala ele.
- como assim? O que você quer dizer com isso? – pergunta ela.
- eu não quero falar disso – fala ele.
- por quê? Tem medo que a pessoa te escute? – fala ele.
- não, eu tenho medo que ela não intenda o que eu sinto por ela e simplesmente considere o meu sentimento uma paixão passageira – fala ele.
- por que ela acharia isso? – pergunta ela.
- por que... As pessoas me veem como um maluco só de olhar pra mim, o que será que ela iria pensar se eu a olhasse nos olhos e dissesse que a amo desde a primeira vez que parei para observa-la? – fala ele.
- hum...você não pode pensar assim – fala ela – se todos pensassem dessa forma, bom...não haveria casais, nem namoros.
- talvez você esteja certa...mas enfim, a janta tá pronta então vamos logo antes que esfrie – fala ele.
- sabe, você vem aqui, eu desabafo contigo e você espera que a gente vá jantar como se nada tivesse acontecido? – pergunta ela.
- é, esse era o meu plano – fala ele – além do que, estou acostumado a participar de conversas desse tipo, agora vamos.
- espera aí, sua vez de desabafar – fala ela.
- desabafar? Eu? Tá doida? Eu nunca desabafei nem com meu pai, imagina com as pessoas daqui – fala ele – agora deixa disso e vamos jantar.
- não antes de você desabafar – fala ela – fala algo que te incomoda.
- algo que me incomoda? Ficar mais de 24 horas sem escutar minhas músicas e também fico bastante incomodado com pessoas que ficam perguntando coisas sobre mim, agora será que dá pra gente ir jantar? – fala ele.
- tá certo, mas depois a gente retoma essa conversa – fala ela.
- de jeito nenhum – fala ele.
- hum...você é estranho – fala ela.
- eu sei – fala ele.
Os dois descem a escadaria. Todos estão jantando. Medeiros vai até Carlos.
- ei, qual o plano? – pergunta Medeiros após tomar um longo gole de cerveja.
- sair da cidade enquanto ainda podemos – fala Carlos.
- como vamos fazer isso? – pergunta Medeiros.
- a gente pega um caminhão ou um ônibus, entramos nele e saímos daqui – fala Carlos – simples.
- cara, nada é simples quando se trata de infecções – fala Medeiros.
- bom, nesse caso é – fala Carlos – é só matar os infectados e tomar cuidado pra não contrair o vírus. Simples.
- beleza então – fala Medeiros – quando a gente vai voltar a andar?
- de manhã – fala Carlos.
- ei, o cara do primeiro, aquele amigo teu, o Matheus, ele tá mal, vei – fala Medeiros – ele fez uma ligação, e escutou a mãe dele morrer. O cara já tomou 2 garrafas de tequila.
- ele tá afogando as mágoas – fala Carlos – acho que na mesma situação, eu faria uma coisa pior do que beber.
- o que você faria? – pergunta Medeiros.
- sairia pela porta e passaria a noite toda matando zumbis, estilo the walking dead – fala Carlos.
- é...beleza que tu faria isso – fala Medeiros.
- é sério – fala Carlos.
- cara, vindo de tu, das duas uma: ou é mentira, ou é besteira – fala Medeiros.
- valeu cara, brigado mesmo... - fala Carlos.
Carlos termina o jantar, sobe para o segundo piso, se deita no chão, de costas pra janela e dorme. Matheus acaba dormindo sentado na mesa. Alice e Gabriel sobem para o segundo piso, escolhem um lugar e dormem um ao lado do outro. Os demais fazem o mesmo que Gabriel, Alice e Carlos, sobem para o segundo piso, encontram um lugar e dormem. Na manhã seguinte, Carlos acorda, olha as horas; são 6h12min. Ele se levanta, desce a escadaria, vai até a pia da cozinha e lava o rosto, porém, algo lhe chama a atenção; os gemidos dos zumbis parecem ter sessado. Ele rapidamente sobe a escadaria e vai até a janela. Ele observa a rua e não vê um único zumbi andando. Ele acorda Mariana.
- Mariana, Mariana acorda – fala ele enquanto a sacode de um lado para o outro.
- o que foi? – pergunta ela abrindo os olhos lentamente.
- os zumbis sumiram – fala ele.
- como assim sumiram?! – pergunta ela surpresa.
- eles sumiram, não há gemidos, não há cadáveres andando de um lado para o outro da rua e as pancadas na porta pararam – fala ele.
Mariana se levanta rapidamente e os 2 vão até a janela, e ela vê que Carlos estava certo, os zumbis sumiram. Ela pega sua katana, Carlos pega suas 2 machetes e os dois vão até a porta. Carlos começa a desfazer a barricada e alguns momentos depois, eles abrem a porta. A rua está morbidamente silenciosa.
- por que esses filhos da puta tendem a sumir do nada hein? É pra dar susto ou é uma tática pra nos pegar? – fala Carlos.
- sei lá – fala Mariana – mas eu não tô afim de descobrir.
- então somos dois – fala Carlos – vamos voltar pra dentro e preparar as coisas.
Carlos e Mariana voltam para dentro do bar, fecham a porta. Mariana prepara os equipamentos e Carlos acorda os demais. Todos se reúnem no térreo meia hora depois.
- pessoal, tivemos que antecipar nossa saída por que houve algo que não estava nos planos e apesar de parecer algo bom, é algo muito ruim – fala Carlos.
- o que aconteceu? – pergunta Elvis.
- os zumbis sumiram – fala Carlos.
- isso é ótimo – fala Alice – quer dizer, eles não irão nos perseguir.
- eu queria que fosse simples assim, mas nos filmes de terror, sempre quando o assassino some, assim do nada, das duas uma: ou ele é um dos amigos do mocinho, ou ele tá armando uma cilada – fala Carlos – e nesse caso, é a segunda opção, então vamos sair daqui e no mais profundo silencio, entenderam?
- ei, por que a gente não pega um carro e sai por aí atropelando esses zumbis? – pergunta Fernando.
- por que carro faz barulho e atrai mais deles – fala Carlos – e outro detalhe, é bem provável que os carros estejam fodidos.
- não dá pra ter certeza disso – fala Fernando.
- beleza, se você quiser arriscar, mas detalhe, vai ter que ser um caminhão ou um ônibus pra levar todo mundo – fala Carlos.
- é mesmo... Droga – fala Fernando.
- só uma pergunta, a gente vai ficar andando por aí sem um destino? Só saindo de um lugar se escondendo em outro? – pergunta Gabriel.
- esse é o plano – fala Carlos.
- isso não faz sentido, já que os zumbis não estão agrupados do outro lado da porta – fala Gabriel.
- na realidade, há um lugar de evacuação – fala Mariana olhando o site da ONU através do celular – e é no Porto Do Pecém.
- eh... acho que agora temos um destino – fala Carlos – vamos logo.
Carlos e Mariana ficam na frente do grupo. Mariana se encosta-se à parede e põe a mão esquerda no trinco da porta, e põe a mão direita no cabo da katana. Carlos se afasta um pouco, fica de lado empunhando as duas machetes e olha para José e Gabriel. José carrega uma pistola de airsoft, uma réplica exata da Colt .45 semiautomática modelo 1911, e Gabriel carrega um arco e prepara a flecha. Carlos olha para Mariana e balança a cabeça para frente, ela abre a porta, Carlos sai da frente, José e Gabriel são os primeiros a sair. Gabriel sai do bar e vira para a direita, não vê um único zumbi. José sai do bar e vira para a esquerda, e assim como Gabriel, não vê um único zumbi. Gabriel chama os demais fazendo gestos com a mão direita. Carlos e Mariana são os próximos a sair, seguidos por Medeiros e Lucas, depois Marcelo e Elvis, depois Bruna e Alice, Ítalo e Lucca, Larissa e Kamila, Bruno e Matheus, até que todo o grupo está na rua. Eles seguem pela direita. Gabriel cobrindo a frente e José cobrindo a retaguarda. Alguns momentos depois, eles veem uma zumbi ajoelhada no chão ao lado de um carrinho de criança, ela devora algo. Carlos chega mais perto, e pelo fato de não fazer barulho e de usar as orelhas de um zumbi para camuflar o cheiro, ele chega á 1 metro da zumbi e consegue identificar o que ela come. Ele volta para o grupo e segue pelo caminho á esquerda da zumbi, aproximadamente 4 metros de distância. Alguns passos depois, Ítalo vai até Carlos.
- cara, o que ela tava comendo? – pergunta Ítalo.
- era um bebê. Acho que era filho dela. As tripas do pirralho estavam todas de fora e derramando sangue – fala Carlos.
- caraca, que foda vei – fala Ítalo.
- Jesus, vocês são doidos? Como podem achar isso foda?! – pergunta Alice.
- bom, quem achou foda foi o Ítalo – fala Carlos -  eu só fiquei com fome quando vi aquela cena.
- puta que pariu, você é o cara mais doente que eu já conheci – fala Alice.
- obrigado – fala Carlos.
- sério que você disse isso? – pergunta Mariana.
- é sério – fala Carlos - me sinto lisonjeado, e obrigado mais uma vez pelo elogio, Alice.
- doente, vai se tratar menino – fala Alice.
- eu já fui normal uma vez e não gostei, então...preferi ser eu mesmo – fala Carlos.
- como o Beto diria agora: “você é doente meu filho, vá se tratar, vá. Você já deu uma fungada no aerossol hoje? Você já deu uma lavada no bichinho da sua namorada?” – fala Mariana.
- Beto Mendes? Esse Beto? – pergunta Carlos.
- é, esse mesmo, o chupeta de baleia – fala Mariana.
- sério que você teve aula com ele? – pergunta Carlos começando a rir.
- é, ele era professor de inglês lá na escola que eu estudo...ou melhor, estudava – fala Mariana.
- vocês vão falar disso nessa situação? Porra os seus pais estão mortos e vocês vão falar das aulas do Beto? – pergunta Alice.
- é, e daí? Tá ofendendo alguém? – pergunta Carlos.
- hum...cretino – fala Alice.
- obrigado novamente – fala Carlos – adoro ser elogiado, principalmente duas vezes no mesmo dia.
- ei, que porra é essa mah? – fala Gabriel olhando para o céu – que porra é essa mah! 
O grupo olha para cima e vê um imenso avião militar caindo rápido. Eles correm para a direção oposta. Em poucos segundos, o avião cai mais á frente na avenida, derrubando vários prédios e levantando uma imensa camada de poeira que deixa o grupo de sobreviventes sem noção de direção, e o barulho é ensurdecedor. Assim que camada de poeira se desfaz, eles olham para frente, e veem os destroços do avião, e tornam a andar naquela direção. Ao se aproximarem do avião jumbo, cujos destroços bloqueiam a avenida, eles as aproximam um pouco mais e veem vários corpos escorregando pela fuselagem destroçada do avião; são os corpos dos militares que estavam no avião. Mariana se aproxima de Carlos.
- e agora? – pergunta ela – por onde vamos?
- olhe ao redor – fala ele – estamos numa avenida, é só escolher uma rua que não esteja bloqueada pelos destroços...
Carlos segue á frente, seguido por Gabriel, Medeiros, Mariana, Alice, José e Fernanda, o resto do grupo vem logo atrás. Eles cruzam a avenida e são surpreendidos pelos zumbis, que aparecem aos montes. Carlos saca suas 2 machetes, Gabriel, Medeiros e José preparam suas armas, Mariana saca sua katana, Alice segura seu machado com as duas mãos, Fernanda se esconde atrás de José. Os zumbis saem de vários lugares, especialmente das inúmeras lojas e casas ao redor. O grupo se junta.
- o que vamos fazer agora? – pergunta Fernanda.
- vamos matar esses desgraçados! – fala José.
- não dá, eles são muitos – fala Mariana.
- concordo com a Mari, eles são muitos – fala Gabriel.
- cara, deixa de ser cagão puta por favor? – fala José.
- José, eles são muitos, a gente vai acabar morrendo aqui – fala Carlos.
Um pouco afastado da avenida, uma porta de garagem é aberta, e um sujeito sai na calçada.
- por aqui! Venham! É seguro! – grita o sujeito.
O grupo simplesmente vai em direção ao sujeito. Todos entram na garagem, que na verdade é uma oficina de desmanche. O sujeito que chamou o grupo se aproxima de Bruno.
- você é o líder, né? – pergunta a sujeito.
- não, bicho, o líder é aquele cidadão ali com as duas machetes – fala Bruno apontando para Carlos.
O sujeito anda até Carlos.
- então... Você é o líder desse grupo, certo? – pergunta o sujeito.
- sim, eu sou – responde Carlos.
- podemos conversar? – pergunta o sujeito.
- claro...- fala Carlos, observando os outros 3 sujeitos parados atrás do homem que fala com ele – mas a Mariana, o Matheus e o Gabriel virão comigo.
- eh...okay, se faz você se sentir melhor... – fala o sujeito esfregando as mãos unas nas outras – que assim seja.
A pequena parte do grupo é levada á outro cômodo do desmanche. Assim que o pequeno grupo passa pela porta, o sujeito que os convidou a entrar, usa um controle para abrir a porta da garagem, deixando os zumbis entrarem. O sujeito aperta outra vez o botão no controle e fecha a porta que separa a menor parte do grupo da maior parte. Fernanda, por ser a menor e a mais rápida, consegue correr e entrar na sala onde o pequeno grupo está, antes que a porta seja fechada. Assim que o cara fecha a porta, os outros 3 se aproximam dele. O homem da direita carrega uma marreta, um dos homens que estão no centro carrega 2 facas de açougueiro, o outro homem que está no centro pega uma machado de 2 lados e o sujeito da esquerda carrega uma motosserra. Carlos fica de frente com o sujeito que carrega um machado. Mariana fica de frente com o sujeito que carrega a motosserra. Matheus fica de frente com o sujeito que carrega a marreta. Gabriel fica de frente com o sujeito que carrega as duas facas de açougueiro. O sujeito com as duas facas corre para o interior e os demais se espalham. Os pares são formados. Fernanda tenta abrir a porta, enquanto escuta os gritos de seus amigos e os gemidos dos zumbis. Matheus começa a enfrentar o sujeito da marreta: o sujeito, que tem uns 1,90 metros de altura, tem músculos bem definidos, tenta acertar Matheus na cabeça com um golpe horizontal, mas Matheus desvia do golpe e acerta um soco nos testículos do sujeito, que se afasta. Gabriel corre atrás do sujeito que carrega as peixeiras, mas o perde de vista; Gabriel pega uma das flechas e se prepara para atirar enquanto procura pelo sujeito, que deve estar escondido entre as várias estantes cheias de peças metálicas; o sujeito corre sem fazer muito barulho, pois está descalço, então ele corre e corta Gabriel nas costas; Gabriel solta a flecha, cambaleia uma das várias estantes e se escora, enquanto procura o sujeito e sente a dor do corte. Mariana encara o sujeito com a motosserra.
- por que você não larga isso, hein princesa? – fala o sujeito – você pode se juntar ao meu grupo, o que acha?
Mariana avança e faz o primeiro movimento; ela corre até o sujeito e tenta um golpe horizontal na altura do estômago, mas o sujeito pula para o lado, faz um rolamento e fica de pé, á 1 metro de Mariana, e bem perto de um rádio. O sujeito se aproxima do rádio e o liga, e a música que começa a tocar é a versão instrumental de “Master Of Puppets”.
- agora vamos dançar – fala o sujeito.
O sujeito liga a motosserra e corre em direção á Mariana; ela se põe em posição de defesa, e impede o golpe em vertical para baixo que o sujeito faz; ela impede que a motosserra a toque, ela põe a lâmina da katana na frente da motosserra, pedaços minúsculos da katana começam a cair, e começa a sair faíscas. Carlos e o sujeito com o machado se enfrentam; o sujeito tenta um golpe em vertical que iria direto no crâneo de Carlos, mas ele impede o golpe ao cruzar as duas machetes, formando um “v”, e impedindo a trajetória do machado; logo em seguida Carlos acerta um chute no estômago do sujeito, que fica sem fôlego e se afasta; Carlos corre em direção ao sujeito e tenta um golpe horizontal com cada machete, ele tenta atingir o sujeito tanto pelo lado esquerdo quanto pelo direito, mas o sujeito desvia e tenta um golpe em diagonal para baixo e para a esquerda, mas acerta a machete de Carlos, que as solta devido ao impacto; o sujeito acerta outro golpe, mas Carlos dá um pequeno pulo para trás e por esse motivo leva somente um corte no peito. Matheus desvia dos vários golpes de marreta, deixando o sujeito cansado; Matheus se afasta um pouco do sujeito e vê, em cima de uma das prateleiras, um pequeno martelo pneumático, do que tipo que possui bateria como fonte de energia, ele pega o martelo e fica de frente com o sujeito e de costas com a estante onde estava o martelo; o sujeito grita, com raiva, e corre em direção á Matheus, o sujeito pula e tenta um golpe fatal na cabeça de Matheus, que desvia; o machado atinge a estante, fica preso, Matheus rapidamente atinge o estômago do homem com a ponta cortante do martelo, o sujeito se inclina para trás enquanto grita de dor; Matheus o atinge no globo ocular direito, calando-o permanentemente; o corpo do homem cai no chão após 2 segundos, ainda com a pequena furadeira enfiada na cavidade ocular direita; Matheus se agacha e observa, atentamente, o sangue escorrer de dentro da cavidade. Gabriel anda lenta e silenciosamente pelos corredores formados pelas várias prateleiras, á procura do homem com as facas; o homem, silenciosa e rapidamente, abre outro corte nas costas de Gabriel, que esbarra numa lata de gasolina, que se espalha pelo chão; Gabriel sente o cheiro. Matheus verifica os bolsos do homem que acabara de matar; encontra um maço de cigarros e um isqueiro; ele pega ambos e começa a andar pelos corredores formados por estantes. Gabriel se levanta e começa a andar, preparado para disparar a flecha que está segurando, ele sai do raio da poça de gasolina, enquanto que o sujeito anda, silenciosamente, na poça de gasolina. Matheus acende um cigarro, dá a primeira tragada e se engasga com a fumaça; ele olha a foto que está na outra parte do maço e vê um fígado destruído; ele olha para a direita e vê o sujeito andando lentamente, o sujeito carrega duas facas e não faz parte do grupo, então ele se aproxima lentamente e sente o cheiro de gasolina, ele olha para o chão e vê a enorme poça; o sujeito se prepara para arremessar a faca da mão direita nas costas de Gabriel; após esperar o sujeito passar e ficar de costas, Matheus joga o cigarro na poça de gasolina, aproximadamente a 3 centímetros do pé esquerdo do sujeito. As chamas começam e chegam na altura do peito do homem, que começa a gritar desperadamente; Gabriel se vira, assim que escuta os gritos do homem, e acerta uma flecha no peito do sujeito, que cai no meio das chamas e morre. Matheus se aproxima de Gabriel, que toma um susto ao vê-lo.
- você quer um? – pergunta Matheus oferecendo um cigarro á Gabriel – só tome cuidado por que, essas coisas costumam matar.
Mariana, que está em posição de defesa, desvia para o lado esquerdo assim que escuta a lâmina da katana se quebrar; ao desviar, a motosserra passa direto e atinge uma mesa que estava atrás de Mariana; ela acerta um chute atrás do joelho do sujeito, que cai no chão ajoelhado; logo em seguida, ele pega um “pé de cabra” e acerta Mariana na perna direita, ela cai no chão com a mão no lugar onde fora atingida; o sujeito se levanta, lentamente e usando a mesa para se apoiar.
- nossa! Já conheci unas putas bem violentas, mas você superou todas! – fala o sujeito com o pé-de-cabra na mão.
Mariana olha para frente e vê o pedaço pontiagudo da lâmina da katana; ela pega o pedaço e o aperta com tanta força que causa vários cortes profundos na mão esquerda; ela se levanta com dificuldade e anda até o sujeito, que tenta acerta-la com um golpe na cabeça, mas ela está com tanta raiva que seus reflexos ficaram mais aguçados e ela segurou o pé-de-cabra, parando o golpe, então ela põe o pé-de-cabra para o lado direito, e usando a mão esquerda, ela, rapidamente, enfia o pedaço da lâmina no pescoço do sujeito, mais precisamente, num ponto um pouco abaixo do maxilar; o homem cai no chão e começa a agonizar. Carlos encara o homem com o machado.
- você realmente acha que algum de vocês vai sair vivo daqui? Pense de novo – fala o sujeito.
Carlos observa o que o cerca; ele vê as várias estantes, vê um serrote numa estante que está á uns 5 metros de distância; Carlos olha para o sujeito, que olha para o serrote; Carlos presta atenção nas pupilas do sujeito, e quando ele percebe que o homem está olhando para o serrote, ele corre para a direção oposta, onde está o pequeno incêndio arquitetado por Matheus. Carlos corre rápido e é perseguido pelo sujeito que carrega o machado; Carlos escorrega numa poça de óleo diesel e cai de costas no chão, esmagando sua mochila; o sujeito chega á Carlos e ergue o machado, pronto para Matar Carlos, quando do nada uma flecha fura a garganta do homem, e ele cai no chão; Carlos se levanta, observa o corpo e percebe que a flecha atingiu o homem pelas costas. Carlos olha para a direção de onde veio, e vê Gabriel e Matheus, ambos parados no corredor. Ele começa a andar em direção á ambos.
- belo tiro – fala Carlos.
- eu sou foda cara, eu sou O Cara! – fala Gabriel.
- não fique tão cheio de sí – fala Carlos.
- quem é humilde, é por que não é bom o bastante; e quando se é bom o bastante e se sabe disso, pra que esconder por baixo da humildade? – fala Gabriel.
- beleza, arrow, vamos logo ajudar o pessoal e sair dessa merda de lugar – fala Carlos.
O pequeno grupo se reúne na porta que dá acesso á rua, e finalmente, Fernanda consegue abrir a porta, mas é tarde para algumas pessoas; assim que ela abre a porta, alguns entram , poucos, logo em seguida Fernanda e Matheus fecham a porta.
- em quantos estamos agora? – pergunta Carlos – Medeiros, Lucas, Bruno, Alice, Ítalo, Marcelo, Elvis, Bruna e José. Mais Mariana, Gabriel, Matheus, Fernanda e...eu. 14.
- precisaremos de um abrigo – fala Fernanda.
- eu conheço um lugar – fala Mariana olhando os pedaços de sua katana.
- é perto daqui? – pergunta Carlos.
- fica á 5 quarteirões – Carlos.
- é melhor tratar dos nossos sangramentos antes – fala Gabriel.
- não precisa, o lugar é perto, e mesmo que atraia, bom, sempre há a possibilidade de matarmos os mais próximos e deixarmos os corpos como uma camuflagem – fala Mariana – basta deixar os corpos na frente do portão.
- mas...vai ser fácil assim? – pergunta Ítalo.
- claro que não – respondem Carlos e Mariana ao mesmo tempo.
- achei que não – fala Ítalo – mas cara, é melhor dar um trato nos cortes...por garantia.
- ele tá certo – fala Fernanda – vai ser rápido.
- tanto faz, contanto que seja rápido – fala Mariana.
- beleza, Elvis e Fernanda, vocês podem tratar dos cortes aqui? – fala Carlos.
Carlos tenta abrir o casaco, mas o zíper está destruído, então ele põe força e quebra o resto. Gabriel tira o casaco e tira a camisa polo de cor vermelha, mostrando os cortes. Mariana tira a luva da mãe esquerda, mostrando os vários cortes na mão. Fernanda põe a mochila no chão, abre-a e tira algumas coisas de dentro; ela retira uma pequena garrafa plástica com álcool, uma agulha e um pedaço de linha. Elvis põe sua mochila em cima de uma mesa e retira um pacote de algodão, ataduras, um remédio antibiótico e um remédio anti-inflamatório. Carlos tira a camisa, mostrando o corte no meio do peito. Fernanda começa a examinar a mão de Mariana.
- cacete! Mariana, seus cortes são pequenos e são muitos, vai levar um tempinho – fala Mariana.
- então nesse caso, eu passo – fala Mariana se afastando e colocando a luva – eu espero até chegarmos a um lugar seguro.
- esses cortes estão sangrando, vai atrair a atenção dos zumbis...- fala Fernanda.
- que se foda! – grita Mariana.
Todos olham para Mariana, e ela se afasta do grupo e vai até o cadáver do sujeito que quebrou a lâmina de sua katana. Ao se aproximar do corpo ensanguentado do homem, ela pega o pé-de-cabra que ele estava usando e começa a andar até a porta. Ela se escora na parede ao lado, esquerdo da porta e cruza os braços. Elvis põe um pouco de água oxigenada no algodão e entrega a Carlos.
- limpa aí o lugar – fala Elvis preparando a agulha.
- você não vai fazer o que eu acho que vai, né? – pergunta Carlos.
- sim, eu vou costurar esse corte – fala Elvis.
- puta que pariu...isso é mesmo necessário? – pergunta Carlos.
- sim, é necessário – fala Elvis – agora limpa essa porra pra eu poder costurar.
Carlos começa a limpar o corte. Ele faz careta a cada vez que o algodão molhado com água oxigenada toca o corte. Ele termina de limpar a ferida, e assim que ele para, Elvis pega a agulha com linha e fica de frente com ele.
- fique firme, não trema, não mexa um músculo – fala Elvis – agora se deita naquela mesa.
Elvis tira a bolsa de cima da mesa, põe a bolsa no chão e Carlos se deita com o corte para cima.
- Medeiros, Lucas, segurem ele – fala Elvis – essa porra vai doer pra caralho. Ah, quase esqueci, Ítalo, cala a boca dele.
- macho, o que tu vai fazer? – pergunta Carlos.
- vou te costurar – fala Elvis – vai doer pra caralho, tu com certeza vai gritar e vai ficar se mexendo, aí eu não conseguiria trabalhar, e ainda por cima chamaria a atenção daquelas coisas mais do que o necessário.
Medeiros segura as pernas, Lucas segura os braços e Ítalo mantém as mãos fechando a boca de Carlos. Elvis começa a costurar, e a cada vez que a agulha entra na pele Carlos, ele tenta gritar e se soltar, mas não consegue. Gabriel está na mesma situação, mas quem o segura são Matheus, Bruno e Alice. Algum tempo depois, quando Fernanda e Elvis terminam de costurar os cortes de Gabriel e de Carlos, eles começam a preparar seus materiais, enquanto que José pega mais materiais que estão no desmanche ilegal. Carlos se agacha em frente á sua mochila, e ao abri-la, ele puxa o casaco e a camisa extra que trouxe, mas assim que ele tira as roupas, ele vê que as demais coisas que trouxe, como garrafas com agua, barras de cereal e chocolates estão esmagados. Carlos ignora, fecha a mochila e veste a camisa cinza e põe o casaco de couro avermelhado por cima. Ele fecha o casaco, põe a mochila nos ombros e vai até a motosserra do sujeito que Mariana matou. Ele pega a motosserra e vai para a porta da garagem. José pega alguns martelos e alguns pregos. O grupo vai para a frente da porta, Carlos pega o controle.
- José e Gabriel, vocês vão na frente, depois Lucas e Bruno – fala Carlos apertando o botão e abrindo a porta da garagem – preparem-se, eu não quero saber de erros.
A porta abre completamente, José e Gabriel vão na frente, ambos matando os zumbis. José usa 2 colt 45 de airsoft, e Gabriel usa seu arco. Logo depois que José e Gabriel saem da garagem e chegam á rua, Lucas e Bruno seguem em direção á saída; Lucas carrega uma arma de paintball que foi modificada para disparar balas mais rápidas, porém, as balas que são disparadas não são bolas de borracha com tinta dentro, são bilas e pequenas esferas de metal de fabricação caseira. Bruno carrega um machado de lenhador, modelo que corta de ambos os lados e tem a parte de ferro cromada e o cabo de madeira muito resistente. Enquanto que os 4 que saíram na frente dão cobertura, Carlos e Mariana tiram o grupo da oficina. Mariana e Carlos são os últimos a passarem pela porta da garagem, e ao passar pela porta e ver seus amigos mortos e prestes a se levantarem, o olhar, os movimentos e até mesmo a respiração de Carlos muda, ele demonstra uma face que nunca demonstrou em público antes, e Mariana percebeu isso, ela vai até ele e o puxa pelo braço. A mão que Mariana usa para puxar Carlos é a mesma que possui um corte, e deixa manchas de sangue no casaco. Mesmo com o sentimento ruim causado pelas mortes de alguns amigos seus, Carlos ignora o que sente e tira seu grupo da oficina e Mariana os guia pelas ruas. Levam quase 3 horas para cruzar os quarteirões, e ele finalmente chegam á casa de Mariana, após cruzar 10 quarteirões lotados de zumbis, eles irão passar a noite numa bela casa de 3 andares. Mariana vai na frente, e ao se aproximar dos portões, um sujeito surge na janela, e ele aponta uma escopeta de 2 canos para Mariana, que simplesmente faz um sinal de “ok” para ele, que abaixa a arma, sai de perto da janela e apenas alguns segundos depois, chega ao portão, abre a grade e deixa o grupo entrar. O sujeito que abril o portão usa uma jaqueta amarela com detalhes pretos e brancos, tanto na parte da frente do casaco quanto na parte de detrás está escrito “Ijiek Racing”, no ombro esquerdo há o número 4 desenhado e no ombro direito há o logotipo da Kodoya, legível e bem chamativo; assim que o grupo passa pelo portão, o sujeito arrasta o corpo da empregada e põe na frente do portão, camuflando o odor que atrai os zumbis. Ao chegarem á sala, Elvis se senta no sofá, e observa a mordida que levou enquanto passava por um prédio; ele andava apressadamente quando um zumbi o agarra e morde seu braço. Carlos se senta ao lado de Elvis.
- você sabe o que vem agora, não sabe? – fala Carlos – vai acontecer mais cedo ou mais tarde.
Elvis abaixa a cabeça. Gabriel vai até os 2 e oferece cigarros, ambos feitos com a maconha encontrara no bar. Carlos pega um, e Gabriel o acende. Ele dá uma boa tragada, olha para o cigarro, e depois olha para o vazio. Elvis pega um dos cigarros, acende e dá uma longa tragada. Gabriel se afasta, ele vai para a cozinha, conversar com Alice.
- então, quer que seja agora, ou só quando você se transformar? – pergunta Carlos como se matar Elvis e decidir o número de parcelas de um determinado produto fossem a mesma coisa.
- eu...quero ser eu mesmo até o fim – fala Elvis.
- certo – Carlos olha para o relógio na parede que está em frente ao sofá, são exatamente 12h35min – ás 19h35min esteja pronto, eu te prometo que vai ser rápido.
Carlos se levanta, Elvis fica de cabeça baixa, olhando para o vazio e fumando o cigarro. Carlos começa a andar pela casa. Ele vai até a varanda do segundo piso, e fica observando os zumbis que estão na rua, se aproximando da casa. Mariana vai até ele.
- sabe, eu sinto certa inveja deles – fala Carlos – eles não sentem dor, seja emocional ou física. É impossível machucar os sentimentos deles.
Mariana fica ao lado esquerdo de Carlos.
- eu, só...queria que acabasse a dor – fala Carlos – eu sempre achei que quando as pessoas morressem, a dor passaria, mas...só fez aumentar. Agora eu tenho certeza de uma coisa, eu jamais conseguirei tirar vocês dessa cidade.
- agora não é a hora de duvidar de suas habilidades – fala Mariana.
- que habilidades? – fala Carlos – a minha habilidade é basicamente matar, seja meu amigo ou meu inimigo, eu sempre vou acabar te matando.
- você não pode controlar tudo ou todos que estão ao seu redor – fala Mariana – a diferença entre um bom líder, e um mau líder, é que o bom líder sabe lidar com as situações, e o mau líder se deixa abater pelo fato de que não consegue controlar o que está ao seu redor.
- hum...então nesse caso, eu sou um péssimo líder – fala Carlos.
Ítalo chega á varanda, atrapalhando a conversa.
- Carlos! Carlos! O Matheus sumiu! – fala Ítalo extremamente nervoso.
- como é que é? onde ele foi? – pergunta Carlos.
- eu não sei, mas acho que foi pra casa da mãe dele, fica á uns quarteirões daqui – fala Ítalo.
- porra! Eu e você vamos lá agora! – fala Carlos.
- beleza, vamos! – fala Ítalo.
Carlos e Ítalo descem as escadas, passam pelo portão, e ao cruzar a rua, Carlos olha para Mariana por alguns segundos e depois corre para acompanhar ítalo. Algum tempo depois, eles chegam á casa de Matheus; a porta está totalmente aberta e há manchas de sangue nas paredes. Carlos entra na frente, cautelosamente, ítalo entra logo depois de Carlos. Eles andam até a cozinha, e encontram Matheus ajoelhado ao lado do corpo deformado de sua mãe. Matheus está com suas roupas cobertas de sangue, e usa um par de luvas de MMA. A expressão no rosto de Matheus não é raiva, ou de tristeza, seu olhar é apenas vazio. Carlos e Ítalo simplesmente não sabem o que falar. Eles pegam o amigo pelos braços e o levam de volta para a casa de Mariana. Algum tempo depois de saírem da casa de Matheus, eles chegam á casa de Mariana, e já são 14h00min. Carlos e Ítalo se sentam á mesa para almoçar o que sobrou da refeição. O sujeito que abrira o portão se senta ao lado de Carlos.
- então, você é o namorado da minha irmã, né? – pergunta o sujeito.
- eu? Namorado da Mariana? Não, acho que você se enganou – fala Carlos.
- não...ela te observa de uma forma diferente da forma que observa os demais – fala o sujeito – á propósito, meu nome é Felipe, eu sou o irmão mais velho de Mariana.
- meu nome é...- Carlos tenta falar mas é atrapalhado.
- Carlos, ela me disse muita coisa sobre você – fala Felipe – olha, se ela me disser que está namorando contigo, eu vou aceitar, por que eu gostei do que ela me disse, você é um cara sensato, escuta a voz da razão na maior parte do tempo, e isso é bom.
- obrigado, eu acho – fala Carlos.
- de nada – fala Felipe, enquanto se levanta da cadeira e sai da cozinha.
Algumas horas depois, Elvis morre devido ao vírus. Fernanda verifica os batimentos cardíacos, a respiração, mas percebe que Elvis realmente morreu. Carlos entra no quarto, e usando sua machete, acerta 2 golpes no crâneo de Elvis, impedindo que ele se torne um zumbi. Após o barulho do crâneo sendo destruído. Os gemidos que os cadáveres ambulantes emitem passam a ser o único barulho a ser feito nessa noite no mínimo trágica para alguns. Enquanto que Carlos, Fernanda e Alice prestam um minuto de silêncio em memória á Elvis, Matheus e Ítalo assistem á um dos filmes que encontraram no quarto de Felipe, “Batman, O Cavaleiro Das Trevas”. Na parte em que o Coringa explica para um mafioso o motivo de ter cicatrizes na boca, Matheus, inexplicavelmente, começa a sorrir, e o sorriso é no mínimo macabro. Alguns minutos depois, exatamente ás 19h25min, Carlos, Saul, Marcelo e Felipe carregam o corpo de Elvis, que todo enrolado num lençol, e o colocam num freezer, que fica na dispensa e que era usado para guardar as bebidas do pai de Mariana e de Felipe. Assim que Marcelo fecha a porta freezer, ele abaixa a cabeça, triste pela morte de um amigo de longa data. Alguns momentos depois, todos se reúnem na enorme cozinha para jantar. Enquanto jantam, Carlos anota alguns coisas em uma caderneta, e Alice percebe.
- o que você tá anotando aí? – pergunta Alice enquanto leva uma colher cheia de arroz com lasanha até a boca.
- nada demais – fala Carlos enquanto coloca a mão que segura o lápis na testa e olha obcecadamente para a caderneta.
- você nem tocou na comida – fala Saul observando o prato ainda em perfeito estado que está na frente de Carlos.
- eu tô meio ocupado agora – fala Carlos.
- eu tô tentando entender essa merda, e com vocês falando fica difícil – fala Carlos.
- você tá perdendo seu tempo com algo que todos sabemos – fala Mariana, que está sentada ao lado direito de Carlos – todos sabem como começa uma infecção.
- é, eu sei, mas quem disse que isso é uma infecção? – pergunta Carlos – pelo que eu sei, isso pode ser até mesmo uma porra de praga bíblica, já que esse ano o mundo acaba, e vocês sabem que essa merda atingiu o mundo inteiro, não sabem?
- como é que essa merda atingiu o mundo? – pergunta Alice – quer dizer, além de serem lentos pra caralho, como que eles saíram do país?
- Alice, as pessoas são estúpidas, entende? Um cara foi infectado, entrou num avião, contaminou as pessoas do avião, que por sua vez contaminaram as pessoas ao seu redor, e nessa escala, contaminaram várias outras ao redor do mundo – fala Carlos – ou simplesmente o responsável por tudo isso liberou o que quer que tenha causado isso em vários locais do mundo.
- certo, como essas coisas funcionam? – pergunta Bruna – quer dizer, é como nos jogos? Eles “acordam”, mordem alguém que acaba se tornando um deles, ou é espalhado pelo ar?
- se fosse espalhado pelo ar, nós já estaríamos mortos – fala Carlos – até agora, o que eu tenho certeza, é que as mordidas transmitem o vírus ou bactéria. Eu vi o Elvis ser mordido. Ele caiu enquanto corria, e quando se levantou, um zumbi o agarrou e o mordeu no braço. A mordida do filho da puta foi tão forte, que arrancou um pedaço do braço do Elvis. Isso foi exatamente ás 11h25min, correto? Elvis morreu ás 19h15min, logo, são 7 horas e 50 minutos que o causador da doença leva pra matar o hospedeiro. O mesmo com o Claudiano. Ele foi mordido quase no mesmo período do dia, e se transformou quase no mesmo período da noite. Tanto Elvis quanto Claudiano foram mordidos.
- o Claudiano desmaiou, passaram-se 20 minutos, e saímos do ônibus – fala Alice.
- então são 8 horas e 10 minutos que temos para matar qualquer um de nós for infectado – fala Carlos.
- como assim matar um de nós? Quer dizer se o Marcelo for infectado, você vai mata-lo? – pergunta Fernanda.
- sim, eu vou – fala Carlos – por que ele já estará morto no momento em que for mordido, e mesmo sendo amigo dele, eu não vou deixar ele me matar, ou matar os outros.
O silêncio toma conta da casa após esse comentário. Os gemidos dos mortos aparentam ficar mais altos e frequentes. O som atormentador vem da escuridão do lado de fora da casa, vem das ruas escuras e sem vida. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário