Sexo,
Drogas, Rock n’ Roll e Zumbis
Capítulo
Um: O Fim Antecipado.
Capítulo
Dois: O Dia Em Que A Terra Parou.
Capítulo
Três: Gemidos Na Escuridão
Capítulo
Quatro: Esperança.
Capítulo
Cinco: Nunca Sozinho.
Capítulo
Seis: O Que Vem Debaixo.
Capítulo
Sete: Mais Um Dia, Mais Zumbis.
Capítulo
Oito: Chega De Zumbificações.
Capítulo
Nove: Dividir E Conquistar.
Capítulo
Dez: Onde Começou, Deverá Terminar.
Capítulo
Onze: Acordado E Vivo.
Capítulo
Doze: Fé.
Capítulo
Treze: Mudanças.
*Capítulo Um: O Fim Antecipado.
Carlos
Soares, um adolescente de 17 anos, um cara não muito conhecido na escola, está
numa sala com mais alguns alunos dos segundos e primeiros anos do ensino médio,
tanto da tarde quanto da manhã. Todos estão fazendo provas simuladas do ENEM. É
um sábado de sol. O colégio está calmo, silencioso. O porteiro da entrada
principal escuta várias pessoas correndo e gritando. Ele tenta olhar o que é,
mas só os vê passando pela frente da escola, e correndo bastante. De repente, um
sujeito todo ensanguentado encosta de bruços e cabeça baixa no portão, o
porteiro se afasta institivamente para trás por conta do susto. Ele se aproxima
do sujeito.
- você
está bem? – pergunta o porteiro, enquanto se aproxima do portão.
O
porteiro abre o portão e o sujeito pula em cima dele. Ambos vão ao chão. O
sujeito morde o porteiro no pescoço, atingindo a jugular. O porteiro solta um
grito extremamente alto; quem estava perto da entrada principal, seja professor
ou qualquer outro funcionário da escola, ouviu e foi até o portão para ver o
que havia acontecido, e quando chegaram ao portão, vários outros indivíduos os
atacaram á base de mordidas. Um dos zeladores conseguiu escapar do ataque e
correu até a coordenação do ensino fundamental II gritando que havia vários
monstros atacando os funcionários. Os monstros começam a andar pela escola. O
sujeito começa a correr em direção á entrada secundária. A sala da coordenação
do ensino fundamental I é tomada pelos monstros, e todo e qualquer ser humano
que estiver ali, com certeza, já morreu. Basicamente, com os gritos
estupidamente altos do zelador, toda a escola já sabe que há algo errado. Os
coordenadores do fundamental II saem da sala e ficam debruçados sobre o
parapente do segundo piso, tentando ver o que estava acontecendo. Eles veem
vários indivíduos andando devagar, cambaleando e em grande número. Todos sujos
de sangue. Os indivíduos, alguns deles, começam a subir para o segundo piso, o
coordenador Claudiano se aproxima de um deles.
- quem
são vocês e o que querem aqui? – pergunta Claudiano.
Os
sujeitos só andam em direção á ele.
- afastam-se!
– fala Claudiano, enquanto saca uma pistola ponto 40 e a aponta para os zumbis.
Os
indivíduos não param de andar.
Claudiano
atira na perna de um deles, o indivíduo apenas começa a arrastar a perna. Ele
atira novamente no peito do sujeito, atingindo o coração, o sujeito não para de
andar. Claudiano descarrega a arma, mas não consegue matar nenhum deles. Os
indivíduos matam um dos coordenadores e começam a andar em direção ás salas.
Claudiano corre para a escadaria secundária do segundo piso, tentando fugir dos
zumbis. Todos os alunos do ensino médio estão em pânico. Os zumbis chegam á
sala 30, onde estão os seis primeiros alunos de cada uma das turmas do primeiro
e segundo ano, manhã e tarde. Um dos zumbis entra na sala e ataca o professor: ambos
vão ao chão e o zumbi morde o professor, que fica gritando histericamente. Carlos
observa o sujeito e vê que o ele está muito pálido. Um dos alunos do segundo
ano manhã, Alex Silveira, se levanta da cadeira e tira o indivíduo de cima do
professor. O sujeito cai no chão, fica entre a porta e a parede. Carlos se
levanta e corre até a porta: ele corre e se joga em cima da porta, o sujeito
recebe uma pancada bem forte ao ser esmagado entre a porta e a parede, mas
parece que não foi nada, o homem continua de pé e tentando entrar na sala.
- alguém ajuda aqui, por favor! – grita
Carlos, enquanto tenta fechar a porta enquanto que outro zumbi tenta invadir a sala.
Alex e
outros dois garotos do segundo ano manhã o ajudam a prender a porta, um dos
garotos, Daniel, ele empurra o sujeito com o pé pra fora da sala. Alex, Carlos
e Fernando conseguem fechar a porta. Daniel pega a chave da sala, que estava em
cima da mesa do professor e tranca a porta. O zumbi tenta entrar, mas só consegue
quebrar o vidro da porta. Quem está perto da porta consegue perceber que o
sujeito é um zumbi, pois o rosto do cara está totalmente rasgado, os olhos dele
estão totalmente brancos e olhando para cima.
- dia z... Quem diria – fala Carlos
- macho,
o professor acabou de morrer e tu dizes essa porra de teoria de conspiração?! –
fala Alex.
- beleza, Paulo, então me diz: o que come
carne humana, não respira, não tem pulso e tem olhos brancos que vivem virados
para cima?!Responde-me, seu merda! – fala Carlos.
-
eu não sei porra! Deve ser alguma droga que os deixa doidos, sei lá, mas essas
coisas não são zumbis! – fala Alex enquanto anda nervosamente de um lado para o
outro da sala.
-
então abre a porta, deixe que ele entre – fala Carlos pegando uma caneta que
está em cima da mesa de Alice – abre a porra da porta e demonstro que esse
desgraçado não está vivo; Daniel abre a porta.
-
ei cara, você tem certeza de que quer fazer isso? – pergunta Daniel, enquanto
olha para o zumbi tentando derrubar a porta.
-
tenho, agora abre essa merda e se afasta – fala Carlos se preparando pra atacar
o zumbi.
Daniel
destranca a porta e abaixa o trinco, abrindo-a. o zumbi entra com tanta
violência, que Daniel cai no chão, sentado. O zumbi se prepara para se abaixar
e morder Daniel, mas Carlos se apressa e enfia a caneta no pescoço do zumbi,
que nem se afasta, só tenta agarrar e morder Carlos, que se afasta rapidamente.
-
viram?! – grita Carlos enquanto aponta para o zumbi com uma caneta presa no
pescoço – ele nem se afastou, ou gritou ou tentou me impedir... Apenas levou o
golpe.
-
isso não é possível – fala Alex – isso não é possível.
-
é possível sim – fala Carlos – eu acabei de fazer na frente de vocês todos!
O
zumbi tenta morder Carlos, mas Daniel se levanta e, por instinto, quebra o
pescoço do zumbi, que cai no chão, mas continua a movimentar a mandíbula,
tentando morder alguma coisa.
-
viram? – fala Carlos – o Daniel acabou de quebrar o pescoço dele, e ele
continua vivo!
Alice
sai da primeira fila e vai para perto de sua amiga, Bruna, que está na última
cadeira da quarta fila, no fundo da sala.
-
você tá nos dizendo que isso é um dia Z e que nós vamos ter que enfrentar essas
coisas? – pergunta Alex.
-
é, isso mesmo – responde Carlos.
-
como vamos mata-los já que estão mortos?! – pergunta Alex.
-
simples – responde Carlos enquanto pega outra caneta na mesa de Alice –
acerte-os com toda a sua força na cabeça deles, forte o bastante pra acabar com
o cérebro.
Carlos
segura atrás do crâneo do zumbi, e enfia totalmente a caneta no olho direito.
Sai sangue, porém, o sangue já está coagulado. Carlos se levanta e sai da sala.
Ao sair da sala, ele vê Claudiano, correndo em direção ás salas, com um grupo
de alunos e segurando uma arma.
-
vamos, todos por aqui – fala Claudiano – se ficarmos dentro dessa parte da
escola estamos a salvo!
-
Claudiano! – grita Carlos, indo em direção á Claudiano e os demais alunos que
estavam na sala saindo – Claudiano temos problemas sérios.
-
eu percebi, esses indivíduos estão tão drogados que não sentem dor – fala
Claudiano – e estão mordendo as pessoas.
Claudiano
mostra uma mordida no braço direito. Carlos já sabe, Claudiano está infectado;
mais cedo ou mais tarde, ele se tornará aquilo que enfrentou. Carlos vai até o
parapente do segundo piso e olha para o pátio.
Todas as entradas e saídas de todas as salas foram tomadas por pequenos
grupos de zumbis. De repente, um barulho imenso é feito. Carlos e Claudiano
correm para o outro lado do segundo piso, que dá vista para a outra entrada da
escola. Assim que eles chegam ao outro lado, eles veem uma picape de quatro
portas prateada parando no pátio. A picape está coberta de sangue, os portões
da entrada secundária estão no chão, e vários zumbis entram na escola. Três
pessoas saem de dentro da picape: o professor de geografia, Bruno Magalhães; o
professor de historia do Brasil, Caio Vieira; e uma pessoa aparentemente um
pouco mais jovem, magra, do físico de uma jovem de dezesseis a dezoito anos,
empunhando com as duas mãos uma katana, vestindo uma calça jeans azul manchada
de sangue, uma jaqueta de couro avermelhado também manchado de sangue, um par
de tênis esportivos brancos e manchados de sangue, usando um par de luvas
pretas também manchado de sangue e usando uma máscara de hockey manchada de
sangue. Carlos e Claudiano seguem até as escadas, que dão acesso ao pátio e
esperam os três sobreviventes. Bruno sobe na frente, a pessoa desconhecida sobe
em seguida e Caio sobe por último. Bruno veste uma camisa polo marrom, calça
jeans azul e sapato social bico fino. Caio veste uma camiseta de mangas curtas
verde, calça jeans preta e sapato esportivo branco.
-
como vocês chegaram aqui ilesos? – pergunta Claudiano.
-
tivemos ajuda de uma aluna minha lá do colégio do centro – fala Bruno – ela é
boa com lâminas.
-
e é sabe muito sobre essas coisas – completa Caio.
-
temos que sair daqui – fala Carlos – essas coisas não possuem muita força, mas
estiverem em grupos grandes, serão um grande problema.
-
ele tá certo – fala a moça mascarada – temos que tirar o maior número possível
de pessoas daqui o quanto antes.
-
como vão fazer isso? – pergunta Bruno – há varias dessas coisas espalhadas pela
escola.
-
com um pequeno grupo, podemos conseguir – fala a mascarada.
-
quem seria louco o suficiente de ir nessa missão suicida? – pergunta Caio.
-
eu sei onde podemos arranjar reforços – fala Carlos.
-
onde? – pergunta a mascarada.
-
eu conheço uma galera do ensino médio que provavelmente estará disposta a lutar
contra essas coisas – fala Carlos.
-
então vamos recrutá-los – fala a mascarada.
Carlos
e a jovem de mascara vão correndo até os alunos, do outro lado do segundo piso,
e os professores os seguem. Ao chegarem à multidão, Carlos vai até um grupo,
que é formado por Matheus, Ítalo, Lucca, Manoel, Alan, Kamila e Larissa.
-
pessoal preciso da ajuda de vocês – fala Carlos, respirando ofegantemente após
ter corrido.
-
pra que? – pergunta Ítalo.
-
eu e a... Qual o seu nome mesmo? – pergunta Carlos.
-
Mariana – responde a mascarada.
-
eu e a Mariana vamos tentar atrair a atenção dos zumbis e dar um tempo pros
demais fugirem da escola – fala Carlos – quem se habilita?
-
eu vou – fala Ítalo num tom de felicidade.
-
eu também – fala Lucca, no mesmo tom que Ítalo.
-
podem contar comigo – fala Matheus.
-
ótimo, agora vamos pelo refeitório, deve haver facas lá – fala Carlos.
O
quinteto desse lentamente as escadas que dão acesso ao refeitório. Eles entram
no lugar e não veem um único ser se movendo, concluem que está seguro.
-
ítalo – fala Carlos num tom de sussurro – pega todas as facas que puder
encontrar e traz pra cá.
-
beleza – fala ítalo também num tom de sussurro indo para a pia pegar as facas.
Ítalo
pega uma bacia cheia de facas de cozinha e põe em cima de uma mesa. Carlos pega
duas, Lucca pega duas, Matheus pega duas, ítalo pega duas.
-
ótimo, agora alguém abre a porta, quando os demais saírem, fecha a porta, leva
as demais facas pro resto dos alunos, arma os que puderem e depois fica aqui de
olho, por que vão sair por aqui, entendeu Lucca? – fala Carlos.
-
por que eu? – pergunta Lucca.
-
por que eu confio em você, agora vamos – fala Carlos.
Lucca
abre lentamente a porta. Mariana é a primeira a sair, seguida por Carlos, Ítalo
e Matheus. Assim que os quatro saem, Luca fecha a porta e faz como planejado.
Os zumbis sentem o cheiro de Carlos e de seu grupo e seguem em direção ao
grupo. Carlos lidera o quarteto. Primeiro, eles entram na sala que controla as
músicas da escola. Carlos vai até o painel de controles e o prepara para uso.
-
tem certeza de que quer fazer isso? – pergunta Mariana.
-
tem alguma ideia melhor? – pergunta Carlos enquanto prepara o equipamento.
-
isso pode atrair zumbis de outros lugares – fala Mariana.
-
é, mas eles são lentos e burros – fala Carlos - podemos passar por eles sem nem
precisar correr.
-
pode ser – fala Mariana – mas no livro que eu li, eles possuem audição
extremamente sensível. Sem falar no nariz, que pode cheirar á incríveis
distâncias.
-
pra isso também tem jeito – fala Carlos conectando o celular no painel de
controle – basta matar alguns deles, e deixar os corpos por perto.
-
você também leu o... – pergunta Mariana.
-
Manual de sobrevivência dia Z? Eu tenho uma cópia na minha mochila – fala Carlos
– sou aficionado nisso.
-
eu também! – fala Mariana – eu te abraçaria agora, mas não dá.
-
eu entendo – fala Carlos.
Carlos
põe uma música de Heavy Metal para tocar. Os zumbis escutam e vão para a
quadra, de onde vem o barulho.
-
ei, tá funcionando – fala ítalo – eles estão se afastando e indo para a quadra.
-
ótimo, agora vamos achar um transporte que leve todo mundo – fala Carlos.
-
quando eu vinha, eu vi três ônibus estacionados no estacionamento embaixo das
árvores – fala Matheus.
-
vai ser neles mesmo – fala Carlos – não temos outra opção.
-
eu não sei dirigir – fala Mariana – alguém sabe?
-
porra – fala Matheus - o Claudiano, o Bruno... É só chamar eles.
-
tu acha que vai dar tempo? – fala Ítalo – quer dizer, os que estão fora da
escola estão escutando o barulho e vindo, cada vez mais. Não vai demorar muito
pra ficarmos presos.
-
eu tive uma ideia – fala Mariana – eu tenho um amigo que dirige desde os treze.
Em outras palavras, um arrombado.
-
liga pra ele – fala Carlos.
-
quem dera eu estivesse com meu celular – fala Mariana.
Ítalo
tira o celular do bolso e entrega a Mariana.
-
valeu – fala ela enquanto digita o número de seu amigo.
O
sujeito atende ao telefone.
-
alô – fala o indivíduo.
-
ei, eu tô aqui no guri – fala Mariana – tu pode vir pra cá?
-
eu já tô indo – fala ele – espera uns dois minutos.
-
ah, mais uma coisa – fala Mariana – não precisa trazer carro, já tem um aqui.
-
mudança de planos – fala ele – onde você está?
-
eu tô em frente á quadra – fala Mariana.
-
aquenta aí – fala ele.
Mariana
sai da sala, fica no pátio, acompanhada de Carlos, Ítalo e Matheus. Bem longe,
na entrada secundária da escola, uma picape preta, de duas portas, rodas
grandes, vidro fumê, para-choque personalizado entra pelo portão derrubado,
atropelando vários zumbis e quebrando vários jarros e bancos, segue pelo pátio
até a quadra. O carro para na frente do grupo. Sai de dentro da picape, um
sujeito alto, usando uma calça preta, um tênis esportivo preto, camisa
vermelha, empunhando um porrete manchado de sangue. O sujeito anda lentamente
até o grupo.
-
cheguei atrasado? – pergunta ele.
-
chegou na hora, Gabriel – fala Mariana.
-
onde você conseguiu um desses? – pergunta Carlos.
-
meu presente de dezoito anos – fala Gabriel.
-
legal – fala Ítalo.
-
vamos ao que é importante: ítalo, você vai chamar os outros. Os demais, comigo
– fala Carlos.
Ítalo
volta para o refeitório. Carlos, Matheus, Mariana e Gabriel seguem para o
portão, fugindo e matando os zumbis. Ao chegarem ao portão, eles veem os três
ônibus parados no estacionamento. Os quatro cruzam a rua e chegam aos ônibus.
Carlos é o primeiro a entrar no ônibus mais próximo. Ele entra já preparado
para esfaquear o primeiro zumbi que visse. Logo após Carlos, entra Matheus, que
dá cobertura. Logo após, entra Gabriel, que já procura a chave. Mariana entra por
último, e fecha a porta do ônibus. Os zumbis sentem o cheiro deles, e seguem
para o ônibus. Mariana fica ao lado de Gabriel, dando cobertura. Carlos e
Matheus revistam o ônibus. Não encontram zumbis dentro do ônibus.
-
tá limpo – fala Carlos.
-
só falta a chave – fala Gabriel.
-
olha lá, aquele não é o motorista? – fala Matheus apontando para o zumbi
vestindo roupa de motorista embaixo da árvore.
-
vou lá perguntar – fala Mariana.
Mariana
sai do ônibus, corta fora a cabeça do motorista um golpe rápido e verifica os
bolsos. Os zumbis se aproximam cada vez mais. Carlos desce do ônibus,
acompanhado de Matheus.
-
Matheus, verifique o ônibus ao lado, veja se há alguma chave ou motorista –
fala Carlos – eu dou cobertura pra Mariana.
-
beleza – fala Matheus.
Enquanto
que Matheus vai ao outro ônibus, Mariana encontra a chave do primeiro ônibus e
volta apressadamente para dentro do mesmo. Ela entrega a chave para Gabriel,
que dá partida e verifica se o tanque está cheio.
-
estamos prontos! – fala Gabriel.
-
ótimo, Matheus, achou alguma coisa? – grita Carlos.
-
esse segundo ônibus tá no esquema, tanque cheio, chave na ignição e tá vazio! –
grita Matheus.
-
então pronto, ponham esses ônibus virados para o sentido do centro e deixem
encostados na portaria da escola! Eu vou chamar os demais – fala Carlos.
Carlos
corre de volta para a escola, e ao chegar à portaria, dá de cara com o grupo.
Ele sinaliza com as mãos, e o grupo corre para os ônibus. Os alunos se batem,
passam por cima uns dos outros, se derrubam tentando entrar nos ônibus. 20
alunos morrem só no percurso entre a portaria e os ônibus. Alguns segundos
depois, os ônibus saem do estacionamento. Carlos liga para o celular de seu
amigo Saul, que está no mesmo ônibus que Mariana e Gabriel.
-
alô – fala Saul.
-
passa pro Gabriel – fala Carlos.
Saul
entrega o telefone para Gabriel.
-
alô – fala Gabriel.
-
precisamos de mais armas, sugere algum lugar? – pergunta Carlos.
-
eu não conheço nenhum, mas a Mari conhece – fala Gabriel – vou passar pra ela.
Gabriel
entrega o celular para Mariana.
-
fala – diz Mariana.
-
você sabe onde podemos encontrar armas? – pergunta Carlos.
-
tem uma loja no centro que vende facas, espadas, tudo que possa abrir algum
corte – fala Mariana – eu posso te levar até lá.
-
beleza, vou passar o celular pro Matheus – fala Carlos.
Carlos
entrega o celular para Matheus.
-
sei, conheço o lugar – fala Matheus – beleza então, falou.
Matheus
desliga o celular.
-
e ai? – pergunta Carlos.
-
é uma loja lá no centro que vende qualquer coisa que possa cortar – fala
Matheus – eu sei onde é.
-
então vamos direto pra lá – fala Carlos.
Durante
o trajeto, eles veem várias cenas de embrulhar o estômago: pessoas sendo comidas
por zumbis, sangue tomando conta das ruas, carros destruídos, policiais
tentando matar os zumbis e várias outras cenas de caos. Alguns minutos depois,
eles chegam á loja. Carlos liga para Saul.
-
fala – diz Saul.
-
põe em vivia-vos – Fala Carlos.
Saul
põe no vivia-vos, assim como Carlos.
-
é o seguinte: eu preciso de mais três pessoas fortes pra me ajudar a carregar
as armas. Quem se habilita? – pergunta Carlos.
-
oh, só uma pergunta: por que você é o líder? – pergunta Caio – você [e só um
pivete.
-
então tá, Caio o que você sugere? – fala Carlos – pegar essas armas, nos
trancarmos num shopping Center, nos sentarmos e esperarmos a morte?
-
olha você não sabe nada sobre tomar decisões – fala Caio – é muito novo.
-
e daí? Eu sou novo, mas eu tirei vocês da escola, não tirei? – fala Carlos –
não tirei?!
Caio
fica calado.
-
então cala a boca, ou ajuda a fazer alguma coisa útil – fala Carlos – voltando
ao assunto, quem vem me ajudar?
Ninguém
responde.
-
então tá, Daniel, Bruno, Raphael e Joanderson, vocês tem força, então vão me
ajudar a carregar as armas – fala Carlos – Mariana, Ítalo, Lucca e Claudiano,
vocês dão cobertura. Entenderam?
-
sim! – responde cada pessoa citada.
Carlos
é o primeiro a descer do ônibus da frente, seguido por Raphael, Joanderson, Daniel
e Bruno. Mariana é a primeira a descer do segundo ônibus, seguida por Lucca,
Ítalo e Claudiano. Enquanto que o primeiro grupo entra na loja e pega tudo que
sirva como arma, o segundo grupo dá cobertura. Um pequeno grupo de zumbis se
aproxima dos ônibus.
-
eu cuido deles, vocês fiquem de olho, ok? – fala Mariana.
Ela
corre e corta fora a cabeça do primeiro. O segundo tenta agarra-la, mas ela
desvia para o lado direito do zumbi, corta fora ambos os braços, gira trezentos
e sessenta graus e corta fora a cabeça dele. O terceiro se aproxima, e ela
simplesmente enfia uma parte da lâmina na cabeça do zumbi, matando-o
instantaneamente, então ela empurra o corpo dele com o pé direito. Sobraram
mais três zumbis: um para em diagonal á aproximadamente um metro, outro para em
diagonal a aproximadamente três metros e o último em linha reta a
aproximadamente cinco metros. Mariana corre em direção aos dois primeiros, e
com dois golpes certeiros, mata-os. Quando chega ao último, ela gira trezentos
e sessenta graus, fica bem próxima do zumbi, e usando o movimento giratório
aplicado á velocidade normal de seu braço, ela facilmente corta fora a cabeça
do zumbi, que é arremessada á meio metro do corpo, que cai no chão. O celular
de Mariana recebe uma ligação. Ela atende.
-
alô – fala Mariana.
-
nossa como é bom ouvir sua voz – fala a pessoa que ligou.
-
digo o mesmo – fala Mariana – eu estou num grupo de sobreviventes que está indo
pro Shopping do parque do cocó. Tá afim?
-
claro que sim! – fala a pessoa – eu vou pra lá agora. Encontra-me no
estacionamento que fica perto da loja de roupas no segundo piso. Vou levar uns brinquedinhos
comigo.
-
ótimo, já estou indo – fala Mariana e assim que termina de falar, desliga o
celular.
Mariana
volta para os ônibus. Em uns trinta minutos, o grupo de Carlos já limpou a loja
que vendia armas de combate corpo-a-corpo e já limpou também uma loja vizinha
que vendia roupas e acessórios para motoqueiros. Todos entram nos ônibus e
seguem para o Shopping Center do parque do cocó. No que em um dia normal
levaria apenas alguns minutos, aquilo levou horas. O simples ato de ir do
centro para o parque do cocó levou das 13:57 ás 20:48. O ônibus chega á entrada
do estacionamento, mas é muito alto. O estranho é que não há sinal de nada que
se move nem zumbis nem humanos, o lugar exterior do Shopping está deserto.
Carlos desce do ônibus, já empunhando uma machete na mão direita. Ele dá uma
rápida olhada ao redor dos ônibus e não há sinal de movimentos ou gemidos. Os
zumbis não estão por perto. Ele chama o grupo dele e o grupo de Mariana com a
mão esquerda. Os grupos se reúnem em frente á uma entrada no nível térreo do
Shopping.
-
certo, Mariana, você e o seu grupo seguirão pelo caminho da direita, explorem
aquela área do Shopping – fala Carlos – eu e meu grupo vamos pela esquerda, em
direção á praça de alimentação e vamos ver se há alguma coisa, humano ou zumbi,
que possa ser útil ou ser prejudicial. Fique de olho no celular.
-
espera, um amigo meu está aqui – fala Mariana – ele está perto da loja de
roupas no segundo piso.
-
ele sabe se defender e é confiável? – pergunta Carlos.
-
sim para o primeiro e com certeza para o segundo – responde Mariana.
-
ótimo então você patrulha o segundo piso, eu e meu grupo vamos patrulhar o
térreo – fala Carlos – entenderam?
Todos
fazem sim com a cabeça. O grupo de Carlos entra no andar térreo. O grupo de
Mariana sobe pelo estacionamento até o segundo piso. Carlos é o primeiro a
entrar no Shopping; ele segura uma machete. Logo atrás vem Daniel, segurando
uma clava cheia de espinhos. Logo em seguida vem Bruno segurando um machado,
depois Raphael empunhando uma machadinha e por fim Joanderson empunhado duas
adagas. Eles vasculham o andar térreo em aproximadamente uma hora. Ao chegarem
à praça de alimentação, eles encontram manchas de sangue no chão. O sangue está
fresco. Carlos levanta o punho, todos entendem como sinal de pare. Carlos vira
o rosto para o lado direito, aponta para Daniel e Bruno, e aponta para a parte
da praça onde ficam os jogos de fliperama. Ambos entendem e seguem lentamente
para o lugar. Logo em seguida, Carlos aponta para Raphael e Joanderson e aponta
para o fim da praça de alimentação, em linha reta para a esquerda. Eles também
entendem e seguem cautelosamente. Carlos segue reto e vai pelo outro lado do
lugar, verificando cada loja, cada balcão. A situação é tensa. O pulso de
Joanderson treme sem parar, Daniel soa como se estivesse usando uma roupa de
couro em uma sauna, Raphael respira ofegantemente, Carlos sente falta de ar,
Bruno anda a passos extremamente lentos e demorados. Carlos abre a porta do
banheiro masculino e verifica cada centímetro do lugar. Não encontra o
proprietário da poça de sangue localizada na entrada da praça de alimentação.
Carlos sai do banheiro masculino e abre a porta do banheiro feminino. Ao abrir
a porta, ele vê uma cena de revirar o estômago de algumas pessoas: uma criança
de aparentes nove anos está devorando o intestino e as tripas de seu aparente
pai, cujo rosto está congelado numa expressão de terror e desespero. Carlos não
espera ela se levantar, e enfia, com toda a sua força e vontade, a lâmina da
machete na cabeça da criança zumbificada. A lâmina vai da testa ao maxilar.
-
morre! – grita Carlos – morre! Morre! Morre! Morre!
Carlos
grita enquanto ataca freneticamente o cadáver da criança. O seu grupo chega
onde ele está e vê a cena toda: Carlos está atacando freneticamente a criança
com golpes destruidores e monstruosos. Ele de repente para, olha para o
espelho, vê o seu grupo horrorizado com tanta violência e brutalidade e vê a sí
mesmo, com manchas imensas de sangue na camisa e no rosto. Ele limpa parte do
sangue que está no rosto com a manga do casaco e se vira para seu grupo.
-
acharam alguma coisa? – pergunta Carlos.
O
grupo fica estático, olhando para ele.
-
que foi? – pergunta Carlos, como se nada de estranho tivesse acontecido.
O
celular dele começa a tocar. Ele tira do bolso e atende.
-
alô? – fala Carlos.
-
ei man, o lugar tá seguro? – pergunta Saul.
-
o térreo tá. Falta o resto. Depois eu ligo – fala Carlos e assim que termina de
falar e desligar, antes que possa colocar o celular no bolso, ele toca
novamente.
-
alô – fala Carlos.
-
onde você tá? – pergunta Mariana.
-
eu tô no banheiro da praça de alimentação do térreo – responde Carlos.
-
tô chegando – fala Mariana, e desliga.
Carlos
guarda o celular no bolso e anda em direção á porta, para, volta para perto do
corpo do pai da criança, enfia uma parte da lâmina no crâneo do sujeito,
impedindo que este volte como zumbi e volta a andar em direção á saída.
-
vamos, temos mais coisas pra fazer – fala Carlos.
Carlos
passa pelo grupo e anda em direção ás lojas. Ao chegarem á parte das lojas,
eles veem Ítalo correndo em direção á eles. Ítalo empunha uma Katana manchada
de sangue. Ele está respirando ofegantemente.
-
Carlo, estamos com problemas – fala Ítalo enquanto tenta recuperar o fôlego.
-
quem morreu? – pergunta Carlos.
-
ainda ninguém – fala Ítalo – mas se não tiver reforço, vai.
-
beleza, onde estão? – pergunta Carlos.
-
uns zumbis atacaram os ônibus, eles precisam de ajuda – fala Ítalo.
-
então vamos logo – fala Carlos.
O
grupo segue para a loja de roupas, no segundo piso, que dá acesso ao
estacionamento onde o ônibus está. Em alguns segundos eles chegam ao
estacionamento. O grupo vai até a parte do estacionamento onde os ônibus estão.
Carlos chega ao parapente e observa que os ônibus estão totalmente cercados por
zumbis. O grupo de Mariana tenta combate-los, mas são muitos. Carlos observa
que há uma saída de emergência no teto do ônibus. Ele sobe no parapente e pula
em cima do ônibus e vai até a saída de emergência. Ele tenta abrir, mas não
consegue. Ele olha para Bruno, que segura um machado.
-
Bruno, vem cá – fala Carlos.
Bruno
pula o parapente e cai em cima do ônibus. Ele vai até Carlos.
-
arrebenta essa porta – fala Carlos apontando para a saída de emergência.
Bruno
acerta algumas machadadas na porta com toda a sua força. São uns cinco golpes
para arrebentar. Quando a porta cai, ele se abaixa para ajudar os demais a
subirem no teto do ônibus, e Carlos os ajuda a subir o parapente. Daniel troca
de lugar com Carlos. Mariana e seu grupo matam o máximo de zumbis que podem.
Carlos olha para o outro ônibus, a saída de emergência está no teto está
aberta, mas ainda há zumbis em volta do ônibus. Ele pula para o segundo ônibus.
Carlos chega á saída de emergência, olha para dentro do ônibus, não vê os
alunos. Devem ter entrado no shopping. Carlos entra no ônibus, vê Claudiano,
infelizmente, zumbificado. Carlos se prepara. O zumbi vem lentamente em sua
direção. Carlos acerta um golpe horizontal com a machete que acerta o pescoço
de Claudiano. Corta até a metade do osso. Ele empurra Claudiano para trás com p
pé direito, desprendendo a machete, e ataca novamente Claudiano, da mesma forma
que antes, porém dessa vez, Claudiano é decapitado. Carlos pega uma das sacolas
que serviam como lixeiro. Algum tempo depois, Carlos sai lentamente de dentro
do ônibus, carregando uma sacola azul na mão esquerda, e a machete na mão
direita. Há algo se mexendo dentro da sacola. Mariana está no segundo piso do
estacionamento, esperando-o. Ele pula o parapente e começa a andar em direção á
loja, acompanhado de Mariana. O grupo de alunos e professores está reunido na
fonte, que fica abaixa da loja de roupas que dá acesso ao estacionamento, e em
frente á uma loja que vende vários tipos de produtos. Todos estão falando alto
e assustados com a situação. Carlos e Mariana descem as escadas, se viram e
andam mais um pouco, até que ambos ficam de frente com a multidão. Alguns
segundos depois, a multidão se cala, e é estabelecido um silencio quase
sepulcral no lugar. O silencio dura aproximadamente sete segundos, até ser
rompido pela voz de um aluno.
-
cadê o Claudiano? – pergunta a voz oriunda da multidão.
Carlos
põe a machete no chão e continua a segurar a sacola.
-
o que eu achei dentro daquele ônibus não era o Claudiano – fala Carlos – o que
eu achei e matei naquele ônibus era um ser vil e asqueroso que não pensaria
duas vezes antes matar a mim ou a qualquer outro aqui presente.
Carlos
enfia a mão na sacola e retira a cabeça de Claudiano, ainda tentando morder
algo.
-
foi isso que encontrei dentro do ônibus – fala Carlos enquanto exibe a cabeça
decapitada de Claudiano.
As
pessoas ali presentes viram os olhares ou cobrem a boca para não vomitar.
-
isso é o que acontece com quem é mordido, ou até mesmo arranhado por alguma
dessas coisas – fala Carlos.
Carlos
solta a cabeça decapitada, que cai no chão e rola até os pés de Mariana, que
está á direita. Ela observa que o zumbi ainda tenta morder, então ela enfia a katana
num ponto um pouco acima da orelha, atingindo o cérebro e matando
permanentemente o zumbi.
Capítulo Dois: O dia Em Que A Terra
Parou.
Joanderson
fica á frente da multidão, na frente de Carlos.
-
Carlos, nós queremos ir buscar nossas famílias – fala Joanderson.
-
fora de questão – fala Carlos – é muito perigoso. Liguem para suas famílias. Os
que atenderem estão vivos, os que não atenderem estão mortos.
-
você não entendeu – fala Joanderson – nós não pedimos sua autorização, nós o
avisamos.
-
vocês querem morrer? – pergunta Carlos – por que é isso que vai acontecer com
vocês se saírem daqui desse jeito.
-
nós sabemos nos cuidar – falar Joanderson – não se preocupe.
-
você realmente acha que vai conseguir chegar á sua casa, pegar sua família e
trazer pra cá? – pergunta Carlos – acorda! Essas coisas já devem ter tomado
toda a cidade!
-
sim! – grita Joanderson – eles são nossos pais e nós vamos pelo menos tentar
resgata-los, caso não tenhamos êxito, bom...foi a vontade de Deus.
-
hum...- fala Carlos enquanto se senta no chão, escorado á uma das vitrines e
cruzando as pernas – se vocês querem ir, vão...não vou impedir nem nada do
tipo. Querem enfrentar milhares desses malditos? Sintam-se á vontade, só não
contem comigo.
-
ótimo – fala Joanderson – vamos pessoal!
Joanderson
começa a andar em direção á saída que dá acesso ao estacionamento, e várias
pessoas vão com ele. Só quem fica no shopping são Ítalo, Carlos, Mariana, o
amigo de Mariana e Saul. Carlos se levanta e anda até Mariana, que está lavando
sua Katana na fonte.
-
por que você não foi resgatar seus pais? – pergunta Carlos.
-
não tive essa oportunidade, se é que você me entende – responde Mariana.
-
infectados? – pergunta Carlos.
-
destroçados – fala Mariana – meu pai foi partido ao meio e minha mãe foi
devorada até os ossos enquanto corria em direção ao meu pai.
-
nossa, foi chocante pra você? – pergunta Carlos.
-
o que você acha? – pergunta Mariana – eu não fiquei exatamente feliz com isso.
-
bom, você não demonstra estar afetada com isso – fala Carlos.
-
só os fracos demonstram o que sentem e o que pensam – fala Mariana.
-
boa frase – fala Carlos.
-
e você? – pergunta Mariana.
-
eu o que? – pergunta Carlos.
-
por que não foi buscar seus pais? – pergunta Mariana.
-
por que...eh...uh...já devem estar mortos – fala Carlos.
Carlos
se senta na fonte, de frente com Mariana. Ele observa ela lavar a lâmina da
espada. A lâmina brilha ao entrar em contato com a luz. Mariana retira a
máscara. Carlos observa cada detalhe: cabelos loiros, lisos e na altura dos
ombros, pele branca, olhos castanhos, lábios carnudos. Logo em seguida ela tira
o casaco e as luvas, ficando de camiseta: braços um pouco definidos, seios
avantajados, corpo atlético, unhas vermelhas. Mariana estrala os dedos, e
percebe que Carlos a observa.
-
é feio olhar as pessoas desse jeito – fala ela.
-
de que jeito? – pergunta Carlos.
Mariana
olha para o zíper da calça de Carlos, olha para o rosto dele e levanta a
sobrancelha.
-
opa! – fala Carlos, levantando-se e ficando de costas – desculpe.
-
contanto que não aconteça novamente – fala ela, voltando a limpar a Katana.
Carlos
anda apressadamente até Saul, que está escutando música no volume máximo e
fingindo que está tocando a música que está a escutar. Saul está sentado no
banco, do outro lado da fonte. Carlos se senta ao lado do amigo.
-
Saul? Saul. Saul! – fala Carlos.
Saul
não escuta. Carlos chega bem perto do ouvido de Saul.
-
Filho da puta! – grita Carlos.
-
que foi? – pergunta Saul quanto tira os fones dos ouvidos.
-
o que você acha da Mariana? – pergunta Carlos.
-
quem é Mariana? – pergunta Saul.
-
olha pra trás – fala Carlos.
Saul
olha para trás e vê a garota. Ele olha para o amigo.
-
cara...- fala Saul – eu pegava.
-
eu sei...ela tem o tipo de corpo que faz um homossexual repensar sua orientação
sexual – fala Carlos – e tem cérebro, opinião...
-
você tirou todas essas conclusões de uma conversa de quinze segundos, né? –
fala Saul.
-
né – responde Carlos – mas quinze segundos foram suficientes pra saber que ela
não é cabeça oca.
-
vou fazer duas observações, primeira: vai falar com ela, se aproxima. Segunda:
você pensa em namorar em pleno dia Z?! – fala Saul – você tem merda na cabeça?
-
sim para a primeira, sim para a segunda – fala Carlos – e depende para a
terceira.
Carlos
se levanta e olha ao redor da fonte: ele vê uma loja que vende vários tipos de
mercadorias á frente, vê uma pequena lanchonete á esquerda, uma farmácia na
diagonal esquerda para trás, uma loja de bijuterias na diagonal direita para a
frente e algumas máquinas de academia á direita. Ele vai até a farmácia,
senta-se na cadeira do atendente, liga o computador, entra no facebook, no
youtube e no site da imprensa local. O amigo de Mariana vai até Carlos. O
sujeito fica de pé ao lado direito de Carlos.
-
e ai cara, qual o teu nome? – pergunta Carlos.
-
meu nome é José – fala a sujeito – e o seu?
-
Carlos – fala Carlos – prazer em te conhecer.
-
igualmente – fala José – alguma notícia?
-
tô vendo agora – fala Carlos – chama os outros, por favor?
-
claro – fala José.
José
sai da farmácia e chama os demais, que se reúnem ao lado de Carlos: ítalo fica
agachado ao lado esquerdo de Carlos, Mariana fica agachada ao lado direto, Saul
e José ficam de pé atrás da cadeira de Carlos.
-
achei alguma coisa – fala Carlos clicando num vídeo.
O
começa a ser exibido:
Um
repórter entrevista um general do exército.
-
então, como o senhor explica a situação do país? – pergunta o repórter – os
mortos estão voltando á vida, e como o senhor explica esse fato?
-
minha central de inteligência me informou que essa situação está sob controle –
fala o general – minhas tropas estão barrando o avanço da infecção. A situação
está sob total controle.
-
então não há nada de ruim no fato de que o vírus já tomou todo o nordeste do
país? – pergunta o repórter.
-
estamos realizando operações de resgate e estamos erradicando os infectados –
fala o general – tenho certeza de que em poucas horas a infecção será não
apenas contida, mas erradicada do mapa e de nossas vidas...mas até lá, eu aviso
ás pessoas que estão nos assistindo: não saiam de suas casa por nada. Não tente
resgatar seus entes queridos pois você pode acabar sendo morto. Esperem o
resgate e façam o possível para se manterem vivos. As estações de resgate estão
localizadas nos centros das cidades. Tenham uma boa noite.
O
vídeo acaba. Carlos olha para Saul, olha para José, olha para ítalo e depois
para Mariana.
-
eh...acho que vamos ter que sair daqui de um jeito ou de outro – fala Carlos.
-
é, mas vamos esperar os outros – fala Mariana.
-
como queira – fala Carlos – José, você tem alguma arma que sirva para matar
zumbis?
-
tenho unas armas de paintball na minha mala – fala José.
-
balas de tinta não atravessam ossos – fala Carlos.
-
há...as minhas armas não disparam balas de tinta – fala José – eu troquei as balas
de tinta por bilas e deixei a preção no máximo.
-
hum...acho que isso talvez vai funcionar – fala Carlos – vamos testar?
-
agora? – pergunta José.
-
é – fala Carlos – descontrair um pouco.
-
legal...tô nessa – fala ítalo.
-
caras, vocês são todos psicopatas ou o que? – pergunta Saul.
-
não somos psicopatas, só gostamos de matar zumbis – fala Carlos – além do que,
preciso fazer alguma coisa para relaxar.
-
eu também vou – fala Mariana – preciso exercitar meus golpes.
-
perfeito! – fala Carlos – Saul, só falta você.
-
esqueceu que eu tenho rinite, sinusite e asma? – fala Saul.
-
cara, a gente só vai atirar neles – fala José – além do que eles são muito
lentos. É impossível você ser mais lento do que eles.
-
rapaz...não duvide da minha capacidade de lerdeza não – fala Saul – você poderá
se surpreender.
-
chega de conversa – fala Carlos – vamos logo pegar as armas e nos divertirmos
um pouco.
Todos
ficam de pé, e José os guia até duas malas imensas que estão do outro lado da
fonte, oposto á farmácia. José fica de joelhos, abre a mala da esquerda. Está
cheia de armas de paintball. Então ele abre a da direita. Está cheia de sacos
com bilas. José entrega a primeira para Mariana, a segunda para Ítalo, a
terceira para Carlos, a quarta para Saul e fica para sí a quinta. Cada um dos
cinco pega três sacos de bilas.
-
em cada são há vinte e cinco bilas – fala José – são no total de setenta sacos
que eu trouxe, então há munição de sobra.
-
verdade – fala Carlos enquanto põe munição em sua arma – e o bom é que são
reaproveitáveis né?
-
com certeza – fala José.
O
grupo vai direto para a saída que dá acesso ao estacionamento. o lugar está
extremamente escuro.
-
quem vai na frente? – pergunta Carlos.
Ninguém
responde.
-
hum...eu vou – fala Carlos.
Ele
vai na frente, seguido por Mariana, José, ítalo e Saul. Pela primeira vez, o
lugar está silencioso. Eles andam até chegarem á cerca que divide o espaço do
shopping com o da rua e veem vários zumbis andando, veem vários carros
destruídos, veem muitas poças de sangue no asfalto e na calçada. Carlos mira
numa senhora idosa, zumbificada, que anda cambaleando para um lado e para outro
da rua. Ele atira na cabeça da senhora, que cai no chão, morta.
-
headshot – fala Carlos.
Os
zumbis que estão próximos do grupo escutam o barulho e vão em direção á grade.
Eles ficam tentando atravessar a grade, mas não conseguem.
-
hum...alvos fáceis – fala Mariana enquanto começa a atirar nos que estão
tentando atravessar a grade.
Ítalo
se junta a Mariana e ambos matam os zumbis que tentam romper a cerca. Saul e
José matam os zumbis que estão se aproximando. Carlos mata os que estão mais
distantes. Passam-se alguns momentos, e todos os zumbis que estavam nas
proximidades estão mortos. O grupo volta para a fonte. Carlos se senta na beira
da fonte e põe a arma em cima das pernas. Mariana se senta ao lado direito de
Carlos e fica lavando as mãos na fonte. José se senta ao lado de Mariana, ítalo
se senta ao lado de Augusto e Saul fica de pé.
-
olha, foi divertido – fala Carlos.
-
com certeza – fala José – o Saul até roubou algumas Kills minhas né?
-
eu num roubei Kill de ninguém – fala Saul – você que não foi rápido o
suficiente.
De
repente, as pessoas começam a chegar, correndo dos zumbis. Joanderson e Raphael
são os primeiros da multidão. Gabriel é o último a passar pela porta, então ele
a tranca, impedindo que os zumbis passem.
-
estão todos bem? – pergunta Joanderson.
O
grupo está menor. Carlos se levanta e vai até Joanderson.
-
foi a vontade de Deus o grupo chegar aqui em menor quantidade? – pergunta
Carlos – encontrou os pais deles? Encontrou seus pais?
-
sim, nós encontramos – fala Joanderson - e eles...eles...
-
eram zumbis, correto? – pergunta Carlos – você deixou metade do grupo morrer para
confirmar uma verdade. Como você se sente? Hum? O seu Deus deixou a sua
consciência limpa?
Joanderson
acerta um soco no rosto de Carlos. Carlos vira o rosto com o impacto. Ele fica
calado por três segundos.
-
agora é minha vez – fala Carlos.
Ele
acerta um soco na garganta de Joanderson, que cai de joelhos no chão, com a mão
na garganta e tentando respirar. Raphael se prepara para acertar um soco nas
costas de Carlos, mas Matheus segura o punho de Raphael, acerta-lhe uma
joelhada no estômago. Raphael cai no chão. Alice puxa uma faca do bolso e se
prepara para esfaquear Matheus, mas Mariana rapidamente saca sua Katana e põe a
lâmina no pescoço de Alice.
-
mais um movimento – fala Mariana enquanto abre um pequeno corte no pescoço de
Alice – e eu vou lhe fazer um sorriso permanente que irá da orelha esquerda a
orelha direita. O que vai ser?
Alice
solta a faca. Carlos se aproxima de Joanderson, se agacha.
-
você quer lidera-los? Ótimo, problema é teu – fala Carlos – não se meta no meu
caminho, e eu não meto no seu. Estamos entendidos?
Joanderson
sacode a cabeça para cima e para baixo.
-
ótimo – fala Carlos enquanto se levanta e olha para o grupo – quem quiser ficar
sob o comando do Joanderson, pode ficar aqui no térreo. Quem não quiser ficar
sob comando do Joanderson, será bem vindo aos pisos superiores.
Carlos
pega sua arma e seque para as escadas, seguido por Matheus, Ítalo, José,
Mariana, Saul, Leonardo, Robson, Lucca, Eduardo, Kamila, Larissa, Elias,
Manoel, Alan, Fernando, Fernanda, Bruno, Vasconcelos e Rodolfo. Ao chegarem ao
piso superior, Carlos olha para trás, conta quantos o seguiram.
-
dezenove sobreviventes comigo, uns quarenta com o Joanderson – fala ele.
-
o que faremos agora? – pergunta Matheus.
-
simples – fala Carlos – vamos manter os pisos superiores. Saul, você sabe onde
fica a sala de controle desse lugar?
-
não – fala Saul.
-
eu sei – fala Robson.
-
ótimo, então você e o Saul ficam prestando atenção nas câmeras e nas
transmissões da televisão – fala Carlos.
-
beleza – fala Robson.
-
o dormitório será no cinema, sala cinco – fala Carlos.
-
as poltronas do cinema são horríveis pra dormir – fala Fernando.
-
as novas, as da sala cinco, são reguláveis – fala Carlos – dá pra levantar as
divisórias das poltronas, assim dá pra se deitar.
-
bem pensado – fala Fernando.
-
revezamento – fala Carlos – metade da noite o Saul fica de olho nas câmeras, na
outra metade o Robson fica de olho. No cinema, eu fico de vigia metade do
tempo, José fica de vigia na outra metade. Feito?
-
por mim tudo bem – fala José, segurando uma de suas malas – contanto que eu
possa cuidar bem das minhas queridas...eu topo qualquer negócio.
-
por mim tá de boa também – fala Robson, segurando a outra mala de José.
-
ótimo – fala Carlos – á suas posições. Os demais podem ir dormir.
Robson
e Saul seguem para a sala de vigilância. Carlos e o resto do grupo seguem para
as salas de cinema. Todas as armas de paintball e as munições ficam na sala de
cinema. Carlos fica de vigia metade da noite. Ele anda pela sala, e vê Mariana
dormindo. Ele se senta na cadeira da frente e observa mais atentamente ela
dormir. Ele passa levemente a mão na cabeça dela, alisando seu cabelo. Mariana
está em sono profundo, logo nem percebe. Chegou a hora da troca turnos. José
põe a mão no ombro de Carlos, que se assusta e rapidamente tira a mão de perto
de Mariana, se levanta e fica de frente para José.
-
nossa, calma – fala José – eu não vou falar nada pra ela amanhã. Vai dormir, eu
fico de vigia.
-
beleza, te vejo amanhã – fala Carlos.
Enquanto
que José começa a andar pela sala, Carlos levanta as divisórias das cadeiras da
fileira da frente, se deita e contempla o rosto de Mariana por alguns minutos
até que dorme. Algumas horas depois ele acorda, e a primeira pessoa que ele vê
é Mariana, parada em sua frente, tomando refrigerante e olhando para seu rosto.
-
você demorou pra acordar – fala Mariana.
-
perdi alguma coisa? – pergunta Carlos.
-
sim – responde ela – os pais dos sobreviventes foram zumbificados, entraram no
shopping e os sobreviventes os mataram.
-
por que ninguém me acordou nessa hora? – fala ele – eu adoraria dar o troco no
meu pai e na minha mãe.
-
bom, você estava roncando – fala ela enquanto se senta na cadeira ao lado da
cabeça dele – e devido ao possível stress que você passou ontem, bom, não
parecia ser uma ideia muito inteligente.
-
hum – fala ele – mais alguma coisa?
-
depressão coletiva, choradeira...o de se esperar de pessoas em choque – fala
ela.
-
por que você não está em choque? Tipo, seus pais também morreram – fala ele.
-
bom...os problemas deles acabaram e acredito que estejam num lugar melhor – fala
ela.
Carlos
se senta ao lado dela. Ele observa uma pequena lágrima se formando no canto do
olho direito dela.
-
a ficha ainda não caiu, né? – pergunta ele enquanto limpa a lágrima com a mão
esquerda.
-
chorar não torna ninguém fraco e matar não torna ninguém forte – fala ele.
-
não falar disso – fala ela, se levantando e se afastando dele – vamos, levanta
daí. O grupo de baixo ainda tá dormindo.
-
reúna o pessoal na cantina do cinema em meia hora – fala ele já se levantando e
andando em direção á porta – temos algo importante a tratar.
Carlos
sai da sala de cinema e segue para a loja de roupas no segundo piso. Ao chegar
á loja, ele pega uma calça jeans preta, uma camiseta vermelha, um par de luvas,
uma jaqueta preta de couro, algumas cuecas, algumas meias, um par de tênis
esportivos e segue para a ala de empregados, onde provavelmente há um banheiro
com chuveiro. Algum tempo depois, na cantina do cinema, Carlos se reúne com os
demais.
-
Carlo, por que essa reunião? – pergunta ítalo.
-
vamos sair daqui – fala Carlos.
-
por que? – pergunta Ítalo – temos proteção, comida e mordomia de graça.
-
por que se ficarmos parados, os zumbis vão nos cercar e não vai demorar para
eles entrarem nesse lugar – fala Carlos – principalmente por que o grupo do
andar debaixo é muito noob.
-
a que horas a gente sai? – pergunta José.
-
eu acho melhor sairmos enquanto é dia – fala Matheus – por que eles só se
baseiam pelo cheiro e pelos barulhos, né?
-
é – fala Mariana – isso eu confirmei. Eles não enxergam, nem sentem nada. Só
respiram e escutam, mas esses dois únicos atributos são os mais eficientes.
-
vamos sair de carro, ônibus...de que? – pergunta Vasconcelos.
-
do modo mais silencioso possível – fala Carlos – á pé.
-
você tá doido?! – fala José – vão nos matar!
-
não, não vão – fala Carlos.
-
por que não?! – pergunta Matheus.
-
por que vamos usar partes dos zumbis mortos para camuflar nosso odor – fala
Carlos.
-
isso é nojento! – fala Larissa.
-
antes ficarmos sujos e nojentos do morrermos, não acha? – fala Mariana.
-
eu concordo com o plano – fala Robson.
-
eu também – fala Saul.
Todos
menos Larissa aprovam o plano.
-
ótimo – fala Carlos – está decidido. Preparem seus quites de sobrevivência e
levem somente o básico e não perecível.
O
grupo se separa e começam a coletar itens úteis e de fácil manuseio, como
barras de cereal, facas, lanternas, pilhas recarregáveis, roupas de tecidos
resistentes. Carlos prepara seu quite, e observa que Fernanda está parada,
imóvel olhando para um anúncio de uma câmera digital que registra fotos em alta
definição não importa se o objeto está em movimento. A foto é de uma família
sorrindo, são duas crianças, uma mulher e um homem. Carlos começa a andar em
direção á Fernanda.
-
como você está? – pergunta ele.
Ela
não responde. Ele fica ao lado esquerdo dela, cruza os braços e observa a foto.
-
sei como você se sente – fala ele – sentimentos ruins possuem dois efeitos:
podem te ferrar ao ponto de você cometer suicídio, ou podem servir como algo
encorajador.
-
encorajador? – fala ela – meus pais possivelmente estão mortos e você me diz
que isso pode ser algo encorajador?!
-
sim – fala ele – certas situações despertam o lado animalesco do ser humano,
logo, o faz tomar decisões baseadas em instintos. Essa situação pode lhe deixar
numa depressão imensa, ou pode acordar o seu lado animalesco, mas você é que
vai decidir.
-
e você? por que não está triste? – pergunta ela.
-
isso é irrelevante – fala ele enquanto volta a colocar itens em sua mochila.
-
eu respondi suas perguntas, agora responda as minhas – fala ela.
-
você quer uma honestidade que vá de acordo com o que você pensa e apoia – fala
ele.
-
por que você está quase normal numa situação como essa? – pergunta ela - seus pais podem estar mortos!
-
e daí? – pergunta ele.
-
e daí?! Você não gosta dos seus pais? Não se preocupa com eles? – pergunta ela.
-
não – responde ele – por que se eu, um adolescente de dezessete anos, sobrevivi
até aqui, eles também devem estar vivos.
-
e se não estiverem? – pergunta ela.
-
bom, todo mundo vai morrer um dia – fala ele.
-
como você consegue ser tão frio? – pergunta ela.
-
isso não é frieza – fala ele – só aceitei as probabilidades possíveis. Não há
nada de frio nisso. É melhor você preparar o seu quite de sobrevivência ao
invés de discutir sobre coisas óbvias, inevitáveis e inúteis.
Carlos
pega sua mochila e segue para outra loja. Mariana está numa loja de itens para
a cozinha. Ela vasculha prateleira por prateleira á procura de facas. Já no
fundo da loja, ela encontra um conjunto facas de açougueiro. Ela retira o
conjunto da prateleira, põe em cima do balcão, abre, pega uma das facas e
verifica o quão amolada a faca está. Alguns momentos depois, ela sai da loja
empurrando um carrinho de compras totalmente cheio de facas. Alguns momentos
depois, Mariana chega ao local de encontro do grupo, já preparada para partir. Alguns
minutos depois, Carlos chega ao lugar e vê Mariana sentada no chão com as
pernas dobradas uma sobre a outra e jogando um dos jogos do celular.
-
o que você tá fazendo? – pergunta Carlos enquanto se aproxima dela.
-
jogando NFS Undercover – responde ela - tá afim?
Carlos
observa detalhadamente o corpo de Mariana.
-
com certeza...- fala ele.
-
então senta aí – fala ela.
Ele
se senta ao lado dela. Ele observa a tela do celular e vê que ela está usando
Shelby ’07.
-
tem o de ’67? – pergunta ele.
-
infelizmente não – fala ela – é um ótimo carro, e também meu favorito , e não o
colocaram. Dá raiva.
-
pelo menos colocaram o novo – fala ele.
-
há, é difícil tentar deixar foda o que já era foda – fala ela.
-
é...tipo os remakes dos filmes e jogos – fala ele – mas há alguns que se
salvam, tipo o Resident Evil Remake.
-
raras exceções – fala ela – os filmes do Resident Evil, por exemplo, alguns
consideram ruins por que saiu muito do que deveria ser. Por essa razão eu acho
que vacilaram no enredo e ficou abaixo do esperado.
-
falando em Resident Evil, você já assistiu o último filme? – pergunta ele.
-
não, essa a minha forma de protesto – fala ela.
-
me lembrou de uma pessoa, mas deixa pra lá – fala ele - o protesto de uma pessoa não é...eficiente.
-
é por essa razão que as pessoas sofrem
em silêncio quando se trata dos governos corruptos – fala ela – por cada um
achar que somente ele pensa dessa forma, acaba desistindo da luta, e logo, os
corruptos tem todas oportunidades pra roubar e fazerem o que quiserem.
-
você é militante ou algo do tipo? – pergunta ele .
-
não – fala ela - só sou uma pessoa que fala o que pensa durante 24 horas por
dia e de segunda á segunda.
Matheus,
Ítalo e Lucca se aproximam de Carlos e de Mariana. Matheus carrega uma bolsa de
acampamento vermelha, Ítalo carrega uma mala preta e Lucca carrega uma mochila
de alpinismo laranja. Matheus e Lucca se sentam ao lado de Carlos e Ítalo se
senta ao lado de Mariana. Ítalo inclina a cabeça em direção ao celular.
-
depois é eu! – fala ele observando o jogo.
-
ei Carlo, cadê o resto da galera? – pergunta Matheus.
-
devem estar vindo pra cá – fala Carlos – relaxa.
-
ei, por que que a gente vai atravessar uma cidade infestada de zumbis á pé? –
pergunta Lucca.
- por que carro faz barulho, e zumbis adoram
barulho – fala Carlos – á pé, a gente não faz barulho e pra camuflar o cheiro ,
a gente só precisa...
-
tomar um banho com as tripas dos zumbis – interrompe Ítalo.
-
...é, esse é o plano – fala Carlos.
-
relaxem, vai dar certo – fala Mariana.
-
eh...sempre quando alguém diz isso, é por que vai sair criticamente errado –
fala Lucca.
-
eu sei – fala Mariana.
Os
demais membros do grupo se reúnem aos cinco. O grupo segue em direção á loja de
roupas que dá acesso á garagem, na entrada da loja, eles são surpreendidos por
alguns membros do grupo de Joanderson, são Medeiros, Lucas, Gabriel, Caio,
Angelo, Alice, Raphael e o próprio Joanderson.
-
espalhem-se a matem todos! – grita Joanderson.
-
mas que porra tá acontecendo aqui?! – fala Carlos enquanto se aproxima de
Joanderson.
-
aquelas coisas invadiram – fala Joanderson – e nós vamos acabar com eles e
retomar o shopping.
-
cadê o resto do grupo? – pergunta Mariana.
-
Morreram – fala Medeiros – os zumbis os mataram.
-
boa sorte em limpar esse lugar sozinho – fala Carlos.
-
eu não estou sozinho! – fala Joanderson.
-
mas vai estar – fala Mariana – eu aposto quanto estivermos saindo pelo portão,
o seu grupo virá á nós pedindo pra se juntar e fugir.
-
mentira! – fala Joanderson.
-
você quer apostar? – pergunta Mariana – ninguém quer morrer, principalmente por
besteira.
-
vão se foder! – grita Joanderson – vamos, pessoal, vamos acabar com esses malditos!
Joanderson
começa a correr em direção aos zumbis empunhando um machado. Os demais ficam
parados, olham para sí mesmos, olham para Joanderson que mata os zumbis
atingindo-os no crâneo, decapitando-os. O grupo de Joanderson olha para Carlos.
Raphael corre para ajudar o amigo, e usando uma machete, mata vários zumbis.
Medeiros olha para os demais, e olha para Carlos.
-
ei Carlo, tem mais vagas no teu grupo? – pergunta Medeiros.
Mariana
puxa Carlos pelo braço, ela aproxima seu rosto ao de Carlos.
-
você confia neles? – pergunta Mariana.
-
confio no Medeiros – fala Carlos – e no Lucas.
-
eu confio no Gabriel – fala Mariana – você vai aceita-los?
-
vou – fala Carlos.
Carlos
se vira para Medeiros.
-
vocês estão dentro – fala Carlos – mas com uma condição: eu tomo as decisões.
De acordo?
-
de acordo – fala Medeiros.
-
de acordo – fala Lucas.
-
sim – fala Angelo.
-
fechado – fala Caio.
-
tá certo – fala Alice.
-
feito, então vamos – fala Carlos.
O
grupo começa a andar em direção á loja que dá acesso ao estacionamento. ao
passarem pela porta e entrarem no estacionamento, um grupo enorme de zumbis os
surpreende. Carlos tira a bolsa dos ombros, a entrega á Medeiros; entrega a
pistola á Matheus e se prepara para o combate.
-
Mariana, fique de olho neles – fala Carlos – eu vou providenciar a
nossa...camuflagem.
-
você tem certeza de que pode acabar com eles sozinho? – pergunta Mariana.
-
não – fala Carlos – Ítalo, Medeiros, Bruno e Rodolfo, comigo. Os demais, com a
Mariana.
-
vocês ouviram o cara, vamos – fala Mariana,
-
só tenho uma pergunta: como vamos sair daqui se os zumbis estão subindo pela
rampa? – pergunta Matheus.
Mariana
sobe no parapente e pula para cima do ônibus. Ela se vira para o grupo e os
encara.
-
isso responde sua pergunta? – fala Mariana.
-
eh... – fala Matheus.
-
vou considerar isso como um sim, agora vamos – fala Mariana já abrindo a saída
de emergência e entrando no ônibus, seguida pelo grupo. Carlos, ítalo,
Medeiros, Bruno e Rodolfo enfrentam os zumbis: Carlos parte os crâneos deles
com sua machete, Ítalo esmaga os cérebros deles com uma clava, Medeiros atingi
os cérebros dos zumbis com suas flechas, Bruno destroça os crâneos deles com
seu machado e Rodolfo perfura seus crâneos com dois punhais. Medeiros fica sem
flechas e é encurralado por dois zumbis. Ele olha para trás e vê uma parede,
olha para o lado direito e vê o parapente, olha para o lado esquerdo e vê um
zumbi indo em sua direção e á frente outro zumbi. Ele se espreme entre a parede
e o parapente, tremendo de medo. Os zumbis, com suas bocas ensanguentadas e com
carne entre os dentes se aproximam cada vez mais, quando de repente, o zumbi da
frente é morto com um golpe extremamente forte na cabeça, golpe dado por Bruno,
que praticamente corta a cabeça do zumbi até o pescoço. O sangue se espalha
rápida e subitamente. O zumbi cai de joelhos e Bruno apenas empurra o corpo
para frente com a perna esquerda e desprende o machado. O outro zumbi agarra
Medeiros, e o prende contra parede. Medeiros segura o zumbi pelo pescoço, gira
o corpo para a direita, deixando o zumbi de costas para o parapente, Bruno
aproveita a chance e corre até os dois. Medeiros se abaixa, e Bruno aproveita a
oportunidade, e usando a lateral da lâmina do machado, ele acerta uma machadada
com tanta força que a cabeça do zumbi é arremessada para fora do
estacionamento. O corpo do zumbi cai e Medeiros se levanta.
-
vish cara, embarquei a cabeça do capiroto – fala Bruno.
A
cabeça do zumbi cai no chão perto de Fernando, que olha para a cabeça e olha
para Bruno.
-
Eita Porra! Que porrada segura! – grita Fernando exaltadamente – Eita Porra!
Carlos,
Rodolfo e Ítalo estão enfrentando os zumbis; Carlos acerta dois golpes na
cabeça de cada zumbi, Ítalo acerta uma pancada no joelho de um zumbi, que cai
no chão e logo em seguida Ítalo finaliza com uma forte pancada na cabeça,
Rodolfo corre em direção á dois zumbis que andam um ao lado do outro, pula e
enfia a lâmina do punhal da mão esquerda no zumbi da esquerda e a lâmina do punhal
da mão direita no zumbi da direita. Ambos os três caem. Rodolfo se levanta,
ainda carregando os punhais e corre em direção á outro zumbi. Carlos acerta um
golpe horizontal na testa de um zumbi. A machete fica presa, e ele empurra o
corpo do zumbi para trás com o pé direito. Eles se reúnem, e contam quantos
zumbis ainda estão de pé, restam apenas sete. Carlos olha para os lados e conta
quantas pessoas estão presentes. Cinco pessoas.
-
Rodolfo, você pega os da ponta direita; Ítalo, você pega o do meio; Bruno, pega
os da ponta esquerda; eu pego os do centro – fala Carlos – Medeiros, recolha
suas flechas.
Rodolfo
vai na frente, ele enfia o punhal da mão esquerda no zumbi da frente, gira e
enfia o punhal da mão direita no zumbo que está atrás. Ítalo acerta uma pancada
forte em horizontal no zumbi que vem no centro, o zumbi cai de bruços para a
esquerda. Carlos passa por Ítalo, acerta um golpe na cabeça do zumbi da frente,
deixa a machete enfiada no crâneo do zumbi e segura embaixo do maxilar do outro
zumbi com a mão esquerda e segura atrás da cabeça do zumbi com a mão direita e
quebra o pescoço dele. Bruno acerta uma machadada na cabeça do zumbi, gira para
a esquerda e levando o cabo do machado, ele segura no pescoço do outro zumbi,
rapidamente segura atrás da cabeça do zumbi e enfia o cabo do machado no olho
esquerdo do zumbi, ambos os corpos caem no chão. Carlos se agacha sobre o
crâneo do zumbi no qual está presa a machete, retira o artefato do crâneo do
zumbi, corta fora ambas as orelhas e fica de pé.
-
e agora? – pergunta Ítalo.
Carlos
dá alguns passos para frente, o grupo se aproxima.
-
orelhas e narizes são as camuflagens – fala Carlos – ponham em suas roupas para
camuflar o cheiro.
-
você tem certeza de que vai dar certo? – pergunta Bruno.
-
vale á pena tentar, não acha? – pergunta Carlos.
O
quinteto começa a cortar as orelhas e os narizes. Algum tempo depois, eles se
reúnem ao grupo. As camisas dobradas, mostrando parte da barriga, derramam
sangue.
-
o que estão carregando aí? – pergunta Alice.
-
a única coisa que pode nos ajudar a sair daqui – fala Carlos enquanto solta a
camisa.
As
orelhas e os narizes ensanguentados caem no chão. Alguns tapam a boca para não
vomitar devido á imagem e acima de tudo, ao fedor que aqueles pedaços
decrépitos de carne exalam. Os demais que carregam os pedaços de zumbis soltam
as camisas, automaticamente, deixando os pedaços de carne baterem no chão.
-
cada um aqui presente pega um pedaço decapitado para camuflar o cheiro – fala
Carlos – façam fila.
Carlos
se abaixa, pega quatro orelhas, se afasta do grupo um pouco, e usando a lâmina
da machete, abre um pequeno em cada orelha, então ele enfia a mão no bolso da
calça e retira um cordão de ouro, o qual usa para prender as orelhas e usa como
repelente de zumbi. Ele enfia a mão no bolso novamente e retira outro igual e
faz a mesma coisa, mas não põe o colar em sí mesmo, ele se levanta e procura
Mariana. Ele a encontra sentada no capô de um carro lendo algumas coisas no
celular. Ele vai até ela.
-
ei, eu tenho algo pra...- falam os dois ao mesmo tempo.
-
fala você primeiro – fala Carlos.
-
segundo o site da BBC, essas coisas estão espalhadas pelo mundo – fala Mariana
descendo do carro e ficando ao lado de Carlos e mostrando o celular – essas
coisas tomaram metade do leste europeu e tomaram todo o sul do Brasil e partes
dos demais países. É preocupante. Dizem que não há lugares seguros.
-
impossível, ontem a gente viu que eles eram poucos e não estavam espalhados
pelo globo – fala Carlos.
-
eh...bom, as coisas pioraram – fala Mariana – mas o que você queria me falar?
-
eh...eu...tenho algo pra...pra você – fala Carlos entregando o colar á Mariana
– espero que...goste.
-
que massa! – fala Mariana pegando o colar com duas orelhas presas – eu sempre
quis um desses!
-
lol...- fala Carlos.
Mariana
põe o colar.
-
e ai, como é que eu tô? – pergunta Mariana.
-
linda – fala Carlos.
-
então...vamos falar pra eles sobre as...”noticias”? – pergunta Mariana.
-
não! Não...não...não, de forma alguma – fala Carlos – é sempre bom manter as
esperanças.
-
você é quem sabe – fala Mariana – só espero que você tenha calculado tudo.
-
ás vezes é preciso arriscar tudo para ganhar tudo – fala Carlos – vamos, temos
que sair daqui antes de anoitecer.
Carlos
e Mariana voltam para o grupo.
-
pessoal, agora vamos dar o fora daqui – fala Carlos.
-
como você sabe se isso vai dar certo ou não? – pergunta Alice.
-
você quer uma prova? – pergunta Carlos – você vai ter uma prova.
Carlos
começa a andar em direção á horda que se dirige até eles. Carlos respira fundo
e começa a andar silenciosamente por entre os zumbis, e nenhum deles o ataca.
Ele se vira e chama os demais fazendo gestos. O grupo começa a seguir Carlos;
eles andam silenciosamente e sem esbarrar em lugar algum. Eles andam por algum
tempo e ao chegarem ao portão e olharem para a rua, eles veem algo que alguns
não esperavam ver e outros já esperavam. Carlos vai até Mariana e sussurra no
ouvido esquerdo dela.
-
tô no meu ambiente – fala ele.
-
então somos dois – fala ela.
.